Regime chinês proíbe homenagens à dissidente executada Lin Zhao

A dissidente intelectual Lin Zhao (1932–1968) foi executada após ser sentenciada a 20 de prisão por “atividades contrarrevolucionárias”. A polícia tentou prevenir que chineses se reunissem para o 45º aniversário de sua morte em seu túmulo na província de Jiangsu em 29 de abril de 2013 (Che Xindong/Wikimedia)

Visitantes do túmulo de Lin Zhao, uma poetisa dissidente pouco conhecida que foi executada durante a Revolução Cultural, foram recebidos este ano pela presença de um forte esquema de segurança no 45º aniversário de sua morte em 29 de abril.

A polícia repeliu alguns visitantes, permitiu que alguns ficassem e queimassem incenso, mas lhes ordenou que não dissessem nada, e colocou pelo menos uma dúzia de dissidentes em prisão domiciliar, informou a Rádio Free Asia.

Um visitante estimou que houvesse 200 agentes de segurança, enquanto os pranteadores eram apenas cerca de 120. Chen Zuoliang disse ao jornal Diário da Manhã do Sul da China que visitou o túmulo duas vezes antes. “No ano passado, havia dois ou três policiais lá. Este ano, eles estavam por toda parte”, disse ele.

Lin Zhao foi oficialmente reabilitada em 1981, seu nome não está banido e publicar elogios é permitido, mas a nova liderança do Partido Comunista Chinês (PCC) parece silenciar referências a seu passado sangrento.

Da mesma forma, há duas semanas, no 24º aniversário da morte de Hu Yaobang, pesquisas no Sina Weibo, o serviço mais popular da internet chinesa, foram bloqueadas. Hu Yaobang morreu dois anos após ser removido do PCC por ser muito liberal, o que provocou luto público e protestos pró-democracia que resultaram no massacre de 4 de junho na Praça da Paz Celestial.

A história de Lin Zhao

Até poucos anos atrás, a própria existência de Lin Zhao fora esquecida por todos, exceto por alguns amigos que sobreviveram à Revolução Cultural. Mas quando o cineasta Hu Jie produziu um documentário sobre sua vida, prisão e morte, sua comovente história se tornou conhecida pelos dissidentes da China e visitantes de outras províncias começaram a visitar sua sepultura em Jiangsu.

Depois de frequentar uma escola missionária cristã, ela estudou jornalismo na Universidade de Pequim e lá se tornou uma fervorosa comunista e seguidora de Mao Tsé-tung. Ativa na Revolução Cultural a ponto de participar em execuções, ela defendeu as liberdades políticas durante a curta campanha das Cem Flores de Mao que brevissimamente incentivou a discussão política. Juntamente com outros intelectuais, ela foi então presa por suas “atividades contrarrevolucionárias” e enviada para a prisão por 20 anos.

Ela dedicou sua vida na prisão a escrever poemas, artigos e cartas, muitas vezes criticando o PCC e a traição de Mao. Escrevendo sobre as declarações de arrependimento e retratação que a prisão tentou forçá-la a assinar, ela usou seu próprio sangue como tinta para negar.

A prisão preservou seus trabalhos para usá-los como prova contra ela. Os documentos, veementemente criticados por Mao, pronunciavam sua devoção e restituição dos votos cristãos e denunciavam o PCC por enganar tragicamente uma geração de jovens idealistas. Décadas mais tarde, estas páginas chegaram a Hu Jie, a seu documentário e à atenção do mundo.

Yang Ning, um comentarista de assuntos político baseado nos Estados Unidos, escreveu num artigo, “Por que o PCC aparentemente poderoso tem medo de pessoas homenagearem uma mulher que faleceu há 45 anos?”

Respondendo à própria pergunta, Yang Ning se referiu às palavras do internauta ‘Xiao Biao’, “Ela é um símbolo espiritual para todos nós; que se manteve firme em suas crenças e sacrificou sua vida em busca da democracia.”

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