Retrato da classe média brasileira

Crianças esperando sambistas na Pedra do Sal, no Rio de Janeiro, em 12 de novembro de 2012 (Christophe Simon/AFP/Getty Images)

Nos últimos 10 anos, 40 milhões de pessoas ingressaram na classe média, que hoje atinge mais de 100 milhões de brasileiros. Caso fosse um país, a classe média brasileira representaria o décimo segundo país mais populoso do mundo no ranking mundial.

Este cenário faz parte da segunda edição do Caderno de Vozes da Classe Média, que foi lançado na semana passada, em São Paulo. Esta edição do estudo, desenvolvido pela Secretária de Assuntos Estratégicos (SAE) do Governo Federal, analisa a desigualdade, a heterogeneidade e a diversidade da classe média brasileira.

Avaliando o estudo, dentre os 40 milhões de novos membros dessa denominada classe média, apenas 8 milhões são resultado do crescimento vegetativo. A maior parte – ou seja, 29 milhões de pessoas – ascendeu das camadas mais baixas da população, com a melhoria dos empregos e salários.

Originados de incentivos do governo Lula, programas assistenciais foram seguramente a base dessa ascensão social desses milhões de brasileiros. Dentre os programas assistenciais, destaca-se o ‘Fome Zero’, em que há um repasse direto de verbas para cidadãos que comprovem alguns compromissos sociais importantes, como ter seus filhos matriculados em escolas e carteiras de vacinação atualizadas.

Em termos de consumo desta classe média, basta imaginar o impacto no mercado se alguns de seus sonhos forem concretizados. Segundo o SAE, esse estrato social deve movimentar cerca de R$ 1 trilhão em 2012.

Com base no estudo do Caderno de Vozes da Classe Média, esta classe constitui 52% da população brasileira. Dentro deste percentual estão 20 milhões de pessoas da classe média que desejam comprar imóvel e 9,5 milhões querem um automóvel novo ou usado. Outros objetivos da nova classe são estudar em escolas privadas e ter acesso ao sistema de saúde particular.

Apesar de tudo, o ponto fraco continua sendo a educação. O analfabetismo entre a população com 15 anos ou mais diminuiu apenas um ponto em dois anos, para 8,6 % em 2011. Ainda há 12,9 milhões de brasileiros analfabetos. E o percentual de analfabetos funcionais é de 20,4%, acumulando quase um terço da população de um país que precisa de mão de obra capacitada para expandir sua economia e competir globalmente.

Outro ponto é que o endividamento das famílias se encontra em nível recorde e a inadimplência ainda não caiu, embora os economistas digam que a tendência é de queda. O comprometimento da renda mensal com o pagamento de dívidas chegou a 22% em agosto. Em janeiro de 2005, o primeiro dado da série, estava em 15%, segundo O Globo.

O que soa curioso é como o governo faz a definição de classes: considera como classe média uma família com renda mensal per capita (por pessoa) a partir de R$ 291,00.  Segundo esse mesmo critério, é considerada classe alta, família de quatro pessoas em que juntos ganham R$ 4.076,00, de acordo com o estudo.

Mesmo que esse estudo considere famílias pobres como sendo de classe média, o fato é que houve uma melhoria na condição de vida de milhões de brasileiros, em grande parte devido a programas assistenciais. O impacto desta melhora foi expressivo, especialmente no aumento do consumo o que estimulou a economia do país como um todo. O que se espera agora, onde parece haver uma saturação desse modelo, é que o governo entregue condições de autodesenvolvimento para essa classe média, com saúde, educação e segurança apropriadas para o objetivo de saírem da dependência do assistencialismo governamental. De outra forma, esse assistencialismo mais se assemelhará a uma mera compra de votos.

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