Resgatando a arte tradicional chinesa – Parte 1

Resgatando a arte tradicional chinesa – Parte 1

A Companhia de Artes Shen Yun agradece ao público em janeiro de 2011 no Lincoln Center em Manhattan, Nova York (Larry Dai/The Epoch Times)

2014/06/04

Enquanto o Shen Yun Performing Arts continua sua turnê mundial apresentando as tradições redescobertas da antiga China, nesta série de quatro partes, o Epoch Times observa estas artes, seu atual estado na China, sua influência no mundo e a importância deste milagroso renascimento.

Enquanto as economias do mundo crescem e se desintegram, o equilíbrio do poder parece incerto e a China emerge como uma figura proeminente no palco mundial. Outrora fechada aos olhos curiosos do mundo externo, a nação mais populosa da Terra abriu suas portas, permitindo o mundo ver uma nação ainda magoada pelas políticas do comunismo, políticas que destruíram a antiga cultura e tradição chinesa.

Para entender onde uma nação está indo é importante conhecer seu passado. As pessoas têm se conscientizado de que a China de hoje não é a mesma do passado, nem é ainda a China do futuro. É evidente que as antigas tradições desta terra são vastas e ricas e suas influências no mundo são de longo alcance.

Compreender o padrão artístico de uma nação é compreender os profundos valores de seu povo. Os pensamentos e sentimentos transmitidos numa pincelada, numa nota musical ou numa dança representam os ideais e atitudes que penetram o tecido de uma cultura, algo elusivo para a linguagem escrita.

A história registrada da China começa mais de 5 mil anos atrás, fazendo dela a mais antiga da Terra. Desde o tempo do primeiro imperador, a arte tem evoluído com cada dinastia contribuindo com novas ideias, ideais e formas de expressão. No desenrolar dos séculos, cada um dos diversos grupos étnicos na China tem constantemente refinado suas contribuições únicas para o patrimônio cultural do país.

A região esotérica e profundamente religiosa do Tibete criou uma cultura que tem capturado a imaginação do mundo por décadas, enquanto o implacável ambiente natural das planícies da Mongólia Interior forjou um povo estoico que tem refletido em seu caráter e arte o cinzelar da terra que habitam.

O ápice do desenvolvimento artístico e social da China ocorreu durante a Dinastia Tang (618–907), considerada a idade de ouro da China. As artes floresceram com um espírito assimilador que fortaleceu a característica coletiva e diversa da arte chinesa. A Rota da Seda atingiu seu auge e o comércio entre o Leste e Oeste facilitou a penetração de diferentes ideias musicais e artísticas na cultura chinesa. O pensamento confucionista existiu ao lado do budismo e da filosofia taoísta, tornando-se um período de grande moral e desenvolvimento filosófico.

O cultivo da moral e a perfeição técnica passaram de mão em mão e, para ser proficiente em qualquer empreendimento artístico, ênfase especial era colocada no cultivo do caráter. Fosse a dança, a música ou a caligrafia, a natureza da pessoa era uma parte essencial do trabalho. Em nenhum outro lugar isso foi mais enfatizado do que nas artes tradicionais da China.

As artes marciais têm sido talvez a mais reconhecida pelo mundo afora, com Hollywood fazendo bom uso de seus espetáculos visuais para capturar a imaginação do Ocidente. Ao entrelaçar suas raízes ao longo da história, as artes marciais realmente devem sua formação e técnica a dança clássica chinesa, a forma de arte mais profunda que emergiu na China.

A graciosidade e brilho da técnica da dança clássica chinesa supera os rigores do balé e das artes marciais. A dança clássica chinesa vai além da mera técnica e penetra o ser do artista. Pode-se dizer que ela carrega a essência da expressão cultural chinesa em seus movimentos, posturas e estética.

A recente renovação da “cultura perdida” da China pela companhia nova-iorquina Shen Yun Performing Arts traz à luz estas antigas artes pela primeira vez em nossa história moderna.

A característica essencial das artes tradicionais chinesas é a intenção de se conectar a uma dimensão maior. As artes não são um fim em si mesmo, mas um caminho para expressar e se conectar com o divino, um conceito profundamente enraizado nas tradições chinesas. Veículo do autocultivo e da transcendência, tal arte não é facilmente encontrada no mundo moderno, no entanto, elas estão conquistando seu espaço novamente, graças ao Shen Yun.

Leia também a parte 2, a parte 3 e a parte 4 desta série