Prefeito de Jerusalém se diz otimista com o futuro da cidade

Prefeito de Jerusalém, Nir Barkat, na prefeitura da cidade em 17 de outubro (Adar Yiron / The Epoch Times)

JERUSALÉM, Israel – Nir Barkat tem uma visão para Jerusalém que depende muito da presença de guindastes de construção.

“Basta olhar”, disse Barkat apontando para os guindastes e gruas a mostra no horizonte da sacada de seu escritório na Câmara Municipal durante recente entrevista ao The Epoch Times, edição de Israel. “Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito diferentes locais de construção. E isso é somente o que se pode ver daqui.”

Esse discurso é típico dele. O prefeito Barkat se aproxima do fim de seu mandato de quatro anos servindo a capital de Israel (ele planeja se reeleger). O ex-empresário tornou-se um torcedor da cidade assim como um funcionário público e político.

Em entrevistas à imprensa e durante aparições públicas, ele quase nunca perde a chance de enaltecer o progresso que a cidade tem tido durante seu mandato.

“É uma missão ser um servidor público”, afirma o prefeito, por governar uma cidade de 800 mil habitantes (10% da população de todo o país), dos quais 293 mil são árabes. “Eu amo cada minuto, mesmo que seja difícil. A razão pela qual eu quero me candidatar novamente é para fazer a diferença. Sei que já estou fazendo a diferença, especialmente quando se sente que ao servir o público pode-se mover a agulha na direção correta. ”

Embora o entusiasmo de Barkat possa ser contagioso e convincente, dados que medem o real progresso da cidade contam uma história um pouco diferente. De acordo com os dados mais recentes disponíveis pela organização sem fins lucrativos, Instituto Jerusalém para Estudos de Israel (JIIS), a partir de 2008 (ano em que Barkat iniciou o seu primeiro mandato como prefeito) até 2010, a agulha mal se moveu. O percentual de projetos de construção concluídos em Jerusalém durante esse período mantiveram-se praticamente o mesmo.

Entretanto, as atividades comerciais na cidade, que mensuram significativamente a força econômica de uma área urbana, mostraram alguma melhora durante o mesmo período. Entre 2008 e 2010, o número de empresas em Jerusalém aumentou de 33.500 para 34.700. Esse avanço foi menor do que em outros centros urbanos do país como em Haifa e Tel Aviv.

Jerusalém se sobressai do resto do país na probabilidade de que um negócio, uma vez aberto, sobreviva aos seus primeiros cinco anos. Isso é uma boa notícia para Barkat, que planeja manter o ritmo.

“Acho que são enormes o crescimento e as oportunidades em Jerusalém”, disse Barkat. “As pessoas estão procurando novos negócios, e é isso o que realmente se deseja. Onde o crescimento está: é aí que se deve colocar o seu dinheiro e investimentos [em Jesuralém]”.

Transformando a cidade com a cultura

Uma das atuais realizações, a qual mais se orgulhosa Barkat, é sua afirmação de que Jerusalém teve “quatro vezes mais eventos culturais” em 2012 do que em 2011. É quase impossível verificar esses dados e o município não está diretamente envolvido com todos os eventos culturais, mas de fato em 2012 ocorreu a introdução de vários grandes eventos culturais, incluindo a Conferência Internacional de Música de Jerusalém, a Cidade de Gelo, e a continuação de eventos anuais, como a Festa do Vinho de Jerusalém, o Festival de Cinema, o Festival da Cerveja, e a Estação da Cultura, entre outros.

A maioria dos eventos culturais da cidade está no lado oeste da cidade (excluindo o núcleo da Cidade Velha), e não em Jerusalém Oriental, que é predominantemente habitada pelos 293 mil moradores árabes. Mas Barkat diz que vê a diversidade da cidade como um ponto forte e uma fonte de atração, e não uma fraqueza.

“Você anda pelas ruas e vê tantas pessoas diferentes de você; vê muçulmanos, cristãos, ultra-ortodoxos, seculares, turistas, moradores, e tudo está funcionando”, disse Barkat. “Minha visão é expandir isso.”

Para ele, expansão significa abrir Jerusalém para “o mundo desfrutá-la”. Barkat não quer apenas explorar os pontos turísticos de Jerusalém, mas também os valores da cidade, sua história, religião e cultura.

