Recursos naturais para ter uma farmácia em casa – Parte 2

No artigo anterior, mostramos algumas ervas e substâncias naturais com boas propriedades terapêuticas e de fácil aquisição e uso.

Agora vamos apresentar mais algumas, que igualmente são fáceis de serem obtidas e utilizadas e têm boas propriedades terapêuticas. Lembramos que, mesmo sendo dicas e informações valiosas, não podem substituir as orientações de profissionais experientes, como médicos, naturopatas, terapeutas naturalistas, naturólogos e outros.

 

Batata – A simples e deliciosa batata! Apesar de tudo, tem propriedades terapêuticas que poucos conhecem. Antes de tudo, devem ser evitadas as que tiverem brotos (‘olhos’) ou coloração esverdeada. Fora isso, prefiram-nas mais naturais possíveis (orgânicas). Se possível, deveriam ser comidas cozidas, com casca, depois de bem lavadas. As batatas cozidas diminuem a acidez gástrica, melhorando alguns tipos de azia e queimação gástrica. A batata tem um tipo de amido que pode ser utilizado para o tratamento de gastrites e úlceras gástricas e intestinais. Neste sentido, basta centrifugar ou liquidificar algumas batatas cruas e tomar aos goles, em jejum, durante vários dias, até que haja melhora efetiva. Existem muitos casos relatados durante a Segunda Guerra, nos quais soldados que tinham severos distúrbios gástricos (úlceras, gastrites) ficaram curados, porque só tinham batatas cruas para comerem, enquanto andavam pelos campos da Europa. Compressas de batata crua, cortada bem fina, ajudam a melhorar alguns tipos de dores de cabeça e enxaquecas. Ao cozinhar batatas, lembre-se de que a água restante do cozimento pode ser usada fresca para compressas em queimaduras, furúnculos e gretas nos mamilos (pequenas rachaduras)

Batatas (Ticiane Rossi/Epoch Times)
Batatas (Ticiane Rossi/Epoch Times)

 

Inhame ou taro (Colocasia esculenta) – Antes de tudo é preciso saber que no sudeste do Brasil chama-se vulgarmente de inhame ou de inhame-japonês mas é oficialmente chamado pelos pesquisadores de taro. Por isso, mesmo estando acostumados a chamá-lo de inhame, utilizaremos aqui o seu nome oficial – colocamos seu nome científico e a foto para sabermos identificá-lo.

O taro é uma planta desintoxicante e depurativa por excelência: elimina toxinas do sangue, incrementa o sistema imunológico, combate infecções persistentes, inflamações e até alguns tipos de tumores. Tem grande atuação no sistema linfático. Por isso, é útil em todas as doenças internas que se manifestam com sinais na pele – acnes, eczemas, furúnculos, abcessos -, mal cheiro, coceiras, corrimentos, infecções persistentes ou recorrentes. É bastante indicado para o tratamento de ácido úrico, reumatismo, artrite e até a hanseníase. Antigamente era utilizado para o tratamento da sífilis, tamanho é o seu poder depurativo e anti-infeccioso. Combate a febre e as inflamações: interna e externamente desinflama tecidos, órgãos e articulações e, por isso, serve também para ser aplicado sobre contusões e ferimentos. Descobriu-se algo notável: seu uso frequente impede que vários tipos de microrganismos patológicos se alojem no organismo; assim, infestações por parasitas e várias doenças infecciosas transmitidas por mosquitos são evitadas com o uso do taro: dengue, febre amarela, malária. Para todos estes fins pode-se comer o taro cozido (com azeite e sal marinho é uma delícia), no vapor, na forma de purês, ou mesmo cru (ralado e temperado ao gosto, batido com sucos). Mas, cru nem sempre é agradável, porque às vezes é picante ao paladar; por isso, em geral, é mais agradável cozido. Uma outra propriedade sui-generis é a de atrair substâncias nocivas ou estranhas para fora da pele: uma farpa, um espinho ou outra coisa que penetrou na pele; furúnculos, acnes, quistos sebáceos; pus ou toxinas que extravasam em ferimentos ou abcessos.  Nestes casos, basta descascar, ralar bem fino, amassar com um pilãozinho e colocá-lo sobre o local na forma de compressa. Cubra a compressa e deixe-a durante a noite. Faça isso por alguns dias, trocando a compressa a cada dia, até drenar ou resolver o processo. Além de tudo isso, o taro é altamente nutritivo e não engorda.

