Sae-Li: Superando o medo para retratar a essência divina

Sae-Li: Superando o medo para retratar a essência divina

Bailarinos do Shen Yun encenando a dança “Tambores do Dragão da Primavera” (Cortesia do Shen Yun Performing Arts)

2014/09/02

Quando você conversa com o Sr. Vorathol Sae-Li, você pode confundi-lo com um simples jovem chinês – exuberante, divertido e bem-educado – mas, na verdade, ele é uma rara exceção.

O Sr. Sae-Li é um dos bailarinos principais que atua pelo Shen Yun Performing Arts. Desde 2007, o Sr. Sae-Li já percorreu grande parte da Ásia, Europa e América do Norte com a companhia de dança de Nova York e encantou milhões de membros da audiência em todo o mundo, particularmente em seu papel como o lendário Jigong nos últimos dois anos.

Além de bailarino principal, o Sr. Sae-Li ganhou duas vezes prata na Competição Internacional de Dança Clássica Chinesa da NTDTV, um evento altamente competitivo que é amplamente reconhecido como a principal competição de dança clássica chinesa no mundo.

Mas o Sr. Sae-Li não foi sempre assim. Na verdade, quando ele era mais jovem, ele nem tinha tanto interesse por atividades físicas, segundo ele. “A dança clássica chinesa é muito intensa corporalmente e foi muito difícil para mim. Foi uma grande mudança desde assistir televisão”.

Entre seus primeiros desafios na audiência de admissão para a Academia de Artes Fei Tian e, mais tarde, na atuação com o Shen Yun, havia o intenso programa de dança clássica chinesa. “Quando comecei a treinar na Fei Tian, foi bem doloroso. No segundo dia, eu estava todo dolorido e simplesmente não conseguia sair da cama.”

Mas o jovem dançarino perseverou. “A primeira coisa naquela manhã era a aula de dança, então, eu só tinha de suportar. E a dor contínua gradualmente aumentava, dia após dia, mas, depois de chegar ao extremo, ela amenizou. O corpo se acostuma a dançar e a dor se vai. Mas essa parte é bastante difícil.”

A dor dos primeiros dias não foi o único desafio. O Sr. Sae-Li também teve momentos difíceis com a flexibilidade. “Minhas pernas não são naturalmente flexíveis, alongar era realmente um grande problema para mim. O alongamento é o mesmo quando você começa a dançar, ele persiste incomodando, [mas, mais tarde], com perseverança, a flexibilidade aumenta naturalmente”, disse ele.

Mas seus esforços foram recompensados. Em 2007, o Sr. Sae-Li foi o único entre os 17 alunos da Fei Tian que foi selecionado na classe daquele ano, isso após audiências que foram realizadas em todo o mundo.

Papéis no palco

Então, o que transformou o jovem num dos artistas mais importantes da dança clássica chinesa no mundo de hoje? Além do trabalho duro e da persistência, o Sr. Sae-Li acha que sua propensão pela interpretação artística o distingue.

“Uma de minhas características pessoais distintivas é incorporar os personagens. Jigong é um personagem tolo, excêntrico e exótico. Quando represento Jigong, tudo mais parece estranho e excêntrico. Para algumas pessoas, isso pode ser difícil de fazer, mas é algo natural para mim. Quando a música vem, eu […] bem, eu costumava assistir filmes sobre Jigong na TV. Então, parece natural”, disse ele.

E ser feliz por natureza certamente não é um problema. “Jigong está feliz o tempo todo. E é assim que eu sou; estou sempre sorrindo”.

O Sr. Sae-Li acha que seus talentos pela atuação e representação também o ajudaram na Competição Internacional de Dança Clássica Chinesa da NTDTV. “Quando entrei na competição, eu não esperava ganhar nada. Eu só queria avaliar-me em relação aos outros. É uma experiência muito diferente. Basicamente, eu entrei para me aperfeiçoar. No final da competição, no último dia, quando foram anunciados os vencedores, eu fiquei realmente surpreso que tivesse ganhado prata. Naquele ano, eu interpretei uma peça chamada ‘Liulang vai à guerra’. Nessa peça, após testemunhar a morte de todos os familiares, o general Liulang é o único que resta para defender o reino. Eu fiz um levantamento e estudo histórico árduo sobre Liulang para me conectar mais intimamente com o personagem. Na dança chinesa, quanto mais você entende o personagem, melhor você poderá retratá-lo. Isso me ajudou a incorporá-lo no palco.”

