Podemos e devemos evitar o diabetes, especialmente educando as crianças

Pipoca doce e açaí, ambos com leite condensado, frutas doces polvilhadas com açucar refinado, sucos de frutas adoçados com açucar, cupcakes, balas, refrigerantes, bolos, sorvetes, bolachas recheadas compõem uma lista interminável de guloseimas doces que têm minado a saúde das crianças, futuras candidatas ao diabetes.

E quando associamos esse mar de açucar a uma vida mais sedentária na fase adulta, à falta de exercícios e de hábitos saudáveis, temos como resultado um número enorme de pessoas afetadas pelo diabetes mellitus.

Segundo estatísticas de 2013 do Ministério da Saúde, todos os dias 500 novos casos de diabetes são diagnosticados no Brasil. Fazendo uma conta simples (500 x 365) teremos somente em 2014 mais de 180 mil novos casos de diabetes no Brasil.

Em termos mundiais, os levantamentos da Federação Internacional do Diabetes (FID) verificaram que em 2013 o número de diabéticos no mundo alcançou os 382 milhões de pessoas.

No site da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) se lê: “A cada 10 segundos uma pessoa morre de causas relacionadas ao diabetes. O diabetes é a quarta maior causa mundial de morte por doença. O diabetes é a maior causa de falência renal em países desenvolvidos… A retinopatia diabética é a maior causa de perda de visão de adultos em idade laboral…” Estes e outros 14 ítens listados mostram que o diabetes se tornou um problema muito sério para a população mundial, dado que resulta em sintomas graves e afeta um número cada vez mais significativo de pessoas no mundo.

Mas, o diabetes é inevitável? Não, pelo contrário: o diabetes tipo 2 tem grandes chances de ser evitado.

Diabetes tipo 1 e diabetes tipo 2

Existem dois tipos de diabetes, o diabetes tipo 1 e o diabetes tipo 2.

O tipo 1 é uma doença auto-imune, na qual o pâncreas é atacado pelo sistema imunológico da pessoa, se tornando praticamente incapaz de produzir insulina. Já o tipo 2 se caracteriza por uma insensibilidade que as células do organismo vão desenvolvendo à própria insulina, e em alguns casos, por uma produção insuficiente de insulina pelo pâncreas.

O diabetes tipo 1 – com raríssimas exceções – leva obrigatoriamente à necessidade do uso de insulina sintética para o resto da vida, já que o corpo não produz mais insulina devido à destruição feita pelo sistema imunológico da pessoa das células do pâncreas produtoras de insulina. Por isso também é chamado de diabetes insulino-dependente.

Quanto ao diabetes tipo 2, ele se desenvolve ao longo da vida, devido aos maus hábitos alimentares e ao estilo de vida pouco saudável.

O que parece estar em jogo no caso do diabetes tipo 2 é o uso excessivo das funções hormonais do pâncreas (para a produção da insulina e glucagon). Devido ao consumo constante e excessivo de açucar e carboidratos refinados, o pâncreas secreta insulina em demasia, o que esgota suas funções hormonais, além de saturar todo o organismo e suas células com insulina, o que torna, com o tempo, as células refratárias ou insensíveis à insulina. Não podemos esquecer que o pâncreas também está diretamente envolvido no metabolismo das gorduras e das proteínas , já que produz enzimas para metabolizá-las. Por isso, as pessoas que tendem a comer em demasia, em especial carboidratos refinados e gorduras, tendem a exaurir e danificar o pâncreas e são candidatas ao diabetes tipo 2.

Então, no caso o surgimento do diabetes tipo 2 a responsabilidade parece ser praticamente toda do indivíduo, já que é o desregramento alimentar – comer excessivamente, e em especial, doces, massas e gorduras – que esgota as funções do pâncreas. Quando a pessoa muda seus hábtios alimentares, passando a ter uma alimentação mais saudável, reduzindo ao máximo a ingestão de alimentos doces, massas e gorduras, comendo mais vegetais e alimentos suaves e saudáveis, e associando a isso uma vida mais saudável, com exercícios e atividades salutares, o pâncreas pára de ser sobrecarregado, alivia-se, e lentamente recupera suas funções, além de que as células do corpo vão recobrando a capacidade de receber insulina.

Evitando a sedução da indústria alimentícia e impedindo o surgimento do diabetes 

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, “Estudos mostram que exercícios físicos e dieta equilibrada previnem 80% dos casos de diabetes tipo 2.” Isso mostra que o diabetes não é uma doença inevitável, mas sim que é claramente o resultado de nosso estilo de vida descuidado, irresponsável e não-saudável. Especialmente os adultos têm total responsabilidade em evitar que as crianças e adolescentes aferrem-se a um estilo de vida desregrado e pouco saudável e se tornem futuros diabéticos.

