Provação de 8 anos de Gao Zhisheng prevista para terminar

A família do advogado chinês de direitos humanos Gao Zhisheng, junto com muitos de seus admiradores e simpatizantes em todo o mundo, esperam ansiosamente pela data de 7 de agosto, quando a sentença de prisão de Gao terminará.

Em entrevista ao Epoch Times, a esposa de Gao, Geng He, pediu a libertação do marido em 7 de agosto. “Nesse dia, ele deve ser liberado e reunido com a família. Então, ele decidirá para onde ir em seguida”, disse Geng He.

Um advogado autodidata, Gao começou a se destacar quando começou a defender crianças com deficiência sem aceitar remuneração – o trabalho legal pro bono é bastante incomum na China.

Tendo crescido na pobreza extrema, Gao tinha afinidade pelos oprimidos. Ele defendeu, sem sucesso, aqueles cujas casas ou terras agrícolas foram tomadas por funcionários do Partido Comunista Chinês (PCC) que trabalhavam em conluio com desenvolvedores imobiliários. Ele também defendeu os cristãos que sofreram perseguição na China.

Em 2001, Gao foi nomeado pelo Ministério da Justiça como um dos 10 melhores advogados da China. Mais popularmente, Gao foi apelidado de “consciência da China”.

Em dezembro de 2004, o trabalho de Gao foi um passo além do que o PCC poderia tolerar. Ele escreveu uma carta para o Congresso Popular Nacional pedindo a libertação do praticante do Falun Gong chamado Huang Wei, que foi condenado a um campo de trabalho forçado por causa de suas crenças.

Em outubro e dezembro de 2005, Gao publicou outras cartas abertas à liderança do PCC pedindo o fim da perseguição à prática espiritual do Falun Gong.

O desafio aberto de Gao foi imediatamente respondido. Em outono de 2005, as autoridades de segurança colocaram Gao e sua família sob vigilância em tempo integral. Em novembro de 2005, seu escritório de advocacia foi fechado. Houve sequestros, ameaças e uma possível tentativa de assassinato.

Em 15 de agosto de 2006, Gao foi sequestrado pela polícia e detido e em dezembro ele foi oficialmente declarado culpado de “incitar a subversão do poder do Estado”. Condenado a cinco anos de liberdade condicional e prisão domiciliar, Gao foi frequentemente sequestrado e detido.

Enquanto preso, Gao foi severamente torturado. Quando teve uma chance, Gao expôs o tratamento brutal que sofreu. Numa carta aberta publicada em 2009, ele descreveu os 50 dias de tortura que sofreu em 2007. Ele ficou eletrocutado por dias com bastões elétricos, incluindo em seus órgãos genitais, fumaça de cigarro foi soprada em seus olhos até eles incharem e se fecharem totalmente e espetos foram inseridos em seus órgãos genitais.

Como punição por expor o tratamento que sofreu, Gao foi novamente torturado numa sessão que ele mais tarde afirmaria ter sido pior do que o que sofreu em 2007. Ele sentiu que sua vida esteve “pendendo por um fio”.

Em agosto de 2011, a sentença de Gao de cinco anos chegaria ao fim. O regime comunista chinês, no entanto, declarou que Gao tinha violado sua liberdade condicional e condenou-o a mais três anos no remoto Presídio Shaya, na província de Xinjiang, extremo noroeste da China.

Provação familiar

Ao longo do calvário de Gao, sua família também sofreu. Em sua entrevista recente ao Epoch Times, a esposa de Gao, Geng He, mencionou a pressão enfrentada pela família.

Ela tentou contatar o irmão caçula de Gao para perguntar sobre a libertação próxima de Gao, mas não conseguiu alcançá-lo. Ao ligar para o irmão mais velho de Gao, ela foi informada que havia enorme pressão sobre a família do irmão mais novo e por isso ele não pôde responder à ligação de Geng He.

