Representante comercial dos EUA considera investigar práticas trabalhistas da China e aplicar sanções

Concentrar-se nas práticas trabalhistas chinesas é semelhante ao recente acordo comercial dos EUA com o Canadá e o México, chamado simplesmente de AMEC

Por Annie Wu, Epoch Times

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) está considerando lançar uma nova investigação sobre as práticas trabalhistas na China como forma de sancionar o regime chinês quanto às suas práticas comerciais, de acordo com um relatório datado de 8 de novembro do Inside U.S. Trade, um serviço de notícias online que cobre o setor de comércio.

O USTR usou anteriormente o estatuto da Seção 301 para investigar as práticas de roubo de propriedade intelectual da China, o que levou a administração Trump a impor tarifas punitivas sobre um total de 250 bilhões de dólares em importações chinesas no início deste ano.

Agora, o USTR, liderado por Robert Lighthizer, está considerando iniciar uma investigação através da Seção 301 sobre práticas trabalhistas chinesas.

“Você verá Bob Lighthizer, que é um político muito habilidoso, procurando por coisas progressistas que ele possa fazer para obter apoio no comércio agora que a Câmara mudou”, disse uma fonte do setor privado à Inside U.S. Trade, referindo-se aos resultados das eleições intercalares, em que os democratas conquistaram a maioria das cadeiras na Câmara dos Deputados.

O escritório do USTR não respondeu a um pedido de comentários dentro do prazo de publicação desta matéria.

Em 2004 e 2006, a Federação Americana do Trabalho e o Congresso das Organizações Industriais (AFL-CIO, nas siglas em inglês), o maior consórcio de sindicatos do país, apresentaram petições à Seção 301 solicitando que o escritório do USTR investigue se a China obteve vantagens comerciais injustas violando os direitos dos trabalhadores. Mas o escritório do USTR negou os pedidos.

Concentrar-se nas práticas trabalhistas chinesas é semelhante ao recente acordo comercial dos Estados Unidos com o Canadá e o México, chamado simplesmente de Acordo México-EUA-Canadá, ou AMEC.

O acordo exige que 40% da mão-de-obra empregada na fabricação de um veículo qualificado para a importação livre de impostos seja feita por trabalhadores que ganham um mínimo de 16 dólares por hora.

O acordo é visto como uma nova tática da administração dos Estados Unidos para combater as práticas comerciais injustas da China, uma vez que a AMEC também especifica que se um dos atuais parceiros do NAFTA entrar em um acordo de livre comércio com um país “fora do grupo” como a China, os outros dois podem renunciar em seis meses e formar seu próprio pacto comercial bilateral entre eles.

Em uma entrevista à Reuters, Derek Scissors, um estudioso chinês do American Enterprise Institute, em Washington, disse que a disposição deu ao governo Trump um veto efetivo sobre qualquer acordo comercial com a China feito pelo Canadá ou pelo México.

Além disso, se repetido em outras negociações dos Estados Unidos com a União Europeia e o Japão, isso pode isolar Pequim do sistema de comércio mundial.

 
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