A segunda coisa que vem em auxílio é o chamado ‘yun’.

“Há três partes principais na dança: forma, técnica e yun. Acho que um dos meus pontos fortes é o yun. É basicamente a presença de palco, quando você está lá e há um sentimento interior. É assim que posso me conectar ao público. Quando você se movimenta […] há algo por trás disso. Algo nos olhos. Algo que você não pode treinar. Mas você também pode adquiri-lo ao longo dos anos e, quanto mais você dança, mais experiência você tem. Isso é que me é bem natural.”

Motivações

Entre as muitas coisas que motivam o Sr. Sae-Li a continuar, está o feedback da audiência.

“Alguns membros da audiência do Shen Yun dizem que, após assistirem ao show, sua perspectiva da vida mudou. O que o Shen Yun retrata é a cultura tradicional chinesa. Ela ensina as pessoas a serem boas. Por exemplo, em 2012, quando eu interpretava Jigong, ele punia algumas pessoas más que assediavam uma mulher durante a peça. São esses tipos de histórias da cultura tradicional chinesa que representamos. Há muitas histórias como essa que ensinam às pessoas o que é bom e o que é ruim. No fim do show, durante a chamada da cortina, quando vejo o público, eles estão verdadeiramente felizes. Os aplausos […] Sinto-me muito tocado intimamente por retratar algo de valor, algo que pode ajudá-los a se tornarem pessoas melhores.”

Além da resposta da audiência, ser capaz de compartilhar a verdadeira cultura tradicional chinesa é outra motivação. “Atuar pelo Shen Yun é realmente uma honra”, diz ele. “Antes de ingressar na Fei Tian, eu não tinha muita conexão com minha herança cultural. Após estudar e treinar na Fei Tian, eu realmente aprendi como é profunda a cultura chinesa. Acreditamos que tudo é transmitido pelos deuses. As performances nos ensinam que as pessoas boas são recompensadas e os maus são punidos. Quando estamos no palco, temos de retratar essas coisas […] quando os ocidentais veem isso, em geral é a primeira vez que eles entram em contato com a verdadeira cultura tradicional chinesa”.

“O que retratamos no palco é a essência divina e é necessário ser uma boa pessoa para retratar algo assim. Quando o público nos observa, eles sentem uma conexão e percebem sua natureza boa. Você não seria capaz de fazer se isso não estiver em você. No Shen Yun, todos nos ajudamos. Se alguém tem um problema, os outros sempre tentam ajudar. O convívio aqui é muito diferente das escolas que frequentei antes.”

O que podemos aprender

Uma das experiências mais intensas do Sr. Sae-Li no palco foi se preparar para o papel desafiador do Rei Macaco. “Como o Rei Macaco, eu tinha de fazer um backflip em cena. Foi minha primeira vez fazendo aquilo no palco. Preparar-se para aquilo foi realmente exaustivo. Há um ditado que diz que você tem de praticar mil vezes antes de usar uma vez no palco – e esse é realmente o caso para expressar técnicas de dança. Para adquirir firmeza suficiente para entrar no palco, é preciso praticar inúmeras vezes.”

Além de dominar as técnicas da peça, o Sr. Sae-Li teve de superar algo mais: o medo. “O medo é uma das coisas mais importantes a serem superadas. Eu tinha de fazer outros movimentos antes de tentar o backflip. Eu tinha medo de cair, de aterrissar de cabeça. Eu podia fazer o movimento se estivesse confiante, mas, se não estivesse, era muito difícil […] mesmo se eu vacilasse apenas um pouco, eu não conseguia fazer.”

E talvez essa seja a maior lição ao conversar com o Sr. Sae-Li: sua coragem e determinação em prosseguir e trabalhar duro contra o medo.

O Sr. Sae-Li superou o medo e mostra uma coragem notável em sua jornada com a Fei Tian e o Shen Yun.

Para mais informações, visite: ShenYunPerformingArts.org