Quanta radiação absorvemos ao voar de avião e quão perigosa ela é?

Durante o Mínimo Solar, um período que se repete a cada 11 anos em que a atividade solar diminui, a camada protetora da ionosfera se torna mais fina e o planeta recebe mais radiação cósmica

Por Anastasia Gubin, Epoch Times

Aparentemente, não são só os astronautas que devem se preocupar em não ficar expostos a muita radiação nos voos espaciais.

Quando Harvard confirmou através de um estudo publicado em 26 de junho que os comissários de bordo têm câncer com mais frequência, isso causou preocupação.

Quanta radiação é absorvida ao voar? Muitos se perguntaram. A equipe do Space Weather junto com pesquisadores do Earth to Sky Calculus, lançaram balões de ar quente para medir a radiação na atmosfera.

“Desde 2015, coletamos mais de 22 mil medições de radiação marcadas com GPS em 27 países, 5 continentes e 2 oceanos”, disse o Space Weather esta semana.

Balão aerostático que mede radiação, com a imagem de um animal de estimação (Earth to Sky Calculus)
Balão aerostático que mede radiação, com a imagem de um animal de estimação (Earth to Sky Calculus)

“A radiação sempre aumenta com a altitude, com taxas que dobram a cada 5.000 a 6.000 pés. Isso faz sentido: quanto mais você se aproxima do espaço, mais raios cósmicos você absorve.”

Por essa razão, em altitudes típicas de voo de cruzeiro, a radiação cósmica é 40 a 60 vezes maior do que as fontes naturais no nível do mar.

Os passageiros de um voo comum pelos Estados Unidos, dependendo da altura, absorvem, em média, uma dose de corpo inteiro igual a 1 ou 2 radiografias dentárias.

(Matt Cardy/Getty Images)
(Matt Cardy/Getty Images)

Em 2015, um passageiro de nome Tony Phillips incluiu um par de sensores de radiação em um voo da US Airway entre Reno e Phoenix, os quais detectaram taxas de radiação 30 vezes mais altas do que no nível do solo.

Mais tarde, em 15 de novembro, em um voo da American Airlines que ia de Washington DC a Chicago, seu sensor marcou 15 vezes mais do que a taxa de radiação normal no nível do continente.

Analisando esses números fornecidos por Phillips, o Space Weather na época enfatizou que em uma única hora de voo entre Reno e Phoenix em 11 de novembro, os passageiros foram expostos à mesma quantidade de radiação de um raio-x no consultório de um dentista.

(Peter Macdiarmid/Getty Images)
(Peter Macdiarmid/Getty Images)

Sabe-se agora que em voos internacionais, isso aumenta para 5 ou 6 radiografias dentárias.

Se você comparar a radiação da aviação nos trópicos com a do Ártico, as rotas mais próximas do Ártico terão 2 a 3 vezes mais radiação do que no Equador.

Comparação dos níveis de radiação do Ártico e do Trópico (Space Weather)
Comparação dos níveis de radiação do Ártico e dos Trópicos (Space Weather)

“Isso não é surpresa. Os pesquisadores sabem há muito tempo que as partículas espaciais penetram facilmente no campo magnético da Terra perto dos polos, enquanto o Equador oferece maior resistência. É por isso que as auroras boreais são vistas na Suécia em vez de no México”, disse Space Weather.

Aurora Boreal fotografada por Chad Blakley em 10 de setembro de 2018 no Parque Nacional de Abisko, na Suécia (Galeria Space Weather)
Aurora Boreal fotografada por Chad Blakley em 10 de setembro de 2018 no Parque Nacional de Abisko, na Suécia (Galeria Space Weather)

Por essa razão, a Suécia tem níveis de radiação mais altos do que os Estados Unidos.

(Nick Morrish/British Airways via Getty Images)
(Nick Morrish/British Airways via Getty Images)

Também no mesmo momento, quando um avião atinge 40 mil pés, na Nova Inglaterra, no norte dos Estados Unidos, o avião experimenta 30% mais radiação do que o mesmo avião quando voa sobre o deserto do sudoeste.

“De acordo com nossas medições, até agora a Nova Inglaterra é a região ‘mais quente’ dos Estados Unidos Continental em termos de radiação, e o Noroeste do Pacífico ocupa o segundo lugar”, destaca Space Weather.

Isso sugere que, à medida que se desce em direção ao Polo Sul, a radiação é maior, o que faz sentido, mas o caso do Chile é um enigma.

Quanta radiação recebemos quando viajamos de avião? Vista da janela para o exterior sobre os Andes. (A.Gubin/Epoch Times)
Quanta radiação recebemos quando viajamos de avião? Vista da janela para o exterior sobre os Andes. (A.Gubin/Epoch Times)

“Embora o Chile não cruze o equador, ele possui algumas das menores leituras em nosso banco de dados.”

Chile registra menos radiação do que o esperado (Space Weather)
Chile registra menos radiação do que o esperado (Space Weather)

Esse fenômeno provavelmente está relacionado à localização do Chile na borda da Anomalia do Atlântico Sul, uma distorção no campo magnético da Terra que afeta os níveis de radiação”, acrescentou o relatório.

“Estamos investigando ativamente a situação no Chile com voos adicionais e reportaremos os resultados no futuro.”

Risco de câncer

O estudo de Harvard publicado em junho de 2018 diz que os comissários de bordo norte-americanos “têm uma maior incidência de várias formas de câncer, incluindo câncer de mama, útero, gastrointestinal, tireoide e cervical, em comparação com o público em geral”.

A análise também mostrou que os comissários de bordo têm uma taxa elevada de câncer de pele não melanoma.

Nova Iorque: Concorde (Timothy A. Clary/AFP/Getty Images)
Nova Iorque: Concorde (Timothy A. Clary/AFP/Getty Images)

Os resultados são “surpreendentes, dadas as baixas taxas de sobrepeso e tabagismo em nossa população de estudo, o que destaca a questão sobre o que pode ser feito para minimizar exposições adversas e limites comuns entre a tripulação de cabine”, disse Irina Mordukhovich, pesquisadora de Harvard Chan.

O estudo foi publicado no site Saúde Ambiental.

Previsões

O Space Weather e a equipe de pesquisadores implantaram o sistema E-RAD, para prever os níveis de radiação que uma pessoa irá absorver em um determinado voo.

É um sistema que é atualizado periodicamente com variáveis que afetam os raios cósmicos, como o ciclo solar e as mudanças no campo magnético da Terra.

Durante o Mínimo Solar, um período que se repete a cada 11 anos em que a atividade solar diminui, a camada protetora da ionosfera se torna mais fina e o planeta recebe mais radiação cósmica.

 
Matérias Relacionadas