Publicado em - Atualizado em 20/07/2017 às 19:30

Protestos no Canadá marcam aniversário da perseguição ao Falun Gong

Os praticantes da disciplina espiritual exigem a libertação de cidadã canadense na China

Praticantes do Falun Gong marcham no centro de Vancouver, em 16 de julho de 2017, para pedir o fim da perseguição de sua disciplina espiritual ordenada pelo regime chinês há 18 anos em 20 de julho de 1999. Uma procissão de praticantes com grinaldas brancas para prestar homenagens em memória daqueles que foram perseguidos até a morte (Tang Feng/Epoch Times)

Praticantes do Falun Gong marcham no centro de Vancouver, em 16 de julho de 2017, para pedir o fim da perseguição de sua disciplina espiritual ordenada pelo regime chinês há 18 anos em 20 de julho de 1999. Uma procissão de praticantes com grinaldas brancas para prestar homenagens em memória daqueles que foram perseguidos até a morte (Tang Feng/Epoch Times)

Esta semana também no Canadá e em todo o mundo, milhares de pessoas estão se reunindo em frente às embaixadas e consulados chineses para marcar os 18 anos desde que o Partido Comunista Chinês lançou uma campanha de violência e ódio para “erradicar” a disciplina espiritual Falun Gong, também chamada Falun Dafa.

“A perseguição do Partido Comunista Chinês ao Falun Gong ainda está em andamento. Atualmente, há 12 praticantes do Falun Gong com laços canadenses que estão sendo ilegalmente mantidos na China”, disse a porta-voz da Associação do Falun Dafa de Vancouver, Sue Zhang, em uma manifestação fora da Vancouver Art Gallery em 16 de julho.

Além de discursarem e organizarem marchas e vigílias a luz de velas exigindo o fim da perseguição, os adeptos do Falun Gong estão buscando ajuda do governo canadense para libertar da prisão na China seus colegas praticantes. Entre eles, uma cidadã canadense, Sun Qian, que está detida em Pequim desde fevereiro.

Reprodução da carteira de identidade de Sun Qian (Epoch Times)

Reprodução da carteira de identidade de Sun Qian (Epoch Times)

Prisioneira de consciência canadense abusada na China

Sun, uma empresária chinesa-canadense de 51 anos e residente em Vancouver, está atualmente no I Centro de Detenção de Pequim, onde foi encarcerada, algemada a uma cadeira de aço, é diariamente alvejada por spray de pimenta com salmoura no rosto e agora pode ser indiciada por sua fé.

Apesar dos apelos por sua libertação terem sido feitos por vários funcionários canadenses de alto nível, incluindo os deputados conservadores do Parlamento, Peter Kent e Michael Cooper, o ex-ministro da Justiça liberal, Irwin Cotler, e Elizabeth May, líder do Partido Verde, ela continua presa.

Os praticantes canadenses do Falun Gong continuam a nutrir a esperança de que Sun seja liberada como resultado de uma voz forte das autoridades eleitas.

Quando o ex-líder chinês Jiang Zemin iniciou a perseguição em 20 de julho de 1999, o Canadá era, de fato, o primeiro país a condenar publicamente a perseguição. “O Canadá apresentou um requerimento oficial ao Ministério das Relações Exteriores da China depois de 30.000 adeptos do Falun Gong terem sido detidos em 30 cidades da China, disseram fontes”, informou The Globe and Mail em 26 de julho de 1999.

Xun Li, presidente da Associação do Falun Dafa do Canadá, com sede em Ottawa, também lembrou que foi a voz forte das autoridades eleitas, juntamente com a contínua cobertura da mídia, que ajudou a garantir a libertação de Zhang Kunlun, que acredita-se haver sido o primeiro canadense preso na China por praticar Falun Gong.

O professor Kunlun Zhang com sua pintura 'Muro Vermelho', que se baseia em sua experiência como prisioneiro de consciência na China, na 'Exposição Internacional A Arte de Verdade, Compaixão, Tolerância', em Washington DC, 18 de julho de 2013 (Epoch Times)

O professor Kunlun Zhang com sua pintura ‘Muro Vermelho’, que se baseia em sua experiência como prisioneiro de consciência na China, na ‘Exposição Internacional A Arte de Verdade, Compaixão, Tolerância’, em Washington DC, 18 de julho de 2013 (Epoch Times)

Zhang é um ex-professor visitante da Universidade McGill de Montreal. Ele foi preso em 2000 e enviado a um campo de trabalho forçado por três anos, mas foi liberado em janeiro de 2001, pouco antes da missão comercial do primeiro ministro Jean Chrétien na China.

