Regime chinês nega discriminação a africanos no combate à pandemia de Covid-19

Por EFE

Pequim, 13 abr – Os embaixadores africanos na China enviaram um protesto formal ao governo de Pequim em meio à suposta discriminação contra cidadãos de países da África durante a pandemia de Covid-19, acusação que o Ministério das Relações Exteriores chinês negou nesta segunda-feira.

“Todos os estrangeiros são tratados igualmente. Rechaçamos o tratamento discriminatório, temos tolerância zero com a discriminação. (Nossos) amigos africanos podem contar com uma recepção justa, amistosa e cordial na China”, disse o porta-voz do ministério chinês, Zhao Lijian, em entrevista coletiva.

O porta-voz respondeu a uma carta enviada na sexta-feira passada pelos embaixadores africanos a vários funcionários do governo chinês – incluindo o ministro das Relações Exteriores, Wang Li – e ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.

Na carta, reproduzida pelo jornal nigeriano “Independent”, os diplomatas falam de “discriminação e estigmatização” contra os africanos na China, especialmente na província de Guangdong, no sudeste do país.

Os últimos dias contaram com muitas notícias sobre africanos supostamente expulsos de hotéis sem outros motivos além da nacionalidade, submetidos a testes obrigatórios de coronavírus, apesar de não terem viajado nos últimos meses – enquanto outros estrangeiros não africanos não teriam sido testados – e despejos forçados de famílias.

Os embaixadores africanos também repercutiram as supostas quarentenas forçadas de africanos apesar de terem apresentado resultados negativos no teste de coronavírus, ameaças de cancelamento de vistos e deportação, apesar de possuírem documentos válidos ,e passaportes confiscados.

“Selecionar apenas africanos para testes obrigatórios e quarentena, na nossa opinião, não tem qualquer base científica ou lógica e equivale a racismo contra os africanos na China”, denuncia a carta.

Das acusações descritas, “cria-se a impressão de que a propagação do vírus é causada por africanos, o que vai contra o fato de, tanto na China como em nível mundial, os africanos serem os menos expostos à Covid-19”, dizem os embaixadores.

“Há alguma outra razão além da Covid-19 para que os africanos estejam visados e não sabemos?”, diz o documento, alertando para a possível “reação negativa” que esta “evidente violação dos direitos humanos” pode causar nos países africanos.

Através do Departamento de Relações Internacionais e Cooperação, o país que atualmente ocupa a presidência da União Africana (UA), África do Sul, se juntou aos protestos, pedindo a Pequim que investigue o que aconteceu, pois considera “contraditório” com as “excelentes relações” entre China e África.

Neste fim de semana, o presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mahamat, se encontrou com o emissário chinês na entidade, na qual manifestou “extrema preocupação” e exigiu “medidas imediatas de reparação”.

Os ministros das Relações Exteriores de Uganda e Gana também convocaram os embaixadores chineses nos respectivos países para protestar contra o suposto tratamento discriminatório.

 
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