Reputação da China de ‘Fábrica do Mundo’ se desfaz

No segundo semestre de 2014, um número crescente de fabricantes originais na China declarou falência, fechou as portas ou se moveu para outros países, segundo a mídia estatal chinesa. A reputação da China como “fábrica do mundo” está desaparecendo enquanto a indústria enfrenta uma severa recessão.

Dois conhecidos fabricantes originais em grande escala – ou seja, empresas que fabricam produtos que são vendidos posteriormente sob outras marcas – na cidade de Suzhou, província de Jiangsu, Sudeste da China, faliram em dezembro, informou a estatal Rádio Nacional da China.

Por exemplo, a United Win Technology Ltd., com financiamento de Taiwan, anunciou falência em 5 de dezembro. No auge, a empresa chegou a ter mais de 20 mil funcionários. No momento da falência, restavam 3 mil empregados. A empresa trabalhou para a Apple Inc. e, em seguida, para a empresa de smartphones chinesa Xiaomi Inc. por alguns anos.

A Silitech Technology, outra empresa com financiamento de Taiwan em Suzhou, anunciou seu desligamento em 28 de novembro de 2014, despedindo a maior parte de seus funcionários. A empresa, que chegou a ter mais de 10 mil funcionários, produzia principalmente chaves de telefonia móvel para a Nokia. Quando telefones celulares touch screen se popularizaram, a produção de chaves foi gradualmente eliminada da indústria.

A Zhaoxin Communications Industrial Co., uma companhia de pesquisa, desenvolvimento e produção de telefone celular em Dongguan, província de Guangdong, Sul da China, não só foi à falência, mas seu presidente também tentou o suicídio. Em 4 de janeiro, um alto executivo da Zhaoxin Communications confirmou a tentativa de suicídio do presidente Gao Min à mídia estatal Diário Metropolitano do Sul. “Como vocês sabem, sob o impacto do ambiente global, muitas empresas no Delta do Rio Pérola possuíam muitas dívidas triangulares e o dinheiro não fluía”, disse o alto executivo anônimo. Gao Min ainda estava sendo tratado no momento da reportagem.

Pelo menos três fabricantes de tablet PC em Shenzhen, província de Guangdong, anunciaram falência na segunda metade de 2014, incluindo a empresa Keen High Technology, conhecida pela alta qualidade de sua produção.

Somente em outubro do ano passado, mais de 10 grandes fábricas de calçados na cidade de Dongguan também foram à falência, segundo a mídia estatal. Especialistas do setor estimam que pelo menos mais 100 grandes fábricas vão falir ou ser desligadas até o Ano Novo Chinês em fevereiro, informou a mídia estatal China Times.

Liang Zhenpeng, um especialista chinês na indústria de computadores, comunicação e eletrônicos, apresentou três explicações para as falências de fabricantes originais: “Em primeiro lugar, a falência ou perda financeira dos clientes desgasta a cadeia de capital das empresas. Segundo, os principais acionistas dos fabricantes originais enfrenta crise financeira e tem que retirar os investimentos. E terceiro, a tecnologia ultrapassada dos fabricantes originais não pode acompanhar a atualização tecnológica.”

Além disso, o aumento do custo de mão de obra diminuiu a vantagem no custo de produção da China, desempenhando um papel fundamental na falência dos fabricantes. O professor Frank Tian Xie, da Faculdade de Administração da Universidade da Carolina do Sul, disse ao Epoch Times que “o custo do trabalho da China está aumentando devido à inflação”, que levará a falência de mais fabricantes, provocará a retirada de investimentos estrangeiros e resultará em maior desemprego.

Muitas das falências têm provocado grandes protestos de funcionários demitidos que exigem seus pagamentos atrasados e bonificações. “Depois de falências súbitas, há um grande número de pessoas [desempregadas] na sociedade. É difícil resolver todos os problemas de emprego no curto prazo”, disse um oficial da cidade de Suzhou ao China Times.

O economista Roy Lee Chun disse à Deutsche Welle em outubro que a China já não é mais a ‘fábrica do mundo’. Muitas empresas de Taiwan retiraram seus investimentos da China e mais empresas de outros países, como empresas europeias, seguirão o exemplo, devido ao aumento do custo do trabalho na China, disse Lee.

 
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