Policiais e civis armados atacam manifestantes durante atividades religiosas na Nicarágua

País está passando pela pior crise política dos últimos 40 anos, desde que protestos contra o governo irromperam, onde mais de 300 pessoas perderam suas vidas e mais de 60 mil foram para o exílio denunciando ameaças de morte

Por Voice of America

Três pessoas ficaram feridas neste domingo (16), após a repressão da Polícia Nacional contra os manifestantes que tentaram tomar as ruas de Manágua a fim de exigir justiça para as mais de 300 mortes no contexto dos protestos contra o regime de Daniel Ortega. Entre os feridos está um jornalista de uma mídia digital.

“Mais uma vez a Polícia Nacional nos impediu de ocupar as ruas para protestar pacificamente. Mais uma vez a polícia está negando o acesso do povo às manifestações em espaços públicos e é isso que estamos pedindo agora porque a demanda será para pedir eleições livres”, disse um manifestante ao Voice of America.

Os eventos ocorreram no final de uma missa de ação de graças realizada na Catedral Metropolitana, localizada no centro da capital. A atividade religiosa foi convocada por diferentes organizações de oposição, entre elas a Aliança Cívica pela Justiça e Democracia.

A Aliança Cívica, que atualmente está em negociações com o regime de Daniel Ortega, repudiou em comunicado os fatos ocorridos neste final de semana. Ela também condenou os atos violentos contra manifestantes em outro templo católico localizado no oeste do país.

“Denunciamos à comunidade internacional o flagrante desrespeito pela liberdade de culto. O regime continua com suas práticas repressivas iniciadas desde abril do ano passado”, disse a Aliança Cívica.

Durante a cerimônia deste domingo na Catedral de Manágua, o padre Silvio Romero denunciou que policiais à paisana entraram no templo para fotografar os paroquianos que participaram da cerimônia.

“Pedimos que eles deixem os fiéis entrarem. Eu sempre me lembro da Constituição Política: liberdade religiosa. Liberdade de culto. Liberdade de consciência. Pedimos aos policiais à paisana para não fotografar as pessoas que vêm. (Manifestantes) simplesmente vêm à Eucaristia e isso não é um crime. Por isso, continuemos a rezar para que em nosso país recuperemos em breve o estado de direito”, disse o sacerdote.

A repressão policial ocorreu 24 horas depois de outra agressão contra opositores ocorrida na cidade de León, localizada no oeste da Nicarágua.

Até o momento, a polícia não se pronunciou oficialmente sobre os eventos ocorridos neste fim de semana.

A Nicarágua está passando pela pior crise política dos últimos 40 anos, desde que protestos contra o governo irromperam, onde mais de 300 pessoas perderam suas vidas e mais de 60 mil foram para o exílio denunciando ameaças de morte.

 
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