República Dominicana enfrenta pior seca em 30 anos: “estamos em estado de calamidade pública” (Vídeo)

Carlos Marino Almonte, presidente da associação de criadores de gado locais, disse à Reuters que não chove há oito meses

Por Epoch Times

Os ministros do governo da República Dominicana se reuniram na sexta-feira (15) em Santo Domingo para coordenar estratégias a fim de enfrentar a grave seca que afeta o país.

Durante uma coletiva de imprensa no Palácio Nacional, os ministros asseguraram que a água potável “está garantida”, mas anunciou que os agricultores não poderão plantar novas culturas até que as reservas de água sejam recuperadas.

Segundo as autoridades, o país tem apenas cerca de 570 milhões de metros cúbicos de água em seus reservatórios.

O diretor do Instituto Nacional de Recursos Hídricos, Olgo Fernández, informou que das 34 represas nacionais, apenas duas estão operando regularmente devido ao fato de que a seca continua piorando na linha noroeste.

No entanto, ele enfatizou que há água potável suficiente para a população.

De acordo com o que foi anunciado durante uma reunião realizada na semana passada entre o presidente Danilo Medina e os responsáveis por instituições relacionadas a recursos hídricos e meteorologia: “Haverá água disponível para a população, tanto para aquedutos quanto para os aquíferos quanto para os canais de irrigação, mas é importante que os cidadãos tomem conhecimento de que, durante os meses de março e abril, a seca será acentuada; portanto devem fazer um uso racional desse elemento”, de acordo com Tamborilnews.

A situação continuará por 60 dias como consequência do fenômeno natural do El Niño que afeta a região.

De acordo com o escritório nacional de meteorologia, as chuvas estão 52% mais baixas este ano do que nos últimos 30.

Enquanto isso, os agricultores do país estão lutando para sobreviver.

Embora o governo tenha tentado transmitir calma à nação dizendo que a água para consumo humano está garantida, o cenário parece incerto para os agricultores.

Na província de Santiago Rodríguez, na região noroeste do país, o gado está morrendo de sede.

Seca na República Dominicana (Arquivo/EFE)
Seca na República Dominicana (Arquivo/EFE)

O governo previu que as condições de seca irão melhorar até maio, mas alguns agricultores não sabem se serão capazes de aguentar até lá.

Carlos Marino Almonte, presidente da associação de criadores de gado locais, disse à Reuters que não chove há oito meses.

Na semana passada, o governo revelou que 1.090 cabeças de gado morreram no noroeste do país, região que junto com o sudoeste são as mais afetadas pela seca.

No entanto, as associações de criadores dizem que mais de 7.000 cabeças de gado morreram.

O governo prometeu compensar através de um fundo milionário que também será usado para ajudar os agricultores nessas regiões, disse o assessor científico do Poder Executivo, Osiris de León.

Santo Domingo lançou um pacote de assistência financeira para o setor agrícola em regiões devastadas pela seca que permitirá aos agricultores receber alguma compensação pela perda de gado e outros produtos.

Além disso, segundo o governo, bombas com capacidade de 12 polegadas de bombeamento de água estão sendo instaladas em diferentes comunidades e alimentos estão sendo distribuídos, entre outras medidas.

Também foi tomada a medida de distribuir massivamente a água para consumo humano e animal no Noroeste e La Sierra, áreas mais afetadas.

Problema estrutural ou conjuntural?

Enquanto isso, o professor universitário e um dos mais ativos ambientalistas locais, Luis Carvajal, considerou que o grande problema da República Dominicana não é a seca em si, mas a “vulnerabilidade” das estruturas ambientais que, segundo ele, são violadas pelas próprias autoridades.

Em sua opinião, um dos maiores problemas do setor é a destruição da vegetação de alta montanha que ocorre com indiferença e, às vezes, com a cumplicidade do próprio governo.

“Aqui o Ministério do Meio Ambiente permite a extração irregular de materiais, permite derrubar árvores em locais protegidos por lei (…) se quando chove nossas florestas não conseguem reter a água, não podemos proteger os aquíferos e aí está parte do problema”, disse Carvajal à Agência EFE.

Ele também se queixou da exploração mineira no país e que a qual se prevê que irá se expandir.

Carvajal acredita que os planos de contingência anunciados pelo governo não correspondem a uma política de ordenamento territorial efetiva, e denunciou que em lugares protegidos como o Bahoruco (sudoeste), “um pequeno grupo” “sequestrou” a água que deveria chegar para milhares de famílias da região.

“Se não pararmos a extração de agregados, se a demanda por água não for regulada, se continuar permitindo a formação indiscriminada de poços subterrâneos, que causam a salinização da água, não teremos como combater a seca”, acrescentou o especialista.

Ele assegurou, além disso, que as autoridades fizeram planos de reflorestamento, mas sem levar em conta como fazê-lo corretamente, e além disso o Ministério do Meio Ambiente concede licenças para cultivo em áreas protegidas.

“Vimos as autoridades do Meio Ambiente justificando o plantio de produtos nas próprias montanhas, sob o argumento de que não se pode destruir a comida, isso não é possível”, reclamou Carvajal.

Ele disse que, em vez de construir represas, o que precisa ser feito é garantir que os ecossistemas não percam a capacidade de captação de água.

Há quatro anos, o país enfrentou um período de seca semelhante que causou perdas milionárias na pecuária e na agricultura.

Com informações das agências Reuters e EFE

 
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