Taro (Wikimedia Commons)
Taro (Wikimedia Commons)

 

Iogurte – Algumas pessoas não entendem porque se sentem mal quando tomam leite. Existem vários motivos para isso. Hoje, o motivo mais difundido é a intolerância à lactose, apresentada por algumas pessoas, e isto em parte é verdade. Porém, a questão é mais complexa, e ainda que não pretendamos discuti-la aqui, podemos dizer que, em termos gerais, o leite de vaca apresenta composições proteicas, minerais diferentes do leite materno humano, e como somos seres humanos, temos afinidades e facilidades na digestão e na absorção do leite humano, e dificuldades e até incompatibilidades para a digestão e a absorção do leite de vaca. Porém, em muitas culturas por todo o mundo as pessoas aprenderam a extrair o melhor do leite dos animais, sem terem os incovenientes que o acompanham. Diversos povos descobriram que depois de um processo de fermentação específica do leite animal, este se tornava altamente benéfico para a saúde humana e era ainda mais assimilável pelo organismo. De fato, o uso do iogurte apresenta muitas vantagens sobre o do leite animal: não irrita o estômago, não produz gases e nem provoca diarreia; desinflama os intestinos, combate a prisão de ventre e algumas doenças intestinais; repovoa o intestino com bactérias saudáveis e com isso combate algumas bactérias patogênicas e as diarreias; permite uma grande absorção de cálcio, vitaminas e outros minerais; recalcifica o organismo, geralmente sem gerar acúmulos de cálcio nas articulações. O leite, por sua vez, irrita o estômago e os intestinos; fermenta no sistema digestivo, produzindo gases e acidez gástrica; acidifica o sangue, podendo ocasionar doenças inflamatórias crônicas; desequilibra os níveis e os depósitos de cálcio no organismo, gerando esporões, bicos-de-papagaio. Assim, o iogurte torna-se um excelente alimento, não apresentando os inconvenientes do leite. Por exemplo: praticamente toda vez que as pessoas fazem uso de antibióticos sintéticos, a flora bacteriana (bactérias saudáveis que vivem em nosso intestino) é destruída. O uso diário de iogurte, durante e depois do tratamento com antibióticos, refaz a flora bacteriana, restaurando os intestinos e a sua capacidade funcional.

O iogurte pode ser feito de algumas maneiras. A mais simples delas é comprar um copo de iogurte natural (sem açúcar e sem sabor) e dois litros de leite. Ferva o leite por 1 minuto. Desligue e deixe amornar, até o ponto em que se consiga deixar um dedo dentro do leite sem queimar. Então, coloque duas ou três colheres de sopa cheias de iogurte dentro do leite e mexa suavemente. Guarde numa tigela de vidro, de louça ou de aço-inox, bem tampado e coberto com um pano bem grosso ou alguns panos finos. Deixe fora da geladeira, num lugar onde não haja vento ou friagem (no forno, numa prateleira) por cerca de 24 horas. Se ele já estiver consistente, guarde na geladeira: já está pronto para comer. Ele dura facilmente duas semanas na geladeira. Melhor somente tomá-lo ao natural, ou adicionar um pouco de mel ou suco de frutas natural. Evite o açúcar porque este acidifica o organismo. Também pode-se tomá-lo com frutas, ou com um pouco de sal marinho e azeite como tempero nas saladas, é muito saboroso e refrescante.

Quanto aos iogurtes industrializados, dê preferência aos totalmente naturais, porque os demais contêm corantes, conservantes ou aromatizantes que fazem mal para o organismo e danificam as melhores propriedades do iogurte.

Iogurte (Ticiane Rossi/The Epoch Times)
Iogurte (Ticiane Rossi/The Epoch Times)

 