“Jerusalém não é apenas uma cidade para seus moradores”, ele disse. “Eu me lembro disso todos os dias ao acordar.”

Ele acrescenta que parte de sua visão para a cidade é torná-la um lugar mais convidativo com exemplos de sucesso, criando mais oportunidades para os empresários.

“Uma vez que mais empresários venham, as oportunidades se tornam melhores e se auto-desenvolvem. Cultura e turismo são auto-sustentáveis e aumentam as oportunidades para a cidade”.

Uma atração para os turistas

Além de seu otimismo inebriante sobre a construção e as oportunidades futuras para os empresários, o verdadeiro amor de Barkat parece ser o turismo. Sua administração estabeleceu a ambiciosa meta de atrair 10 milhões de visitantes para a cidade a cada ano. Ele diz que já dobrou o número de visitantes de 2 milhões ao ano para 4 milhões ao ano durante seu primeiro mandato.

Mas as pesquisas e os dados do Bureau Central de Estatísticas (CBS), do Instituto Jerusalém para Estudos de Israel (JIIS), e do Ministério do Turismo de Israel não correspondem números de Barkat. De acordo com as estatísticas do Ministério do Turismo, cerca de 2,8 milhões de pessoas visitaram Jerusalém em 2011.

O número da CBS e os JIIS para 2011 é ainda menor, em menos 1,34 milhões de turistas. Mas o número de estadias noturnas em 2011 foi de 3,85 milhões, ou seja, alguns visitantes passaram somente a noite na cidade de Jerusalém . Os dados incluem turistas nacionais e internacionais.

Várias tentativas para esclarecer as afirmações sobre os números do turismo foram feitas no gabinete do prefeito Barkat, mas a única resposta obtida da prefeitura foi um documento de declaração da Autoridade de Desenvolvimento de Jerusalém.

Independentemente do número de visitantes anuais, Jerusalém continua sendo um dos destinos mais importantes do país, perdendo apenas para Eilat no número de hotéis, pousadas e receitas geradas. Eilat é o destino turístico do país mais popular entre os residentes israelenses.

Em 2011, a receita de hotéis em Jerusalém foi aproximadamente de 1,56 bilhões de novos sheqels israelenses (cerca de US$ 4 bilhões), de acordo com os JIIS.

Barkat entende que Jerusalém é uma atração devido ao seu valor como destino único para as pessoas de todo o mundo, particularmente aos religiosos.

“As pessoas de todas as religiões e crenças podem voltar às suas origens em Jerusalém”, ele diz. “As pessoas têm muito respeito por nossa cidade”.

Apesar de seu entusiasmo em compartilhar a cidade com os visitantes, o prefeito não foi tímido ao fazer declarações públicas fortes de que Jerusalém é a “capital eterna de Israel e do povo judeu.” Mas ele admite que pessoas de todos os lugares tem forte sentimento sobre a cidade.

“Não há apatia em Jerusalém”, diz Barkat. “Os corações das pessoas estão conectados à cidade.”

E o prefeito está trabalhando para explorar essa conexão, ou o que ele chama de “coração compartilhado,” para o benefício do crescimento do turismo. Internacionalmente, Barkat passa o tempo desenvolvendo relações com países estrangeiros e comparando medidas com prefeitos de outros grandes centros urbanos, incluindo Los Angeles, Chicago e Nova York.

Paixão pela cidade

Os desafios que Barkat enfreta – divisões religiosas, pressão internacional sobre o status legal de Jerusalém e outros – não parece intimidá-lo.

“Eu amo esta cidade”, diz ele. “Essa é a razão pela qual eu quero me reeleger. Isso me dá alegria”.

Ele ressalta que Jerusalém tem uma história de ser tratada como um tesouro. Ele estima que isso será um fator determinante no futuro da cidade.

“Para entender o futuro e a visão de Jerusalém, é preciso compreender seu passado”, disse ele. ” Nossa capital nunca foi dividida em tribos. Ela foi gerida por reis. Todos se sentiram confortáveis aqui, e isso é uma filosofia que existe até hoje. ”

Olhando pela janela da prefeitura para os guindastes que erguem-se sobre os locais de construção, ele exala confiança de ter a cidade no caminho certo. Ele afirma que os projetos de construção são a prova disso. “As pessoas constroem porque acreditam no futuro”, complementa o prefeito.

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