Regime chinês obriga lojistas muçulmanos a vender cigarros e álcool

Em razão das suas potencialidades abusivas e prejudiciais, governos no mundo inteiro normalmente restringem a venda de álcool e cigarros. Entretanto, o Partido Comunista Chinês quer que lojistas na província de Xinxiang, a mais ocidental na China, vendam estes produtos deliberadamente para minar a fé do povo Uigur, uma população que fala turco e que pratica o Islamismo.

Autoridades do Partido em Laskuy, uma municipalidade da Cidade de Hotan, anunciou no dia 29 de abril que todos os restaurantes e supermercados deveriam vender “cinco marcas diferentes de álcool e cigarros” e que era necessário colocá-los em uma “disposição de destaque” antes do dia 1 de maio, segundo a Emissora de Rádio Free Asia (RFA). Os vendedores que falharem em cumprir a ordem terão a suas lojas fechadas e enfrentarão consequências legais.

As autoridades de Xinjiang consideram que os Uigures Muçulmanos que não fumam estão praticando “uma forma de extremismo religioso”,  afirmou o secretário do comitê do Partido na aldeia de Aktash Adil Sulayman (incidentalmente, um nome Uigur) à RFA.

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O decreto, que veio dos “escalões mais altos” do Partido Comunista, faz parte de uma “campanha para enfraquecer a religião” em Xinjiang, diz Sulayman.

Os residentes da municipalidade Laskuy ainda não reagiram contra o mandato. Não existem relatos de protestos, e cerca de 60 lojas e restaurantes seguiram a ordem. Apenas duas expressaram desacordo, segundo Sulayman.

No entanto, isto não significa que os residentes de Laskuy concordem necessariamente com a venda destes produtos, que são considerados taboo no Islã: o álcool é expressamente proibido no Corão, e o consumo de cigarros é considerado autodestrutivo e algo de que se deve abster.

“As pessoas irão obedecer para evitar castigo, mas não o farão de livre vontade”, disse em entrevista telefônica Ilshat Hassan, vice presidente da Associação Americana Uigur, uma organização sem fins lucrativos sediada em Washington. “Como podem as autoridades forçar as pessoas a vender aquilo que elas não querem vender?”

Para evitar “trair a própria consciência”, os residentes de Laskuy irão manter estes produtos fora da vista e só os colocarão nos exposição quando as autoridades começarem as suas rondas de inspeção, disse Hassan.

Ele apelidou o mandato de “altamente ridículo e absurdo”, e disse que vai contra a tendência internacional de dificultar a venda de tabaco e álcool.

“Nenhum governo força a sua população a vender substâncias que prejudicam a si mesmos e aos outros.”

O regime chinês iniciou uma campanha com nome “golpe duro” em abril de 2014, que supostamente tem como objetivo reprimir o terrorismo na região. Os comentadores creem que esta campanha do Partido Comunista é um pretexto para reprimir a etnia Uigur e o Islamismo.

Uma série de outras aparentemente bizarras formas de repressão religiosa também têm sido reportadas em Xinjiang. Incluindo membros do Partido Comunista que organizam banquetes e convidam os muçulmanos locais, tentando fazer com que eles quebrem o jejum durante o Ramadão, um festival religioso. Os homens também foram penalizados por deixar crescer a barba, e as mulheres, por vestirem as suas túnicas muçulmanas tradicionais.

 
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