Publicado em - Atualizado em 12/11/2013 às 21:33

Pré-sal: Chineses avançam sobre Bacia de Campos

Hispânico-chinesa Repsol Sinopec Brasil SA recebe licença do Ibama para explorar na maior província petrolífera do país

Jose Maria Moreno, representante da Repsol, fala na Rio Oil and Gas Expo and Conference, no Rio de Janeiro em setembro de 2012, e Wang Jiming, presidente da Sinopec, em visita à Arábia Saudita em março de 2004 (Antônio Scorza e Bilal Qabalan/AFP/GettyImages)

Jose Maria Moreno, representante da Repsol, fala na Rio Oil and Gas Expo and Conference, no Rio de Janeiro em setembro de 2012, e Wang Jiming, presidente da Sinopec, em visita à Arábia Saudita em março de 2004 (Antônio Scorza e Bilal Qabalan/AFP/GettyImages)

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concedeu licença ambiental à Repsol Sinopec Brasil SA, uma das maiores companhias energéticas da América Latina, para explorar o Bloco BM-C-33, na camada pré-sal da Bacia de Campos, informou o instituto por meio de sua assessoria na sexta-feira (8).

A licença possui validade até 30 de novembro de 2017 e é condicionada ao cumprimento das condicionantes acordadas e à apresentação de relatório ambiental em até 60 dias após a perfuração marítima. Entre as condicionantes está a proibição de queimar resíduos a céu aberto e perfurar bancos de corais ou algas.

Com 35%, a Repsol Sinopec Brasil é a operadora do consórcio, compartilhado com a norueguesa Statoil (35%) e Petrobras (30%).

O grupo, que explora 16 blocos das áreas de maior potencial do pré-sal brasileiro, também cogitava compor o consórcio único que arrematou o leilão do recém-descoberto Campo de Libra, composto pela Petrobras, a anglo-holandesa Shell, a francesa Total e as chinesas CNPC e CNOOC, segundo a Reuters, mas desistiu.

Bloco BM-C-33

O Bloco BM-C-33 possui até o momento três poços: Pão de Açúcar, Seat e Gávea, e uma estimativa de volumes recuperáveis acima de 700 milhões de barris de óleo de boa qualidade e 3 trilhões de pés cúbicos de gás. O Pão de Açúcar foi descoberto pela Repsol Sinopec em abril do ano passado.

O BM-C-33 fica a 195 quilômetros da costa do Rio de Janeiro, na altura do município de Cabo Frio (RJ), ao sul da Bacia de Campos. Faz fronteira com a Bacia de Santos (15 mil km quadrados), onde foi descoberto o Campo de Libra, considerado pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) a maior área de exploração de petróleo do mundo.

No entanto, com aproximadamente 100 mil km quadrados, a Bacia de Campos, onde está localizado o bloco, ainda é a maior província petrolífera do país abrigando as maiores reservas comprovadas e respondendo por 80% da produção nacional. Vai da costa norte fluminense até o sul do estado do Espírito Santo.

Exploração do pré-sal

A camada pré-sal brasileira como um todo, incluídas as bacias de Campos e Santos, possui 149 mil quilômetros quadrados, equivalentes a três vezes a área do estado do Rio de Janeiro. Sua extensão vai do sul do Espírito Santo até o norte de Santa Catarina, passando por Rio, São Paulo e Paraná.

A produção no pré-sal já acumulou 250 milhões de barris de petróleo e gás desde 2008, quando começou a ser explorada a camada da Bacia de Campos. A produção atual (329 mil barris por dia em setembro de 2013) já está oito vezes maior que a média registrada em 2010 (42 mil por dia).

A Petrobras sustenta que, com a descoberta do pré-sal, as reservas comprovadas podem mais do que dobrar nos próximos anos e tornar o Brasil o quarto maior produtor de petróleo do mundo em 2030.

Repsol Sinopec

O consórcio hispânico-chinês Repsol Sinopec Brasil surgiu em 2010 da união da espanhola Repsol Brasil (60%), 15ª maior petroleira no ranking mundial, com a Sinopec Corp. (Companhia Petroquímica da China), que detém 40% do capital após fazer um aporte de US$ 7,1 bilhões.

A empresa sino-espanhola começou a produzir no megacampo de Sapinhoá, no pré-sal da Bacia de Santos, em janeiro deste ano, onde lidera, juntamente com a Petrobras e a inglesa BG Group, as atividades de exploração. A companhia foi uma das primeiras estrangeiras a investir em refino no Brasil após a abertura do setor (Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro) e na importação de gás, da Bolívia e Argentina para as termelétricas de Uruguaiana e Cuiabá.

Avanço chinês

A Sinopec está presente no país desde 2004, seis anos antes de associar-se à Repsol seguindo estreitamento comercial entre China e Espanha. Também conhecida como China Petroleum & Chemical Corporation, é a segunda maior petroleira da China e figura em 10º lugar entre as companhias energéticas no ranking Top 250 da Platts. Especializada em petroquímica e refino de petróleo e gás, compete com a CNOCC – terceira chinesa, especializada em exploração em alto-mar – e com a Petrochina – especializada em offshore, número um da China e principal rival interna – em aquisições na Ásia, Europa e África.

O trio de estatais chinesas também vêm expandido seu domínio na América Latina. CNPC e CNOOC abocanharam juntas, em outubro deste ano, 20% da maior área da camada pré-sal brasileira, o Campo de Libra. Elas compõem o consórcio que venceu sem concorrência oferecendo o percentual mínimo da produção à União (41,65%). A CNPC possui 86% das ações da Petrochina e ainda não operava no Brasil.

Em 2005, a Sinopec e a Petrochina já haviam formado consórcio para adquirir ativos de uma petroleira do Equador, a Encana. A Sinopec já teria também ensaiado com a CNOOC, em 2010, uma oferta por uma parte da brasileira OGX, do ex-bilionário Eike Batista.

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