Representante de órgão consultivo da UE condena interferência de Pequim nos teatros europeus

Representante de órgão consultivo da UE condena interferência de Pequim nos teatros europeus

Shen Yun Performing Arts no palco do Teatro Verdi, em Florença, Itália, em 19 de abril de 2018. Shen Yun é o alvo das tentativas de Pequim de convencer os teatros europeus a não receber a companhia (Gabriele Bruno/Epoch Times)

2018/11/06

Por Annie Wu, Epoch Times

Um membro do órgão consultivo empresarial da União Europeia condenou as recentes tentativas do regime chinês de influenciar os teatros europeus.

Nos últimos meses e anos, os principais teatros de toda a Europa receberam cartas ou visitas pessoais de diplomatas chineses que exigiam não apresentar um espetáculo tradicional chinês em particular, caso contrário, as relações com a China estariam em jogo — assim dizia a mensagem no geral.

O objetivo do regime chinês era o Shen Yun, uma companhia de artes cênicas sediada nos Estados Unidos e fundada por artistas chineses no exílio.

Os meios de comunicação europeus revelaram várias vezes as situações em que os consulados chineses e seus agentes em todo o mundo pressionaram os teatros a não alugar seu espaço para o Shen Yun, ou tentaram coagir os funcionários do governo a não comparecer às apresentações nem prestar seu apoio à companhia de dança.

Que a China “interfira em nossa vida cultural não é aceitável”, disse Henri Malosse, representante francês perante o Comitê Econômico e Social Europeu, um órgão consultivo da União Europeia (UE) que lida com empresas, sindicatos e outros grupos de interesse econômico. Malosse foi presidente do comitê entre 2013 e 2015.

“Onde está a liberdade de expressão e de cultura na Europa?”, disse Malosse em uma recente entrevista à rede de televisão irmã do Epoch Times, a NTD. Ele lamentou que os países europeus se submetam cada vez mais à “atitude hegemônica chinesa”.

O francês Henri Malosse, ex-presidente do Comitê Econômico e Social Europeu, órgão consultivo da União Europeia com sede em Bruxelas, fala com um correspondente da Agência France Press (AFP) em Moscou em 26 de julho de 2013 (Kirill Kudryavtsev/AFP/Getty Images)
O francês Henri Malosse, ex-presidente do Comitê Econômico e Social Europeu, órgão consultivo da União Europeia com sede em Bruxelas, fala com um correspondente da Agência France Press (AFP) em Moscou em 26 de julho de 2013 (Kirill Kudryavtsev/AFP/Getty Images)

Por que a China ataca um espetáculo cultural? De acordo com o site do Shen Yun, o objetivo da empresa é reviver 5.000 anos da civilização chinesa através da música e da dança. Este é um feito impossível na China Continental, onde a ideologia ateísta do Partido Comunista destruiu elementos da história e da cultura chinesas desde que assumiu o poder.

Algumas das danças do Shen Yun também tratam de temas contemporâneos sensíveis que Pequim considera tabu, como a perseguição contra a disciplina espiritual do Falun Dafa.

Malosse comparou as tentativas de Pequim de censurar o Shen Yun na Europa com a era da Alemanha nazista, quando os espetáculos de alemães de origem judaica foram proibidos.

“Não podemos aceitar essa interferência e me recuso a permitir que o regime chinês continue com essa atitude fascista e antidemocrática”, disse ele.

Malosse acredita que as tentativas da China de prejudicar o Shen Yun são uma extensão do seu comportamento agressivo em todo o mundo, seja no comércio ou na diplomacia — incluindo o uso da influência financeira chinesa, como por exemplo através da iniciativa Um Cinturão, Um Caminho — com o objetivo de pressionar os países envolvidos a se colocarem do lado dos planos de Pequim.

O representante francês argumentou que havia assistido a um show do Shen Yun alguns anos atrás em Paris e que tinha uma boa opinião sobre sua apresentação “encantadora — não falsa, não superficial” da cultura tradicional chinesa.

“Shen Yun é o melhor embaixador da verdadeira China”, acrescentou. “Ele investiga em profundidade as tradições e a longa e rica história da China.”

Colaborou: Lixin Yang, da NTD