Premiê tibetano no exílio busca ‘autonomia genuína’ do Partido Comunista Chinês

Lobsang Sangay, primeiro-ministro tibetano no exílio, durante uma conferência de imprensa em Nova Déli, Índia, em 29 de janeiro de 2013. Ele disse em Washington recentemente que espera ter diálogos pacíficos com o regime chinês sobre ‘autonomia genuína’ para a região (Sajjad Hussain/AFP/Getty Images)

Lobsang Sangay, chefe do governo exilado do Tibete, atualmente na Índia, disse durante uma visita recente dos EUA que os protestos de autoimolação acabarão se Pequim afrouxar o controle sobre a região, com o que ele descreveu como uma “política do caminho do meio”.

Mais de 100 pessoas no Tibete, que está ocupado pela China, se puseram em chamas desde 2009, incluindo mulheres e jovens.

Em resposta, o regime comunista intensificou sua política linha-dura, criminalizando as autoimolações e qualquer assistência, incluindo a prisão daqueles que providenciaram o funeral dos mortos.

Em 8 de maio, Sangay participou num evento do Conselho das Relações Exteriores, um instituto de pesquisa independente baseado em Washington, enfatizando que o Tibete não “desafia a soberania ou a integridade territorial da China”.

“O que buscamos é autonomia genuína, conforme a Constituição chinesa. Em suma, se o governo chinês implementar sua própria lei, assumiremos isso como uma verdadeira autonomia”, disse Sangay.

“Isso, pensamos, é uma solução moderada e razoável, uma proposição em que tanto o governo chinês como o povo tibetano ganham.”

Sangay disse que sua administração quer ver os tibetanos assumindo posições de tomada de decisão na região, particularmente o papel de secretário do Partido Comunista Chinês (PCC), e ter melhores oportunidades.

“Não desafiamos ou pedimos a derrubada do PCC. Não questionamos ou desafiamos a atual estrutura do regime do PCC”, acrescentou ele.

Sangay disse que a liderança exilada compartilha solidariedade pelos desesperados que persistem com as autoimolações, embora desencoraje essas atitudes drásticas.

“Os 117 autoimoladores não prejudicaram uma única alma nem mesmo uma pessoa, restaurante ou bicicleta chineses”, disse ele. “Mesmo neste momento doloroso, trágico e sofrido, eles se restringem a não ferir ninguém.”

“Essa grande restrição que os tibetanos se impõem é uma indicação clara e um reflexo do fato de que subscrevemos a não-violência”, acrescentou Sangay.

Entre 2002 e 2010, enviados do Dalai Lama se reuniram com autoridades do regime chinês, mas sem qualquer mudança na situação. Desde então, nos últimos três anos, houve impasses em todas as discussões.

O cientista social Barry Sautman da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong disse ao Diário da Manhã do Sul da China que os comentários de Sangay sugerem que a administração tibetana está pronta para negociar e aceita submeter-se ao regime comunista.

“O governo tibetano no exílio quer parecer razoável e reabrir os diálogos”, disse Sautman. “Eles querem ver se o governo chinês estaria disposto a tentar algo novo ou modificar as pré-condições para as negociações que o governo chinês tem imposto há muitos anos.”

Jiang Zhaoyong, um especialista em assuntos étnicos chineses baseado em Pequim, disse ao Diário que não espera resposta do PCC, “Pequim não considerará seus comentários seriamente ou fará mudanças significativas.”

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