Professor é perseguido pelo Partido Comunista Chinês e proibido de viajar para o exterior

Os comentários de Yang revelam a corrupção dos funcionários do partido e o desvio de fundos do Estado

Não é incomum que professores, professores universitários, acadêmicos ou mesmo advogados sejam levados pela polícia depois de falar ou escrever sobre a corrupção do Partido Comunista Chinês e os abusos dos direitos humanos. Algumas dessas almas corajosas ressurgem … outras desaparecem, para nunca mais serem vistas.

Tome Yang Shaozheng, um professor que ensinou teoria dos jogos e microeconomia avançada na Universidade de Guizhou por 11 anos, é um exemplo.

Professor Yang Shaozheng (©Video captura de tela | NTD)
Professor Yang Shaozheng (©Video captura de tela | NTD)

Yang, que tem uma excelente reputação, foi expulso da universidade em 15 de agosto de 2017, por “publicação de longa duração e divulgação on-line de discursos politicamente errados, escrever um grande número de artigos politicamente prejudiciais e criar uma influência deletéria no campus e na sociedade”.

Além disso, o professor de 49 anos foi declaradamente culpado de “não se arrepender”, e rejeitou as tentativas do Partido Comunista Chinês de reeducá-lo em suas opiniões políticas.

Então, o que ele escreveu que lhe custou o emprego e agora a sua liberdade?

Bem, ele escreveu sobre muitos assuntos…

Antes de seu desaparecimento, ele de uma entrevista à Radio Free Asia em novembro de 2017. Yang contou como o Departamento de Segurança Pública na província de Guizhou exigiu que ele os encontrasse para um “bate-papo” antes de uma ocasião politicamente sensível, o 19º Congresso do Partido, que foi realizado em outubro de 2017.

“Eles disseram que durante o 19º Congresso do Partido eu teria que manter minha boca fechada”, disse Yang. “Eu não poderia falar, não poderia escrever nada online e não poderia dizer nada político durante a aula. Eu disse a eles na época: o que você está fazendo aqui é ilegal de acordo com a nossa constituição nacional”.

Yang recusou-se a ser silenciado.

“Da segunda vez que eles vieram até mim foi na mesma noite da cerimônia de abertura do 19º Congresso do Partido, por volta das 21h00. Eles primeiro me acusaram de espalhar rumores. Eu perguntei quando tinha espalhado os rumores e exigi que eles apresentassem os fatos. Eles não tinham fatos para apresentar. No final, eles me disseram explicitamente que eu tinha que calar a boca e depois me perguntaram se eu faria isso ou não. Eu lhes disse claramente que não ficaria quieto. Eles congelaram minha conta no Weibo. Eu disse aos meus alunos sobre o que aconteceu.

Em um artigo intitulado “Podemos realmente deixar o partido fora da nossa pesquisa econômica?” Submetido à NTD em novembro de 2017, o professor Yang apontou os 20 milhões de oficiais do Partido custarão ao país 2 trilhões de yuans chineses (aprox. US$ 291 bilhões) anualmente apenas para mantê-los.

Os comentários de Yang revelam a corrupção dos funcionários do partido e o desvio de fundos do Estado.

Além disso, o fato dele manter contato com a NTD, uma mídia global de notícias e entretenimento sediada em Nova York que é proibida na China e fornece notícias verdadeiras sobre a perseguição ao Falun Gong – uma prática de meditação pacífica que se tornou popular demais para o gosto do Partido nos anos 90 –  tem chamado a atenção do partido.

Praticantes do Falun Gong meditando em Shenyang, China, 1998 (© Minghui)
Praticantes do Falun Gong meditando em Shenyang, China, 1998 (© Minghui)

Em uma análise mais detalhada, que foi publicada no recém deletado blog do Sina criado por Yang, ele escreveu: “Enquanto nada mudar, a sociedade que tem que sustentar as autoridades do governo acabará em colapso”.

Como Yang não tinha mais nenhuma plataforma com a qual pudesse ser ouvido na China, ele entrou no Twitter, que é inacessível na China sem uma VPN – Rede Privada Virtual -, e twittou: “Quanto mais eu penso, mais angustiado me torno. É difícil buscar a verdade; é difícil falar a verdade; e é difícil ser uma pessoa verdadeira. Ser capaz de nos expressar livremente, sem terror, é o nosso sonho”.

Yang tinha sido uma pedra no sapato do Partido Comunista por muito tempo, e seu último tweet, incluindo seu artigo enviado à NTD, provou ter ido longe demais.

Professor Yang Shaozheng (©Vídeo Captura de tela | NTD)
Professor Yang Shaozheng (©Vídeo Captura de tela | NTD)

Seus blogs do Sina e WeChat foram apagados, suas aulas foram excluídas, a universidade o expulsou, ele foi proibido de ensinar e seus apelos foram ignorados.

Alguns dias atrás, em 23 de agosto, o professor Yang e sua família foram interceptados na fronteira entre China e Hong Kong, no porto de Shenzhen Luohu, quando estavam a caminho de visitar parentes. Ele foi abordado por ter cometido “um grande crime” e foi proibido de sair do país.

“Uma das razões é que aceitei entrevistas de meios reacionários estrangeiros”, disse Yang ao Epoch Times.

“Mídia reacionária” é o jargão partidário para qualquer mídia não controlada pelo Estado, como a Rádio Free Asia e a NTD, que relatam com verdade a corrupção do regime chinês e os abusos dos direitos humanos.

A batalha contínua do professor Yang para falar a verdade sob um sistema totalitário destaca a difícil situação das 1,3 bilhões de pessoas do país e levanta a questão sobre quando será garantida a liberdade de expressão.

E se você pensou que o regime chinês estava apenas tentando silenciar seus próprios cidadãos, pense novamente.

Assista a entrevista com Clive Hamilton abaixo:

 
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