Quadro perdido de Da Vinci pode estar atrás de obra de Vasari

Investigações recentes propõem que no Palácio Vecchio de Florença, no Salão dos Quinhentos (Salone dei Cinquecento), atrás do afresco de Giorgio Vasari – A Batalha de Marciano – encontra-se o quadro perdido de Leonardo Da Vinci – A Batalha de Anghiari. Uma história foi revelada entre essas duas obras do renascimento.

No Palácio della Signoria, mais conhecido como Palácio Vecchio, construído no final do século XIII e início do século XIV, está o Salão dos Quinhentos. Em sua parede encontra-se a Batalha de Marciano, de Vasari, uma obra ao estilo de Michelangelo, e celebra a vitória do Grão Duque de Médici.

Era uma época de grandes batalhas na história do ducado de Florença e tais tragédias eram refletidas na arte.

Marciano della Chiana, o grande motivo do combate, é uma localidade situada sobre as rochas em Valdichiana (vale de Chiana) na Toscana, onde construiu-se um grande castelo cercado por antigos caminhos medievais.

Em 1439 foi ocupada por Bernardino della Carda, e em 1554, nas proximidades de Scanagallo, as tropas do Grão Duque de Médici, governante de Florença, combateram a histórica Batalha de Marciano a fim de recuperar esta vasta área cercada por vales agrícolas.

Em março de 2012, o Departamento de Bens Culturais de Florença informou que provavelmente, por detrás da obra de Vasari, encontra-se a obra perdida de Leonardo da Vinci – A Batalha di Alghiari.

Acredita-se que quando Vasari realizou sua obra, não quis destruir a obra de Leonardo da Vinci, uma obra que nunca foi finalizada por culpa da tinta mau preparada. Ao invés de destruí-la, Vasari teria deixado alguns centímetros de espaço e criado outro mural para pintar sua obra.

Leonardo pintou esta majestosa obra onde a pintura não secava e a obra começou a escurecer. Tentou-se secar a pintura através do calor instalando-se enormes braseiros, sem êxito.

Acredita-se que existiram várias cópias da pintura da Batalha di Aghiari. Uma delas seria uma pintura de Peter Paul Rubens no Museu do Louvre, Paris, conhecida como A Batalha do Estandarte.

Rubens realizou esta obra em 1603, baseado em uma gravura de Lorenzo Zacchia de 1558. As diferenças são notórias, porém acredita-se que o sentido de fúria da trágica batalha foi captado pelo pintor.

Giorgio Vasari, em seus escritos, refere-se à obra de Da Vinci, e explica que em uma sala de seu estúdio, no mesmo local onde se encontra a Santa Maria Novella de Florença, Leonardo desenhou uma cena violenta de choque de cavalos e uma grande batalha de homens lutando pelo estandarte, a qual seria a Batalha de Aghiari. O mestre Leonardo dedicou muito trabalho à expressão dos rostos.

Leonardo não estava acostumado à técnica de pintura à fresco, a qual requer muita velocidade. Ele, ao contrário, pensava muito antes de pintar.

Então decidiu usar uma técnica nova que requereria muito calor para que a pintura se fixasse na parede; esta técnica foi proposta por Plinio el Viejo, no entanto foi um desastre.

Quando as cores se mesclaram, não secaram totalmente, e Leonardo abandonou o projeto.

Apesar de tudo, a obra estava quase pronta; o mestre, com seis ajudantes, trabalhou nela quase um ano. No tempo em que estava sendo feita, foi observada e visitada por muitos pintores, entre eles, Rubens. Ela ficou exposta durante muitos anos no Palácio Vecchio.

O Salão dos Quinhentos, onde se encontram supostamente unidas ambas as obras, é o maior salão construído para as gestões do governo em Florença; em sua época, o Ducado de Florença. Ele mede 54 metros de largura por 18 de altura. O que se vê hoje em dia, é sua última reestruturação, realizada pelo próprio Giorgio Vasari entre 1555 e 1572. Naquele lugar o Grão Duque de Médici reunia sua corte.

Outra das obras inacabadas perdidas no palácio Vecchio, foi a Batalha de Cascina de Michelangelo.

A crítica dos restauradores

Depois de revelado que para descobrir a obra de Leonardo da Vinci foram feitos micro orifícios na obra de Vasari, os restauradores de arte florentinos se manifestaram.

“Acreditamos que é uma aberração destrutiva afetar uma obra mestra como a de Vasari só para satisfazer uma curiosidade de saber se ali se encontra um (quadro de) Leonardo”, exclamou a restauradora Cinzia Pasquali, perita em obras de Leonardo da Vinci.

“A pesquisa deve ser feita sem destruir”, disse pela restauradora, em 2012.

Sobre Giorgio Vasari

Giorgio Vasari nasceu em Arezzo em 1511, ele se destacou muito em Florença, onde, juntamente com outros artistas, fundou a Academia de Arte e Desenho.

É conhecido por suas obras como crítico de arte. Um de seus livros mais famosos é “A vida dos mais brilhantes pintores, escultores e arquitetos” e o outro é “O estudo da arte de Michelangelo e Rafael”.

Como arquiteto, construiu a Cúpula da Madona da Humanidade, além de seus trabalhos memoráveis no Palácio Degli Uffizi e no Palácio Vecchio.

As últimas investigações feitas pelo Departamento de Bens Culturais de Florença demonstram que provavelmente por detrás da obra de Vasari esteja realmente a obra perdida de Leonardo da Vinci – A Batalha di Alghieri.

Vasari morreu em Florença em 1574 e não revelou este segredo.

 
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