Revelados os crimes e enorme fortuna ilícita do ex-chefe da segurança da China

Recentemente, uma revista de Hong Kong publicou uma exposição dos crimes e transgressões sexuais do ex-chefe da segurança do regime chinês, Zhou Yongkang. Este artigo segue um editorial prévio da revista sobre o grande número de associados de Zhou que foram presos e sobre a riqueza ilícita estupenda que Zhou adquiriu.

Acredita-se que a revista Chengming tem boas relações com a administração do atual líder chinês Xi Jinping e ela tem regularmente publicado vazamentos que se baseiam em fontes não identificadas em Pequim. Em sua edição mais recente, a Chengming relata que obteve um documento em que as autoridades em Pequim discutem os crimes cometidos por Zhou Yongkang.

Zhou foi durante muito tempo um dos homens mais poderosos do regime chinês e conseguiu transformar as forças de segurança sob seu comando num “segundo centro de poder”, rivalizando com a autoridade do secretário-geral do Partido Comunista Chinês (PCC), segundo o comentarista Wang Hua do China Epoch Times.

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Zhou foi formalmente preso em 1º de agosto de 2014, o maior dos “grandes tigres” derrubado pela atual campanha anticorrupção no regime chinês.

De acordo com as informações obtidas pela Chengming, os crimes de Zhou incluem violações das “disciplinas política, organizacional e confidencial”, com os números de cada violação enumerados. Zhou teria violado a “disciplina confidencial” nove vezes, por exemplo.

O crime de “divulgação de segredos de Estado e do PCC” incluem sete casos em que segredos foram vazados para instituições estrangeiras.

O memorando interno também menciona como Zhou estava envolvido em crimes de “adultério com várias mulheres como parte de trocas de poder político e dinheiro”.

O documento vai fundo na carreira de Zhou para expor seus crimes sexuais, informando sobre vários casos extraconjugais e “relações indecentes” em 1985, quando Zhou foi prefeito e vice-secretário municipal do PCC na cidade de Panjin, província de Liaoning, Nordeste da China.

Em 1998, Zhou teria estado envolvido com 27 mulheres, as quais ele recompensou os favores sexuais com cargos públicos que elas não estavam qualificadas para desempenhar, enquanto fazia viagens oficiais em diversas cidades pela China, incluindo Shenyang, Dalian, Wuhan, Nanjing, Chengdu, Changsha e Tianjin.

A revista também informou que Zhou vem sofrendo de uma doença sexualmente transmissível desde março de 2005.

US$ 16 bilhões confiscados

Numa edição anterior, a Chengming informou sobre um memorando interno de uma força-tarefa especial designada para investigar Zhou, seus parentes e associados no Comitê dos Assuntos Político-Legislativos (a organização que tem autoridade sobre todo o aparato de segurança e o sistema de justiça da China, e que se tornou muito poderosa sob o comando de Zhou), na indústria do petróleo (que Zhou chefiou) e na província de Sichuan (onde Zhou estabeleceu sua base de poder político previamente).

De acordo com o memorando, um total de 313 parentes e associados de Zhou foram presos, incluindo 11 com cargos de vice-ministro, 56 chefes de departamentos, 14 dos quais eram parentes diretos de Zhou e 28 que foram secretários ou seguranças de Zhou.

Onze pessoas desapareceram, incluindo Gu Xiaoxia, a cunhada de Zhou; seu secretário pessoal de sobrenome Liang; e uma amante de sobrenome Lin, que integrava um grupo artístico da Região Militar de Shenyang. O memorando informou que parentes e associados de Zhou estão atualmente sendo rastreados internacionalmente.

O editorial também afirmou que a Procuradoria (a instituição no sistema jurídico chinês responsável pela investigação e punição do crime) nas jurisdições de Pequim, Liaoning, província de Jiangsu, província de Shandong, Shanghai e Guangdong, emitiu em cada filial mandados de busca separados para vasculhar as residências de Zhou em 7 províncias diferentes.

As apreensões incluem:

• 326 residências em Pequim, Shenyang, Dalian, Jinan, Yantai, Chengdu, Nanjing, Wuxi, Suzhou, Shanghai, Guangzhou e Shenzhen, com um valor combinado de até 1,76 bilhão de yuanes (c. US$ 282,55 milhões).

• 42,85 quilogramas de ouro, prata e moedas de ouro.

• Dinheiro: 152,7 milhões de yuanes (c. US$ 24,5 milhões); 275 milhões de dólares; 662 mil euros; 10 mil libras esterlinas e 55 mil francos suíços.

• 62 carros, incluindo jipes militares e um ônibus de turismo de médio porte.

• 55 pinturas, incluindo de pintores famosos, num valor total de mercado de 8 milhões a 1 bilhão de yuanes (c. 128,4 a 160,5 milhões de dólares)

• 5 exemplares de três tipos diferentes de armas de fabricação nacional, 3 exemplares de armas da Alemanha, Rússia, Inglaterra e Bélgica e 11 mil balas.

• Foram congeladas 647 contas bancárias nacionais e 117 contas internacionais em nome de Zhou e seus parentes em 12 instituições financeiras e 133 ramos bancários diferentes. Além disso, foram identificadas outras 930 contas usando pseudônimos, nomes falsos e nomes de empresas contendo 37,7336 bilhões de yuanes (c. US$ 6,06 bilhões).

• Também foram apreendidos bens relacionados à indústria de petróleo e aviação, vinhos e títulos financeiros com valor de mercado total de 51,3 bilhões de yuanes (US$ 8,24 bilhões), bem como títulos estrangeiros somando mais de 170 milhões de yuanes (US$ 27,29 milhões).

As contas financeiras criadas por Zhou incluíam nomes falsos como Zhou Anping, Zhou Niantong, Zhou Xianlai, Jiang Guangzu, Jiang Guangdi, Gu Chengping, Gu Shishan e outros.

Com base na lista, os bens confiscados de Zhou totalizam mais de 100 bilhões de yuanes (US$ 16,05 bilhões).

 
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