Resgatando a arte tradicional chinesa – Parte 4

Resgatando a arte tradicional chinesa – Parte 4

Uma dançarina do Shen Yun atuando na Competição Internacional de Dança Clássica Chinesa da NTDTV (Dai Bing/The Epoch Times)

2014/06/11

Enquanto o Shen Yun Performing Arts continua sua turnê mundial apresentando as tradições redescobertas da antiga China, nesta série de quatro partes, o Epoch Times observa essas artes, seu atual estado na China, sua influência no mundo e a importância deste milagroso renascimento.

O website do Shen Yun Performing Arts apresenta uma profusão de depoimentos em vídeo feitos por membros da audiência, dentre os quais vários são membros reconhecidos na comunidade artística, incluindo compositores clássicos e designer de produção cinematográfica.

Os anúncios estão em alta e os ingressos estão sendo vendidos rapidamente em todo o Canadá e Estados Unidos. O Shen Yun Performing Arts, sediado em Nova York, cresceu de uma companhia para três e faz turnê pelo mundo há alguns anos.

É incomum para qualquer produção ser tão amada universalmente e possuir tanto apelo e influência sobre um público de tal diversidade internacional. A razão óbvia é que seu desempenho é brilhante, mas um olhar mais atento indica ainda mais: o Shen Yun pode sinalizar uma mudança de paradigma nas artes.

À medida que entramos no novo milênio, na era pós-pós-moderna, aqueles de nós que pensam sobre arte e cultura podem fazer uma pausa e refletir sobre tudo o que aconteceu no século passado. Muitas das instituições artísticas que eram de elevada arte na esfera pública ou arte popular em nossas vidas privadas foram varridas pela cultura do consumo ou empoleiradas num pedestal abstrato e intelectualizado tão alto que falharam em entrar em ressonância com as pessoas. Isto não é verdade apenas no Ocidente – é um fenômeno global.

Arte não é papel de parede e dança não é exercício físico, independente do contexto cultural. Imagens sombrias e angulares minam a sensibilidade do público e a estética moderna semeou a feiura ao redor do mundo.

Idealmente, as artes são fonte de inspiração para nossas ações diárias e assim deveriam nos ajudar em nossos esforços coletivos e individuais de servir à sociedade e de nos sentir verdadeiramente realizados. Placebos não satisfarão numa época tão complexa e frustrante como esta.

Descubra o Shen Yun, uma bela atuação de fato! Mas, além do espetáculo visual, da exuberante combinação da orquestra ocidental e instrumentos orientais e da excepcional técnica dos bailarinos, há uma fundação sólida baseada em emoções positivas.

Se há temas difíceis de abordar – e o Shen Yun toca no assunto da atual situação política na China continental que é certamente difícil –, eles não o fazem com raiva, mas com compaixão. A mensagem geral é nos acordar para a possibilidade de bondade num mundo conturbado. Podemos nos tornar flores de lótus que se elevam acima da lama.

O Shen Yun está mergulhado na antiga cultura chinesa, inspirando-se nas lendas da China, nas tradições folclóricas e numa vasta paisagem espiritual. Sob o governo comunista nos últimos sessenta anos, o legado cultural da China tem sido identificado como uma fonte de força para o cidadão comum e por isso a oligarquia procurou erradicá-lo sistematicamente.

A revitalização destas artes tradicionais pelo Shen Yun, uma companhia fundada por artistas chineses que vivem no estrangeiro, é muito mais do que um ato de autodefesa, é uma declaração de continuidade, não apenas dos elementos materiais da cultura – língua, vestimentas, música e movimentos –, mas também das coisas inefáveis que nos preenchem, coisas que nos impulsionam ao futuro e nos permitem vencer nossos medos e dúvidas.

O Shen Yun poderá persuadi-lo que nós, como raça humana, somos capazes de superar as circunstâncias mais difíceis e caminhar juntos, articulando o milênio que se abre diante de nós com as ferramentas transmitidas por nossos ancestrais. Poderá convencê-lo também que você é muito mais e que pode contribuir mais.

A missão da companhia nos indica os pontos fortes de nosso passado coletivo e os recursos culturais que estão enterrados aí. Ela remodela nosso uso desses bens intangíveis como um paradigma ou estrutura não só para as artes, mas para a vida diária.

A ideia é tão simples, mas tão profunda, e é uma mensagem consistente com a estética desta produção: Não tenha medo de encarar as coisas que são claramente más. A bondade é algo que vale a pena defender. Vencer é possível. Permaneça de coração e mente abertos. Coisas que são belas não são frívolas, seja arte ou ideias.

Na verdade, quando a beleza nos rodeia, ela desperta a criatividade que precisamos para transformar as coisas ao nosso redor.

Não há idealismo aqui. O Shen Yun percorre seu caminho. Os artistas são admiravelmente focados e dedicados. Eles trabalham incansavelmente para abordar com destreza e beleza questões amplas e essenciais ao ser humano.

A forma como o Shen Yun deslumbra o público é um testemunho do poder de uma boa ideia. A beleza deslumbrante da produção em si tem sido uma inspiração para todos que a assistem. De estilistas a violoncelistas, de médicos a dentistas, por engraçado que pareça, todos saem renascidos.

Agora, precisamos apenas esperar e ver o resultado do que o Shen Yun tem semeado nas comunidades que bafejou com seu encanto.

Leia também a parte 1, a parte 2 e a parte 3 desta série