Polícia Civil e Ministério Público investigam greve dos ônibus em SP

A Polícia Civil e o Ministério Público do estado de São Paulo abriram inquéritos para apurar a ocorrência de crimes na greve-surpresa de motoristas e cobradores de ônibus realizado nesta terça e quarta-feira (20 e 21), quando 16 terminais fecharam as portas, afetando mais de 200 mil passageiros e causando um caos na cidade. Também será investigada a paralisação do último dia 12, quando 19 linhas e 224 coletivos foram suspensos pela categoria.

De acordo com a Secretaria Estadual de Segurança Pública, os líderes do Sindicato dos Motoristas de São Paulo foram intimados a depor por atentar contra o funcionamento de outro meio de transporte público, ameaçando sua segurança. Segundo a secretaria, “não cabe à PM a remoção de ônibus que tenham sido abandonados por manifestantes nas vias públicas”. Responsabilidade esta atribuída às “autoridades de trânsito”, termina a nota, afirmando que a PM reforçou seu efetivo nos terminais para evitar tumultos.

O Ministério Público deve apurar a insurgência grevista, que não teve uma liderança clara. “Chegou ao conhecimento desta Promotoria de Justiça que a Polícia Militar do Estado de São Paulo não estaria cumprindo determinação judicial para manutenção do funcionamento do trafego de ônibus na cidade. Portanto, não houve pronta intervenção em movimento grevista realizado por funcionários da VIP Transportes no dia 12 de maio, na Estrada do M’Boi Mirim, que ocasionou a interrupção do trânsito na região”, escreveu na justificativa do inquérito o promotor César Dario Mariano. A viação VIP Transportes é uma das nove empresas responsáveis pelo transporte público na Zona Sul da capital de São Paulo.

Para César Mariano, cabe à Polícia Militar preservar o direito de ir e vir da população, podendo inclusive empregar força se justificável, para a desobstrução das vias. O promotor instou assim o comando da PM e a Secretaria de Segurança Pública a se explicarem dentro de dez dias.

O segundo inquérito do MP paulista, conduzido pelo promotor Maurício Antonio Ribeiro Lopes, também deduz que as paralisações se arrastam desde o dia 12. Ele convoca o delegado-geral de polícia para a “apuração de eventuais crimes relacionados às condutas dos motoristas, cobradores e outros trabalhadores envolvidos” na paralisação.

Lopes solicita o mesmo ao superintendente da Polícia Federal de São Paulo, e também exige da Secretaria Municipal de Transportes o fornecimento de toda a documentação referente às ocorrências “com máximo detalhamento possível sobre as causas, consequências e especialmente a indicação da população usuária que for diretamente afetada pela paralisação e elaboração de cálculos, mensurando em valores segundo metodologia usualmente empregada para esse fim, do prejuízo acarretado a cidade pela paralisação”. O promotor de Justiça estabeleceu o prazo de dez dias para que as referidas instâncias se pronunciem.

 
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