Arroz integral O arroz integral é o verdadeiro e benéfico arroz para o consumo humano. O arroz branco (polido ou descascado) é basicamente o arroz integral descascado e parafinado. O problema é que quando do arroz integral (natural) tira-se a sua película interna (abaixo da casca de palha do grão) e o seu gérmen, tiram-se junto algumas proteínas, vitaminas essenciais e fibras que o tornavam saudável e assimilável pelo organismo. Em meados de 1880, depois da introdução das máquinas de polir arroz na Ásia, verificaram-se milhões de mortes. O povo asiático tinha uma alimentação baseada no arroz integral, mas com a introdução das máquinas, uma grande parte da população passou a comer arroz branco. Houve uma imensa epidemia de beriberi, uma doença ocasionada pela deficiência de vitamina B1, que afeta músculos, nervos, coração, encéfalo, podendo causar a morte. Depois de muitos anos e milhões de mortes, descobriu-se que ao polir o arroz retirava-se a sua parte mais essencial (que contém a vitamina B1, entre outras), sem a qual as pessoas adoeciam gravemente. Hoje, sabe-se que depois do polimento o arroz perde-se de 50 a 90 % de suas vitaminas e sais minerais. Não só o arroz branco, mas todos os alimentos refinados (feitos com farinha refinada, açúcar refinado e sal refinado) perdem muitas de suas qualidades nutricionais e são muito prejudiciais à saúde. Por outro lado, o arroz integral é um excelente alimento: melhora a força muscular e a saúde dos nervos; regula as funções do pâncreas, melhorando o metabolismo dos carboidratos e os níveis de glicose no sangue e até mesmo combate a obesidade; limpa e regula os intestinos; é um excelente alimento para convalescentes, idosos e crianças desnutridas.

O maior problema é que as pessoas não sabem como cozinhar o arroz integral, e, por isso, o evitam, dizendo que é duro ou desagradável. Um outro inconveniente é que é mais caro que o branco. O arroz integral que em geral se vende nos supermercados, não é o mais indicado, já que é realmente mais caro e nem sempre é genuinamente integral. Comprar em lojas orientais (em São Paulo é fácil encontrar na Praça da Liberdade), em lojas e entrepostos naturalistas, no Mercado Central (no Centro de São Paulo) normalmente é mais viável. O tipo mais recomendável, em geral, é o tipo ‘cateto’. Então, um método simples de cozinhar é: colocar 2 copos e 1/3 de água para cada medida de arroz. Lave o arroz, refogue o seu tempero na panela de pressão, coloque o arroz, a água e junte sal marinho a gosto. Deixe cozinhar (depois que a panela pegar pressão) por cerca de 20 a 25 minutos (para uma medida de 2 copos grandes de arroz). Desligue e deixe mais uns 5 minutos em descanso. Depois é só servir com o que quiser. Para os convalescentes, os que têm distúrbios gástricos, os idosos e as crianças desnutridas, basta colocar bastante água e deixar cozinhar por mais tempo até ficar quase uma papa suave e um tanto líquida. Basta comer com calma, mastigando suave e completamente, e a experiência de ser alimentado por algo tão simples, saudável e nutritivo será uma bênção ao longo dos dias.

Grãos de arroz (IRRI Images/Wikimedia Commons)
Grãos de arroz (IRRI Images/Wikimedia Commons)

 

Água de coco Algumas pessoas enganam-se ao pensarem que os isotônicos vendidos no mercado são realmente bons. Não importa o nome ou a propaganda: não passam de água, corantes, açúcar, sal, conservantes e aromatizantes, acrescidos de alguns sais minerais e vitaminas. Perto da água de coco, são como se comparássemos uma bijuteria barata com uma joia preciosa. É uma pena que nossos atletas tenham que tomar essas coisas durante treinos e partidas, e ainda fazerem, inadvertidamente, propaganda de coisas tão pobres. A água de coco é um excelente isotônico natural, pois tem uma grande quantidade de potássio, e, além disso, tem frutose, gorduras saudáveis, sais minerais, proteínas. Não engorda e não faz mal aos diabéticos e  hipertensos  (se tomada com moderação). A água de coco beneficia o fígado e os intestinos e é uma bebida altamente compatível com o organismo humano.

Água de coco (Miles Willis/Getty Images)
Água de coco (Miles Willis/Getty Images)

 

Carvão vegetal – Eis uma substância simples e de grandes propriedades terapêuticas. O carvão vegetal é a substância de maior poder de adsorção de substâncias que se conhece. Adsorção é a capacidade de interagir com substâncias químicas e retê-las em sua superfície. Ou seja, o carvão vegetal tem uma tremenda capacidade de ligar-se a substâncias tóxicas, levando-as para fora de nosso organismo. Tem inúmeras funções neste aspecto: elimina toxinas internas, agrotóxicos, resíduos de substâncias artificiais, resíduos de remédios. Combate as fermentações bacterianas e, com isso, os gases intestinais. É indicado em: aftas, mau hálito, gases, dor de estômago, diarreias infecciosas, disenteria hepáticas. Pode ser utilizado, interna e externamente, em todas as doenças que geram e acumulam substâncias tóxicas, como abcessos, tumores, feridas purulentas. É considerado um anti-tóxico por excelência, podendo ser utilizado depois de envenenamentos. É normalmente tomado em cápsulas ou em pó. Melhor se tomado longe das refeições. O carvão vegetal é tão útil em reter substâncias tóxicas, impurezas e alguns tipos de microrganismos,que é utilizado no interior das velas de muito tipos de filtros de água.”

