Polícia enfrenta 10.000 que tentam impedir construção de centro médico

Segundo testemunhas, a violenta repressão policial de um protesto em 18 de novembro contra um novo centro médico na capital da província chinesa de Hainan provocou uma resposta furiosa dos manifestantes. Mais de 10 viaturas policiais foram reviradas e destruídas e cerca de 100 manifestantes ficaram feridos.

Na manhã de 18 de novembro, milhares de moradores se reuniram para protestar no local da construção de um grande centro para o tratamento de doenças de pele, doenças sexualmente transmissíveis, tuberculose e hanseníase, no município de Sanjiang, na cidade de Haikou, capital da ilha-província de Hainan.

Embora o projeto financiado pelo Estado prometa que tenha capacidade de tratamento de esgoto e seja ambientalmente amigável, muitos moradores locais não confiam nas promessas do Estado e temem a poluição por resíduos hospitalares e a propagação de doenças.

A mídia estatal e testemunhas oculares ofereceram relatos diferentes sobre o que ocorreu após a chegada dos manifestantes.

A mídia estatal informou que depois que os manifestantes tentaram derrubar as estruturas no local de construção, eles entraram em confronto com a polícia, resultando em cinco autoridades, um policial e dois manifestantes feridos.

A mídia estatal relatou que os manifestantes quebraram 10 viaturas policiais e mostraram um vídeo feito por um policial com um telefone celular retratando moradores indignados que perseguiam e atiravam pedras na polícia. As autoridades locais pediram à segurança pública que punisse rigorosamente os manifestantes que agiram violentamente.

Segundo testemunhas locais, os manifestantes só se mobilizaram para derrubar a estrutura horas depois de a polícia atacá-los.

Uma moradora local de sobrenome Han indicou que mais de mil policiais e tropas de choque começaram a atacar e prender os manifestantes cerca de 6 horas da manhã de 18 de novembro. “[A polícia] espancou inclusive os idosos, mulheres e crianças”, disse a sra. Han ao Epoch Times numa entrevista por telefone.

Manifestantes se posicionam perto de um veículo policial revirado em Haikou, província de Hainan, China, em 18 de novembro. Um protesto em massa contra a construção de um centro médico em Haikou se transformou num confronto com a polícia, envolvendo balas de borracha e viaturas policiais reviradas (Imagem da internet)
Manifestantes se posicionam perto de um veículo policial revirado em Haikou, província de Hainan, China, em 18 de novembro. Um protesto em massa contra a construção de um centro médico em Haikou se transformou num confronto com a polícia, envolvendo balas de borracha e viaturas policiais reviradas (Imagem da internet)

Por volta das 9h, os manifestantes começaram a destruir o muro do canteiro de obras, e a polícia disparou gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os manifestantes, segundo testemunhas locais.

“Um amigo meu correu para a linha de frente. Um policial da tropa de choque sacou uma arma e atirou em sua cabeça com uma bala de borracha. [Meu amigo] caiu no chão imediatamente e ficou imóvel”, disse o sr. Shen., testemunha ocular do conflito, ao Epoch Times numa entrevista por telefone. O sr. Shen disse que seu amigo ainda está em estado crítico no hospital.

A violenta repressão por parte da polícia atraiu mais moradores locais para se juntarem ao protesto, com mais de 10 mil pessoas reunidas no canteiro de obras à tarde, incluindo jovens estudantes do ensino médio.

À medida que mais e mais policiais eram enviados ao local para reprimir violentamente os manifestantes, estes começaram a esmagar as viaturas da polícia e revirá-las, disse o sr. Shen.

Fotos mostram que pelo menos três grupos diferentes da polícia estavam no local, incluindo a polícia de choque com capacetes, escudos e cassetetes, policiais militar e funcionários regulares da segurança pública.

Cerca de 100 moradores foram feridos e mais de 20 foram presos pela polícia, disseram testemunhas locais. O sr. Shen disse que o hospital da cidade está repleto de moradores feridos devido ao confronto.

O incidente ainda não acabou e policiais continuam a prender mais pessoas envolvidas no protesto. “Agora, nossa internet é censurada. Se as mensagens online de nossos [moradores] forem compartilhadas mais de 500 vezes, a polícia prende as pessoas que as publicam”, disse a sra. Han.

O projeto de construção do centro médico foi interrompido em agosto passado, devido à forte oposição dos moradores locais. No entanto, sem uma solução ou acordo entre as autoridades e os moradores locais, a construção começou novamente este ano e a disputa se intensificou.

O governo da cidade de Haikou afirmou após o incidente que a construção não continuará antes que haja um consenso com os moradores locais, segundo a mídia estatal.

 
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