Roubo e cópia retardam as ambições espaciais da China

O programa espacial do regime comunista chinês, dirigido pelo e para o Exército de Libertação do Povo, concentra-se em inventar armas que possam anular as capacidades militares defensivas de potenciais inimigos da China, destacadamente, os Estados Unidos.

No entanto, apesar das fortes ambições espaciais da China, seu poderio militar espacial pode estar condenado a ficar em segundo plano em relação ao de outras potências, como os EUA e a Rússia, porque sua pesquisa e desenvolvimento estão, em grande parte, limitados ao que a indústria chinesa consegue roubar (segredos) ou copiar de outros países.

Essa conclusão e outras foram delineados em um relatório publicado em 2 de março pela US-China Economic and Security Review Commission. O relatório, cujo título é “Sonho da China, sonho espacial”, contém comentários e análises sobre o programa espacial da China, e “como ele está promovendo a segurança nacional, a econômica e os interesses diplomáticos da China”.

De acordo com o relatório, “o uso de tecnologia espacial pode facilitar ataques com armas de longo alcance guiadas remotamente bem como alavancar a conectividade e o uso combinado de toda as forças militares”.

O programa espacial chinês desempenha importante papel nos planos chineses de modernização militar. O regime comunista chinês está focado em desenvolver ou obter tecnologias que neutralizem as vantagens militares dos EUA, e o desenvolvimento de armas espaciais chinesas poderia anular importantes capacidades de defesa dos EUA por fração do custo via intervenções terrestres.

Em maio, a China testou o Dong Ning-2, um míssil antissatélite, dizendo ser testes para fins científicos, de acordo com a Academia Chinesa de Ciências. Armas antissatélites são parte do que a China chama de “trunfo” ou arma “bastão de assassino” (expressão chinesa que significa, ser capaz de vencer inimigos mais fortes). São sistemas que permitiriam aos militares chineses neutralizar partes do exército norte-americano que eles não podem vencer.

Em janeiro, Ashley Tellis, associado sênior do Carnegie Endowment for International Peace (Fundação Carnegie para a Paz Internacional), resumiu essa questão em uma audiência no Congresso: “Os planejadores militares chineses estão profundamente focados em neutralizar as vantagens militares espaciais dos EUA, porque eles acreditam que isso é fundamental para eliminar o fator-chave do domínio militar dos EUA”.

As autoridades militares chineses parecem concordar com isso. O tenente-general Wang Hongguang, um oficial do Exercito da Libertação do Povo, que se aposentou em 2012, escreveu no ano passado um artigo de opinião na mídia estatal chinesa Tempos Globais, pelo qual disse que a China vai usar suas armas “trunfo” de modo inesperado, e isso fará que “o orgulho e a arrogância dos EUA sejam esmagados sob os pés da China”.

Alcançar objetivos por meio do  roubo

Um recente relatório da US-CHINA Economic and Security Review Commission, elaborado por estudiosos da Universidade da Califórnia, ao avaliar o progresso da China no campo da indústria espacial, observa que “o objetivo da China é usar o espaço para alavancar sua econômica e seus interesses diplomáticos, no entanto, isso ainda está longe de acontecer”.

De acordo com esse relatório, a tecnologia espacial permitiria ao regime chinês ter forças militares modernas, maior competitividade comercial e maior inflência estratégica global, no entanto, até agora, a China apoia-se em “trabalhos pioneiros dos EUA e da Rússia” no campo espacial, fazendo que as ambições chinesas fiquem consistentemente em um segundo plano.

Os chineses dependem do roubo (espionagem) de novas tecnologias da Europa e América, e da engenharia reversa.
O relatório considera que a China é ainda uma “potência espacial parcial”, ou seja, que “não pôde ainda transformar esse poder em influência global”.

Outro ponto citado no relatório é a superioridade dos Estados Unidos frente à China no campo do desenvolvimento de tecnologias espaciais, e as agências de inteligência chineses estão bem cientes disso.

Em 2012, dois altos funcionários da Inteligência Americana, anonimamente, disseram à Bloomberg que os chineses dependem do roubo de novas tecnologias da Europa e da América, e de engenharia reversa. “O sistema político fechado da China desencoraja o pensamento independente, o qual alavanca o espírito inovador e o avanço nas pesquisas”, disseram os dois.

O Departamento de Comércio e Justiça dos EUA identificaram pelo menos 26 importantes casos em que, desde 2006, a China tenta obter equipamentos chaves para aplicações militares, inclusive lançadores-espaciais e informações de projetos de mísseis, de acordo com a reportagem da Bloomberg.

Além de poderio militar, o emergente programa espacial da China dará a ela influência econômica e política,  “que a China poderá usar para exercer influência internacional”, segundo o relatório.

O relatório também descreveu como o regime chinês “usa o programa espacial do país como um meio para demonstrar ao povo chinês o sucesso da liderança do Partido Comunista Chinês”.

 
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