Enquanto estava sob custódia na China, o professor foi submetido a abusos, incluindo tortura com bastões elétricos. Ele também foi forçado a assistir a transmissões de propaganda de ódio vilipendiando o Falun Gong.

“A China temia ser exposta [por suas violações dos direitos humanos], porque o professor Zhang é cidadão canadense”, disse Li.

Matança em larga escala por órgãos dos prisioneiros

Falun Gong é uma prática de meditação e exercícios herdada da antiga China que inclui ensinamentos baseados nos princípios universais de verdade, compaixão e tolerância. Em julho de 1999, o regime comunista chinês ordenou uma perseguição e uma extensa campanha de propaganda de ódio contra o Falun Gong devido à popularidade da prática, que não estava sob o controle do Estado.

“[O Partido Comunista iniciou] o pior caso de perseguição religiosa desde a Revolução Cultural, com a repressão contra o Falun Gong”, escreveu o professor André Laliberté, da Universidade de Ottawa, um destacado estudioso sobre religião na China, em um artigo em 2015.

A perseguição obteve a condenação de grupos de direitos humanos, Nações Unidas e vários governos em todo o mundo.

Sue Zhang citou um relatório da Freedom House de fevereiro de 2017 que detalha como os adeptos do Falun Gong continuam sujeitos a severas violações de direitos humanos. E o relatório mais recente da Comissão Executiva do Congresso dos Estados Unidos de 2016 indica como o abuso físico e psicológico extremo perdura contra o Falun Gong.

Também há relatórios de investigadores, incluindo dois pesquisadores canadenses, que estimam que 60.000 a 100.000 transplantes por ano são realizados na China ─ em oposição aos dados oficiais de 10.000 por ano. Os documentos constaram ainda serem a fonte primária os detentos do Falun Gong, com seus órgãos removidos à força e sendo mortos no processo, para abastecer a extremamente lucrativa indústria de transplantes da China.

Freedom House observou que havia analisado as evidências disponíveis compiladas por esses pesquisadores e “encontrou evidências credíveis sugerindo que, no início dos anos 2000, os detentos do Falun Gong foram mortos por seus órgãos em larga escala”. “Há razões para acreditar que tais abusos continuam”, afirmou o relatório.

Os praticantes do Falun Gong e simpatizantes realizam uma manifestação na calçada oposta à Embaixada da China, em Ottawa, 19 de julho de 2017. A perseguição, que agora entrou em seu 18º ano, foi lançada pelo regime chinês em 20 de julho de 1999 (Donna He/Epoch Times)

Os praticantes do Falun Gong e simpatizantes realizam uma manifestação na calçada oposta à Embaixada da China, em Ottawa, 19 de julho de 2017. A perseguição, que agora entrou em seu 18º ano, foi lançada pelo regime chinês em 20 de julho de 1999 (Donna He/Epoch Times)

Princípios morais

Na reunião de Vancouver, Li Jianfeng, ex-juiz na China continental, elogiou os princípios ensinados por Falun Gong e pediu maior apoio à prática espiritual no Canadá.

“Eu telefono para todos os vancouvenhos para apoiar o Falun Gong”, disse Li. “O que se espalha é ‘verdade, compaixão e tolerância’. Estes princípios morais de alto nível, se puderem florescer no Canadá, nos trarão bênçãos e um bom futuro.”

Após a atividade em 16 de julho, os praticantes e simpatizantes de Vancouver realizaram em 19 de julho uma marcha no centro da cidade uma vigília à luz de velas em frente ao consulado chinês. Eventos são planejados em outras cidades canadenses no final desta semana, inclusive em Ottawa e Montreal e em Toronto, no dia 21 de julho.

Os adeptos do Falun Gong realizam um evento em frente ao consulado chinês em Montreal, em 19 de julho de 2017, para marcar 18 anos desde que a perseguição a sua prática espiritual foi iniciada pelo regime chinês em 20 de julho de 1999 (Nathalie Dieul/Epoch Times)

Adeptos do Falun Gong realizam um evento em frente ao consulado chinês em Montreal, em 19 de julho de 2017, para marcar 18 anos desde que a perseguição a sua prática espiritual foi iniciada pelo regime chinês em 20 de julho de 1999 (Nathalie Dieul/Epoch Times)

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