Rebeldes do Congo ameaçam marchar para capital do país

Porta-voz do M23, o tenente-coronel, Vianney Kazarama, fala para multidão no Estádio Vulcões em Goma, no leste da República Democrática do Congo, em 21 de novembro de 2012 (Phil Moore / AFP / Getty Images)

As Nações Unidas, os Estados Unidos e os governos regionais solicitaram aos rebeldes que, recentemente assumiram poder da maior cidade do leste da República Democrática do Congo (Goma), a deixarem a cidade. Entretanto, os insurgentes falam sobre marchar para a capital do país, Kinshasa.

A maioria dos soldados do M23 – famosos por abusos dos direitos humanos – são desertores do exército congolês que começaram a combater o próprio governo em abril. A ONU acredita que os rebeldes são apoiados pelo governo de Ruanda.

Os rebeldes do M23 realizaram um comício de vitória em Goma, uma cidade com aproximadamente meio milhão de habitantes, depois de tomá-la na terça-feira (20). Eles a conquistaram sem disparar um único tiro contra os soldados congoleses ou tropas de paz da ONU, que tinham ordens de se retirar.

O M23 aparentemente está bem armado com bons equipamentos como visão noturna, morteiros, uniformes, além de um bom número de armas e munições.

“Eles exibem muitas características de um exército forte, disciplinado e estruturado. Possuem sofisticadas táticas e operações, incluindo ações noturnas, que não são factíveis de uma performance tradicional”, disse Roger Meece, chefe de manutenção da paz da ONU em Congo, através de um release à imprensa.

Embora o escritório de Meece não tenha sido capaz de investigar as denúncias, ele acredita que tais características sugerem apoio estrangeiro.

O Conselho de Segurança da ONU na quarta-feira (21) exigiu que o M23, liderado pelo suposto criminoso de guerra Bosco “O Exterminador” Ntaganda, deixe a cidade. Deve haver uma “cessação de quaisquer avanços por parte do M23”, disse Meece, acrescentando que “os seus membros [devem] imediatamente e permanentemente dissolverem-se e deporem as armas.”

Ele citou que o grupo de rebeldes cometeu “abusos de direitos humanos, incluindo execuções sumárias, violência sexual e por gênero, além de recrutamento em larga escala e uso de crianças como soldados.” O grupo também expulsou cerca de 60 mil pessoas da região, diz a ONU.

O tenente-coronel do M23, Vianney Kazarama, falou a uma multidão no Estádio Vulcões, em Goma, incitando uma marcha até a capital do país. “Vocês querem que marchemos para Kinshasa?” ele pergunta. A multidão gritou de volta: “Sim!”, segundo a BBC.

Kazarama também afirmou que “A viagem para libertar o Congo começou agora”, e descreveu o curso da ação. Segundo ele o M23 vai passar por Bukavu, uma cidade no leste do Congo, que abriga cerca de 800 mil pessoas, antes de ir para Kinshasa.

Em uma coletiva de imprensa na quarta-feira (21) transcrita para o site do Departamento de Estado dos EUA, Mark Toner, porta-voz do departamento, afirmou que os presidentes de Ruanda, República Democrática do Congo e Uganda necessitam “continuar a manter um diálogo sobre a situação” para deter o avanço do M23.

Um tanque deixado pelas tropas do governo, no distrito de Ndosho, em Goma, que bateram em retirada
(Phil Moore / AFP / Getty Images)
Blindados em direção a base da ONU, em Monigi, localizada a 3 km de Goma
(Phil Moore / AFP / Getty Images)

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