Relatório: três em quarto terroristas condenados nos EUA são nascidos no estrangeiro

Um novo relatório conjunto do Departamento de Justiça (DOJ) e do Departamento de Segurança Interna (DHS) revelou que 549 indivíduos foram condenados por acusações relacionadas ao terrorismo internacional nos tribunais federais dos Estados Unidos entre o incidente de 11 de setembro de 2001 e o final de 2016.

A maioria dos indivíduos (73%) nasceu no estrangeiro. Dos 549 condenados, 254 não eram cidadãos dos EUA, 148 eram nascidos no estrangeiro e posteriormente receberam a cidadania dos EUA e 147 eram cidadãos americanos de nascimento.

Um alto funcionário da administração disse que o relatório ressalta a necessidade de acabar com a imigração em cadeia e a loteria de vistos de diversidade (green card), e estabelecer um sistema de imigração baseado no mérito.

“O foco do nosso sistema de imigração é promover a assimilação, esse deveria ser o nosso ideal”, disse o funcionário num comunicado de imprensa em 16 de janeiro. “[E] não trazer indivíduos os quais eles mesmos ou seus filhos acabarão usando armas contra os Estados Unidos. Esse é um padrão inaceitável.”

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Mahmoud Amin Mohamed Elhassan, um nacional do Sudão, foi admitido nos Estados Unidos em 2012 como membro da família de um residente permanente legal do Sudão, de acordo com o relatório. Em 2016, ele se declarou culpado de tentar fornecer apoio material ao grupo terrorista do Estado Islâmico e foi posteriormente condenado a 11 anos de prisão.

Abdurasaul Hasanovich Juraboev, um nacional do Uzbequistão, foi admitido nos Estados Unidos como um destinatário da loteria de vistos de diversidade em 2011, de acordo com o relatório. Em 2015, ele se declarou culpado de conspirar para apoiar o Estado Islâmico, e em 2017 foi condenado a 15 anos de prisão. De acordo com documentos judiciais, Juraboev postou uma ameaça num website de língua uzbeque para matar o então presidente Barack Obama num ato de martírio em nome do Estado Islâmico.

“Ele acrescentou que, se ele não pudesse viajar, ele se engajaria num ato de martírio em solo americano, se o Estado Islâmico o ordenasse a cometer tal ato, como matar o presidente ou colocar uma bomba em Coney Island”, disse o relatório.

A loteria de vistos de diversidade é baseada em “pura sorte”, disse o funcionário. “Isso não é um bom indicador de capacidade para prosperar e ter sucesso nos Estados Unidos.”

Pelos últimos cinco anos, a cada ano a loteria concede 50 mil cartões verdes (green cards) aos nacionais de países com baixa taxa de imigração para os Estados Unidos.

A migração em cadeia ou de relação familiar ocorre quando uma pessoa emigra para os Estados Unidos e, por sua vez, patrocina outros parentes para se juntarem a ele ou ela. Esses parentes, por sua vez, podem patrocinar outras pessoas, e assim por diante, indefinidamente.

Cerca de 72% dos 1 milhão de pessoas que obtiveram cartões verdes em 2015 entrarão nos EUA em função de suas conexões familiares, de acordo com Francis Cissna, diretor do Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS, na sigla em inglês).

EUA, terrorismo, imigração - Francis Cissna, diretor do Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA, durante uma conferência de imprensa na Casa Branca, em Washington, D.C., em 12 de dezembro de 2017 (Samira Bouaou/The Epoch Times)
Francis Cissna, diretor do Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA, durante uma conferência de imprensa na Casa Branca, em Washington, D.C., em 12 de dezembro de 2017 (Samira Bouaou/The Epoch Times)

Quando questionado sobre o motivo por que o relatório inclui uma série de indivíduos que planejaram ataques no exterior, o funcionário disse que a localização de uma trama é irrelevante.

“Nós não queremos ser um abrigo seguro para terroristas. Então, se alguém está planejando um ataque na Síria e morando em Minnesota, isso não é algo que esteja no melhor interesse dessa nação”, disse ele.

“O problema é que estamos admitindo indivíduos que, após a admissão nos Estados Unidos, estão planejando ataques, seja internamente ou indo lutar e se juntar ao Estado Islâmico no exterior, e isso não atende o interesse de ninguém, exceto dos terroristas e das organizações terroristas. E isso é algo que estamos empenhados em acabar.”

O relatório não incluiu informações sobre o momento da radicalização de cada indivíduo.

O funcionário disse que os países de origem de muitos dos terroristas são uma surpresa, referindo-se ao Iêmen, à Somália, à Síria, ao Sudão e ao Iraque, todos os quais têm sofrido com o terrorismo.

A proibição emitida em 24 de setembro pelo presidente norte-americano Donald Trump sobre viagens para certos destinos inclui limites para oito países, quase todos os cidadãos do Chade, Irã, Líbia, Coreia do Norte, Síria, Somália e Iêmen foram proibidos indefinidamente de entrar nos Estados Unidos a partir de 18 de outubro de 2017. Alguns cidadãos venezuelanos estão restritos, e os cidadãos do Iraque não estão sujeitos a restrições, mas agora enfrentam um maior escrutínio.

No ano fiscal de 2017, o Departamento de Segurança Interna (DHS) descobriu 2.554 indivíduos que estão na lista de vigilância terrorista (também conhecida como a “Base de Dados de Triagem Terrorista” do FBI) tentando entrar nos Estados Unidos; 2170 por via aérea, 335 por terra e 49 pelo mar.

Além disso, a Alfândega e a Proteção das Fronteiras dos EUA impediu mais de 73 mil viajantes estrangeiros em voos destinados aos Estados Unidos, que poderiam ter apresentado um risco de imigração ou segurança entre o ano fiscal de 2010 e 2016.

O USCIS encaminhou cerca de 46 mil titulares de visto para o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) na última década, com base em informações que eles cometeram infracções flagrantes de segurança pública nos EUA, incluindo assassinatos, estupro, tráfico de armas de fogo e pornografia infantil.

“Estes são indivíduos que andaram pelas ruas dos Estados Unidos, que foram condenados ou cometeram infracções flagrantes de segurança pública e, no entanto, tiveram a ousadia de solicitar um benefício de imigração”, disse o funcionário da administração. “Esse é um grande número de estrangeiros, e, francamente, em nossa opinião, é realmente apenas a ponta do iceberg.”

Violência contra as mulheres

Todos os anos, nos Estados Unidos, estima-se que 23 a 27 mulheres sejam assassinadas nos chamados “homicídios de honra”, de acordo com um estudo prévio do Departamento de Justiça. Quase todas foram mortas por serem “muito ocidentalizadas”, com base em fontes públicas da mídia.

Além disso, 513 mil mulheres e meninas estavam em risco de mutilação genital feminina (MGF) em 2012, de acordo com estimativas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Isso é três vezes maior do que a estimativa de 1990, e o estudo observou que o aumento “foi totalmente resultado do rápido crescimento do número de imigrantes dos países que praticam a MGF/C e agora vivem nos Estados Unidos”.

O relatório foi encomendado pelo presidente Trump como parte de sua ordem executiva “Protegendo a Nação da Entrada de Terroristas Estrangeiros nos Estados Unidos”, divulgada em março de 2017. A ordem solicitou o relatório no prazo de 180 dias, o que teria sido em 2 de setembro de 2017. No entanto, o funcionário disse que o relatório foi atrasado devido à quantidade de informações necessárias para compô-lo. O próximo relatório está programado para 15 de julho.

Esta matéria não inclui incidentes de terrorismo doméstico.

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