Professora encontra pintura milionária em seu sotão

Quando a professora britânica Jane Cordy se deparou com uma pintura, há muito perdida, do talentoso artista pré-rafaelita William James Webbe em seu sótão, ela ficou chocada ao descobrir, a partir de um perito da casa de leilões Christie’s, que ela valia mais de 70 mil libras (R$ 233 mil).

Se Cordy ficou espantada com a estimativa de 50 mil a 70 mil libras, imagine como ela se sentiu quando a pintura, intitulada “A coruja branca, Sozinha e aquecendo seus cinco talentos, A coruja branca no campanário senta”, foi vendida por 589.250 libras (R$ 1.962.205) – um novo recorde de preço para as obras do artista em leilões.

Parte da Venda de Arte Vitoriana e Impressionista Britânica feita pela Christie’s em dezembro de 2012, “A coruja branca” recebeu bastante publicidade de pré-venda, graças à história por trás de sua redescoberta.

Sem dúvida, também, em parte impulsionada pela publicidade atual em torno da grande exposição pré-rafaelita no TATE – museu de arte moderna do Reino Unido – o preço obtido para a pintura é tão superior ao recorde anterior do artista, de 72 mil libras, que ele ainda parece ser um resultado surpreendente, mesmo depois de levadas em consideração as condições favoráveis que cercam a venda.

Ao pesquisar a pintura redescoberta, a Christie’s descobriu que ela foi exibida na Academia Real de Artes do Reino Unido em 1856, onde John Ruskin, o grande crítico de arte pré-rafaelita, a escolheu para um elogio. “Um cuidadoso estudo – a asa marrom excelente. A suavidade das penas de uma coruja que seja, talvez, impossível de imitar”, Ruskin escreveu.

Somando-se ao mistério e fascínio da pintura está o fato de que Webbe é algo como uma figura há muito tempo perdida do movimento pré-Rafaelita. De acordo com a Christie’s, “embora Webbe esteja incluído no estudo inicial de Percy, ele continua a ser uma figura sombria”.

Até mesmo a grafia correta do sobrenome do artista não é conhecida, e tanto “Webb” quanto “Webbe” aparecem em catálogos de exposições.

A combinação de publicidade, proveniência, e um toque de mistério, garantiu que “A coruja branca” de Webbe fosse disputada por um número de compradores ansiosos, com o lance vencedor vindo de um comerciante do Reino Unido.

Isso mostra o impacto que uma boa história e condições de venda podem ter sobre a forma como as pessoas percebem uma pintura.

Nicholas Forrest é analista do mercado de arte, consultor de arte, e escritor de Sydney/Londres. Ele é o fundador do ArtMarketBlog.com e recentemente foi publicado na Fabrik, Verve, Visual Art Beat, Australian Art Collector, Arte & Investment, e outras revistas

 
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