Geng He conhece intimamente a pressão que o regime chinês pode exercer. Ela e seus dois filhos escaparam da pressão fugindo da China e indo para Nova York em março de 2009.

Numa conferência de imprensa ao chegar a Nova York, ela descreveu o sofrimento da família: “O apartamento da família era guardado pela polícia 24 horas por dia. Também havia polícia dentro do apartamento. Cada movimento nosso era vigiado, incluindo quando usávamos o banheiro e nos banhávamos. Quando íamos para a cama, a polícia se sentava ao lado de nós e não tínhamos permissão para apagar as luzes. As crianças não conseguiam dormir, mesmo quando estavam com sono.”

“Eles proibiram que minha filha frequentasse a escola, e ela tentou suicídio por causa disso”, disse Geng He. “Quando eu descobri isso, eu tive um colapso. Eu decidi fugir pelo bem das crianças.” Nos Estados Unidos, a filha de Gao superou seu desespero, se tornou uma das melhores alunas e entrou para a faculdade.

Wenjing Ma é a diretora de um filme sobre Gao chamado “Transcendendo o Medo: A História de Gao Zhisheng”. Ma recordou numa entrevista ao Epoch Times como ela perguntou outrora a Geng He se esta alguma vez se lamentou pelo caminho escolhido por Gao? Afinal, se Gao não tivesse se dedicado aos direitos humanos, ela e a família teriam gozado de uma vida confortável de alta classe em Pequim.

“Geng He replicou imediatamente: ‘Eu não tenho arrependimentos, porque qualquer um teria agido dessa maneira’”, recordou Ma. “Isso revela o coração dela. Ela sente que o que Gao fez era algo que tinha de ser feito. Somente com este tipo de família Gao poderia ter sido tão importante. Sua esposa é uma grande pessoa também.”

“Como um homem diante de uma máquina de perseguição, ele foi esmagado repetidamente, mas sempre que tinha uma chance, ele se levantaria de novo e faria a coisa certa. Isso é muito comovente para mim. Ele foi perseguido pelo PCC porque foi o primeiro a falar alto pelo Falun Gong. Naquela época, quase ninguém se atrevia a fazer isso. Ele foi usado como exemplo para prevenir que outros fizessem o mesmo. Em vez de serem dissuadidas, muitas pessoas foram incentivadas pelo exemplo de Gao e defenderam o Falun Gong. Dezenas de advogados começaram a defender os praticantes. Isso era inimaginável antes”, disse Ma.

Libertação

Desde que foi preso, Gao Zhisheng recebeu apoio de congressistas americanos e parlamentares da União Europeia, Canadá e de outros países, da Anistia Internacional, de outras organizações de direitos humanos, de praticantes do Falun Gong e de vários grupos cristãos. Gao foi indicado para o Prêmio Nobel da Paz três vezes e foi premiado com um prêmio internacional de direitos humanos da American Bar Association. Ao menos 150 mil pessoas assinaram uma petição pedindo sua libertação.

Agora que sua libertação é iminente, há a questão para sua família e apoiadores sobre o que fazer em seguida. Em sua entrevista ao Epoch Times, Geng He ressaltou mais de uma vez a esperança de que Gao deve “escolher para onde seguir em sua vida, em vez de as autoridades e a polícia determinarem seu rumo”.

Heng He, um especialista em política da China, que escreve regularmente para o Epoch Times, aponta para o caso do ativista Hu Jia. Hu foi prontamente libertado da prisão quando sua pena terminou, mas foi imediatamente colocado em prisão domiciliar.

Heng He não ficaria surpresa se o mesmo destino aguardasse Gao. “Foi errado colocar Gao Zhisheng na cadeia”, disse Heng He. “Ele simplesmente apontou que a perseguição ao Falun Gong era errada.”

“No ano passado, um líder do Partido Comunista Chinês após o outro, responsáveis por esta perseguição, foram purgados, mas o Partido não mudou sua política. Até que o Partido faça isso, o caso de Gao não estará realmente concluído”, concluiu Heng He.

 
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