Preso por sua fé, homem morre em prisão chinesa após um ano encarcerado

Um cidadão da província de Anhui, na China, morreu em circunstâncias misteriosas um ano depois de ser preso por causa de suas crenças espirituais.

Ye Guangping praticava Falun Dafa, também conhecido como Falun Gong, uma antiga prática de desenvolvimento pessoal que inclui meditação e viver a vida de acordo com os princípios da Verdade, Compaixão e Tolerância. Os benefícios da prática para a saúde física e mental levaram à sua grande popularidade, com 70 milhões de adeptos na China de acordo com uma pesquisa estatal feita em 1999. Os praticantes dizem que o número já atingiu mais de 100 milhões.

Mas a popularidade do Falun Gong foi percebida como ameaça à ideologia autoritária do Partido Comunista Chinês e o regime lançou então uma perseguição nacional contra os praticantes em 1999. O Centro de Informação do Falun Dafa — departamento oficial de imprensa do Falun Gong — calcula que milhões de praticantes já foram presos e detidos na China desde que a perseguição começou, muitas vezes sofrendo tortura e abusos enquanto presos.

O praticante Ye Guangping foi preso em 7 de setembro de 2015 às 7 horas da manhã. A polícia local e agentes de segurança pública invadiram sua casa e o levaram à força, assim como sua esposa e filha, para o centro de detenção de Lu’an.

Meses depois, Ye foi condenado a quatro anos de prisão por sua contínua fé na prática do Falun Gong. Em outubro de 2016, ele foi levado para a prisão número três da cidade de Suzhou, na província de Anhui.

Há muito se sabe que nessa prisão os praticantes do Falun Gong são torturados e abusados até a morte, de acordo com Minghui.org, site com sede nos Estados Unidos que monitora a perseguição na China. Muitos dos presos de lá denunciam os maus tratos sofridos nas mãos dos guardas da prisão. Os prisioneiros recebem apenas um pedaço de massa cozida como refeição, mas são obrigados a praticar exercícios militares diariamente. Os praticantes que tentam fazer os exercícios do Falun Gong são algemados e espancados, inclusive com bastões elétricos. Eles também são submetidos todos os dias a sessões de lavagem cerebral, além de serem obrigados a assistir vídeos e ler livros com propaganda que ataca a prática do Falun Gong. Esta forma de tortura tem como objetivo forçá-los a renunciar à sua fé. Se os praticantes se recusam a isso, são muitas vezes espancados com bastões elétricos por longos períodos de tempo.

A família de Ye recebeu um telefonema da prisão em 8 de outubro, dizendo que ele havia desmaiado devido a um aumento da pressão arterial que aconteceu enquanto fazia trabalhos manuais.

Mais tarde, o hospital disse à família que Ye havia sofrido uma hemorragia cerebral e entrado em coma.

Ao meio dia do dia 13 de outubro, o hospital informou à família que seu coração parou de bater e o declararam morto.

As autoridades penitenciárias não permitiram que a família guardasse e nem mesmo visse os registros hospitalares. Também não permitiram que tirassem fotos do corpo.

Os membros da família informaram ao Minghui.org que toda a parte de trás de seu corpo tinha uma coloração arroxeada. Eles suspeitam de que Ye tenha sido torturado até a morte.

Ye estava saudável antes de sua prisão e não tinha problemas de pressão arterial. A prisão pediu que o corpo de Ye fosse cremado imediatamente, uma tática muito usada para destruir evidências físicas de tortura ou abusos no corpo do preso morto.

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