Poderoso banqueiro chinês escolhe o lado errado na política e é remanejado

Chen Yuan (esquerda), ex-diretor do Banco de Desenvolvimento da China, e Zhou Xiaochuan (direita), recém-nomeado vice-presidente da Conferência Consultiva Política Popular (CCPP), deixam a sessão de encerramento da reunião anual da CCPP em Pequim em 12 de março de 2013 (Feng Li/Getty Images)

Chen Yuan, presidente do Banco de Desenvolvimento da China (BDC) e filho de Chen Yun, o economista-chefe de Mao Tsé-tung, foi recentemente remanejado de sua posição de alto escalão no BDC, que administra ativos de quase US$ 1 trilhão.

O rebaixamento pode ser devido ao apoio de Chen Yuan a Bo Xilai, ex-secretário do Partido Comunista Chinês (PCC) em Chongqing e membro do Politburo que foi deposto no ano passado e aguarda julgamento. A mudança também faz parte de uma mudança de poder em curso no âmbito do governo do novo líder chinês Xi Jinping.

O BDC é o maior credor político do mundo e financia grandes projetos de infraestrutura como a represa das Três Gargantas, sob a jurisdição direta de Pequim.

Chen Yuan, de 67 anos, que foi diretor do BDC por 15 anos, estabelecerá agora um banco de desenvolvimento multinacional para os BRICS – as cinco economias emergentes: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – segundo um artigo online de 11 de abril da publicação de negócios Caixin. Que posição ele terá no novo banco não está claro. A presidência do BDC deve passar para Hu Huaibang, do Banco de Comunicação.

Há especulações de que o aparente rebaixamento de Chen Yuan deve-se a sua postura pró-Bo Xilai, que ele sustentou mesmo após a queda de Bo Xilai do poder. Na semana passada, como parte do Festival Qingming em que se homenageiam os ancestrais na China, Chen Yuan prestou reverência a Bo Yibo, pai de Bo Xilai e um proeminente ex-líder do PCC que teria estreita relação com o pai de Chen Yuan, colocando uma coroa de flores que dizia “Banco de Desenvolvimento da China, Chen Yuan”.

Chen Yuan também publicou um artigo em 10 de abril no Diário do Povo, uma mídia porta-voz do regime, lembrando um discurso de 1993 do ex-líder chinês Jiang Zemin. Chen Yuan elogiava Jiang Zemin por sua “visão em utilizar o sistema de comunicação financeira para conter a corrupção”. É amplamente difundido que Jiang Zemin preparava Bo Xilai para suceder o ex-líder Hu Jintao como dirigente do PCC, ao invés do atual líder Xi Jinping.

O momento da transferência de Chen Yuan é notável, pois coincide com dois outros incidentes, que podem indicar uma mudança de poder nos altos escalões do PCC em favor da liderança de Xi Jinping.

O primeiro é o julgamento do deposto ministro das ferrovias Liu Zhijun, que está conectado à rede de Jiang Zemin, anunciado em 10 de abril. Especulações da imprensa de Hong Kong dizem que Liu Zhijun pode ser executado por seu comportamento, enquanto Xi Jinping tenta garantir uma maior fatia do poder e firmar-se em sua posição como novo líder.

Alguns dias antes, em 6 de abril, a revista Lens publicou uma reportagem sobre as torturas no Campo de Trabalho Masanjia que chocou a opinião pública chinesa e foi censurada em vários websites pouco depois. Os campos de reeducação pelo trabalho forçado são notórios pela detenção de praticantes da disciplina de meditação do Falun Gong como parte de uma campanha de perseguição massiva lançada por Jiang Zemin em 1999 e que dura até hoje.

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