Carvão vegetal (Ticiane Rossi/The Epoch Times)
Carvão vegetal (Ticiane Rossi/The Epoch Times)

 

Quebra-pedra (Phyllanthus niruri) –  É uma plantinha simples, mas que tem boas propriedades terapêuticas. Cresce em rachaduras de calçadas, em frestas de paredes, em quintais e jardins, em quase todos os lugares. Sem dúvida, sua propriedade mais especial e conhecida é a de auxiliar o organismo a evitar a formação de cálculos renais ou areias. E, de fato, é bastante eficiente nesse sentido, mesmo na forma simples de chás – tomados 3x ao dia, por 30 dias ou mais. Ela não ajuda na dissolução dos cálculos já formados, mas relaxa a musculatura e os ureteres (tipos de pequenos e finos tubos que levam a urina dos rins à bexiga), o que facilita a expulsão de pequenas pedras e alivia as dores na região por onde elas passam. Também beneficia o fígado e combate alguns tipos de vírus, auxiliando no tratamento da hepatite B.

Quebra-pedra (Ticiane Rossi/The Epoch Times)
Quebra-pedra (Ticiane Rossi/The Epoch Times)

 

 

Cavalinha (Equisetum ssp.; Equisetum arvense) – Conhecida pelo seu eficiente combate às infecções urinárias e cistites, a cavalinha também tem outros excelentes usos: refresca o sangue e reduz sangramentos e inflamações; combate o ácido úrico, a artrite e alguns tipos de eczemas; combate a flacidez dos tecidos em geral e dos ligamentos; remineraliza o organismo, fortalece as unhas, ajuda na reconsolidação de fraturas e combate a osteoporose; limpa o catarro e tira o calor dos pulmões, sendo útil em alguns tipos de tuberculose; combate a leucorreia; refresca os olhos e auxilia no tratamento da conjuntivite (pode-se fazer compressas nos olhos como o chá); é bactericida e fungicida.

Externamente serve como cicatrizante para cortes e feridas. É bastante fácil de encontrar e de utilizar na forma de chás e compressas. Porém, seu uso prolongado é contra-indicado, porque possui uma substância que destrói a vitamina B1, podendo levar à fraqueza e, em raros casos, ao beriberi. Contra-indicada para gestantes.

'Equisetum moorei' (Petr Filippov/Wikimedia Commons)
‘Equisetum moorei’ (Petr Filippov/Wikimedia Commons)

 

Sal marinho – Apesar de tudo, nem todos conhecem o sal marinho. O sal comum, refinado, é composto basicamente de Cloreto de Sódio e Iodo. Apesar de ser um mineral importante, a concentração excessiva do Cloreto de Sódio, encontrada no sal comum, é extremamente prejudicial ao organismo, levando ao surgimento de doenças cardio-vasculares crônicas, como a hipertensão arterial e aterosclerose, e a outras, como distúrbios da tireoide, cálculos renais e biliares, edemas. Já o sal marinho é formado por cerca de 84 tipos de sais, o que o torna um remédio e um alimento essencial por excelência. Isso não quer dizer que devamos exagerar em seu uso, mas que seu consumo moderado, além de evitar os prejuízos do sal comum, otimiza várias funções orgânicas, assim como remineraliza todo o corpo. Ele ajuda a regular glândulas, ativar e equilibrar sistemas orgânicos; melhora a imunidade; remineraliza o organismo, evitando a osteoporose; evita o bócio e os distúrbios da tireoide. Custa, em média R$ 1,00 a mais que o sal refinado, mas tem 83 vezes mais benefícios! Usa-se como o sal refinado na alimentação.

Sal marinho (Reprodução Google Image)
Sal marinho (Reprodução Google Image)

 

Alberto Giovanni Fiaschitello é terapeuta naturalista e cientista social

 
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