Queda de emprego na indústria impacta economia do país

A retração de aproximadamente 3% no nível de emprego na indústria em 2014, confirmada pelo técnico do IBGE Fernando Abrita e focalizada na reportagem de Pedro Soares, Folha de São Paulo, edição de 16, envolveu o fechamento de 190 mil postos de trabalho e representa um abalo na economia brasileira, produzindo um triplo efeito: menor renda proporcionada pelo trabalho humano; recuo na produção nacional; crescimento aquém do desejado na formação do Produto Interno Bruto.

Recuo da renda per capita (divisão do PIB pelo número de habitantes) é o resultado negativo no final da ópera. E como os salários na indústria são maiores do que os pagos na agropecuária e no setor de serviços comuns, o desemprego industrial afeta mais diretamente o mercado de consumo. Como se constata, surge em consequência uma espiral de fatores negativos.

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Fernando Abrita apontou como causas principais a diminuição da produção industrial de 2014 os juros bancários maiores e a restrição do crédito, além do pessimismo de empresários e consumidores. Tudo convergindo para um processo de desaceleração de renda. A esta sequência – disse – acrescente-se a maior competição com os bens importados e o desempenho fraco das exportações.

Pessimismo

Ouvido também por Pedro Soares, o economista Fábio Romão, da consultoria LCA, mostrou-se pessimista com as perspectivas para 2015. Para ele, o desemprego na indústria manterá a tendência de queda, prevendo uma nova perda de 65 mil postos de trabalho. Inclusive porque as empresas, em regime de compressão, sempre que o nível dos lucros recua, preferem convocar horas extras a contratar trabalhadores. Porém, não pagam em dinheiro essas horas extras e sim as lançam num esquema de compensação através de um banco de reservas horárias. Assim as horas extraordinárias são lançadas numa escala de tempo, nada acrescentando em matéria de volume salarial.

Além de tudo isso, agora sob a ótica da arrecadação de impostos, a maior retração na indústria corresponde à menor receita proporcionada pelo Imposto de Renda, pelo IPI, pelo Pis-Cofins, atingindo igualmente o ICMS nas áreas estaduais. O sistema tributário, portanto, depende do desenvolvimento econômico, que, por seu turno, implica em maior oferta de empregos. É assim indispensável substituir-se o círculo vicioso da redução pelo ciclo virtuoso do crescimento econômico, produzindo efeitos concretos na escala social e fomentando a redistribuição de renda.

Sem esta ruptura o país não sairá da crise. Não adianta apenas aumentar tributos e tarifas, se não se ampliarem as fronteiras no rumo do progresso – aí sim – cabe bem a expresão desenvolvimento sustentável.

Patrocínios esportivos

Por falar em arrecadação de impostos, deixo uma sugestão ao ministro Joaquim Levy: mande realizar um acompanhamento mais próximo, sob a ótica fiscal, nos patrocínios esportivos que há por aí. Pois não tem aparentemente lógica a realização desses patrocínios, mediante colocação de publicidade na camisa dos atletas, com a situação financeira dos clubes e federações de futebol e de outros esportes. Entidades esportivas operam com deficit que se transformam em dívidas acumuladas, em contraste com as remunerações atribuídas aos atletas. Os repasses dos recursos são integralmente os revelados ao público? Fica a pergunta.

 
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