Da mesma forma, o Ministério da Saúde e os diversos profissionais ligados à saúde pública devem orientar e educar os jovens para se tornarem adultos saudáveis e não adultos diabéticos. Apenas aumentar a disponibilidade de medicamentos para o controle do diabetes em postos de saúde e em farmácias do governo é um engodo, um trabalho feito pela metade e uma omissão que tem resultados sérios para a saúde de milhões de jovens e futuros adultos.

Pais, médicos, educadores e outros responsáveis precisam educar ativamente as crianças para uma vida e uma alimentação saudáveis, e devem servir como exemplo para elas, alimentando-se de forma saudável e tendo um estilo de vida igualmente saudável.

Todos os açucares refinados e os carboidratos refinados se tornam drogas, devido à sua alta concentração, viciando crianças e jovens, e produzem reações violentas na produção da insulina e no equlíbrio da glicemia do organismo.

Por isso, os pais, os educadores e outros responsáveis devem estar atentos e evitar a inserção de alimentos açucarados e carboidratos refinados na alimentação das crianças. Da mesma forma, devem servir e oferecer alimentos naturais e saudáveis, como os legumes e verduras, as frutas, o iogurte, o queijo, as carnes, a água, e tudo o que tiver propriedades nutritivas construtivas e equilibradas. Os carboidratos refinados – as massas, as bolachas doces, os refrigerantes, as balas e doces em geral – devem ser evitados e substituidos pelos alimentos integrais, como pães integrais, o arroz integral e outros.

Os alimentos devem, em geral, ser pouco saturados de sal, açucar, conservantes e de todo o tipo de sabores artificiais.

O sal marinho contem 82 tipos sais minerais, que são muito importantes para a formação óssea, dos sistemas nervoso e glandular dos jovens. O sal comum refinado é um desastre para as pessoas e especialmente para as crianças, porque adoece os sistemas vascular, glandular e celular. Por isso, deve-se usar o sal marinho normalmente no lugar do sal refinado.

O açucar comum refinado é extremamente prejudicial para o pâncreas e da mesma forma para os ossos, músculos, e para os sistemas nervoso e vascular; pode e deve ser substituido pelo açucar mascavo, açucar de coco, ou stévia, e estes sempre devem ser usados em pequenas quantidades (os que já são diabéticos devem apenas usar stévia). Inclusive, recentemente, estudos comprovaram que as pessoas que desenvolvem o diabetes tipo 2 têm muito mais chances de desenvolverem a doença de Alzheimer quando idosas (claro que isso também é evitável; mas dependerá de uma mudança nos hábitos alimentares e no estilo de vida da pessoa)

Já os adoçantes artificiais são péssimos para a saúde e inclusive são prejudiciais para os próprios diabéticos. Comprovou-se cientificamente que o aspartame provoca tumores cerebrais, e recentemente estudos científicos mostraram que todos os adoçantes artificiais interferem prejudicialmente no metabolismo da glicose, podendo levar, ao contrário do que se espera, à obesidade.

Sabendo de tudo isso, podemos e devemos auxiliar as crianças e jovens – assim como os adultos e idosos – a não cairem nas seduções da indústria alimentícia, e saberem diferenciar os bons dos maus alimentos, para crescerem com saúde e evitarem o desenvolvimento do diabetes.

As pessoas não precisam se tornar estóicas, amarrando seus pescoços para não ingerirem açucar, e nem mesmo os pais e responsáveis devem torturar as crianças impedindo-as definitivamente de comerem alimentos refinados e guloseimas para o resto de suas vidas. Existem momentos para darmos uma pequena liberdade aos prazeres, quando numa festa, num aniversário, num domingo, ao tomar sorvete com a família, nos permitimos desfrutar de sensações agradáveis sem sentirmos culpa e nem nos prejudicarmos.

O que não deve ocorrer, se queremos ser responsáveis e evitar danos graves à saude das crianças e adolescentes, é permitir estilos de vida desregrados, abusivos e não- saudáveis, baseados em guloseimas, fast-foods e alimentos artificiais. Quando a base cotidiana alimentar e comportamental é boa, pequenos desvios não têm grande impacto.

Boa mesa significa boa saúde.

Alberto Fiaschitello é terapeuta naturalista

 
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