Pobreza leva chineses a consumirem alimentos destinados à destruição

O nível de adulteração e falsificação de produtos é enorme na China. Em um episódio recente, quando funcionários do governo iam destruir mais de 35 toneladas de produtos adulterados, falsificados ou de baixíssima qualidade, eles foram surpreendidos por um grupo de pessoas que começaram a pegar tais produtos e levá-los para suas casas antes que os funcionários pudessem destruído os produtos.

Isto ocorreu em 11 de março, quando a prefeitura da cidade de Xuzhou, uma das maiores cidades da próspera província de Jiangsu, na costa da China, anunciou que havia acumulado 35,7 toneladas de produtos falsificados e adulterados no valor de mais de 285.000 yuan (cerca de US$ 50.000) – os quais seriam destruídos.

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Entre os produtos havia alimentos, produtos nutricionais, ingredientes alimentícios e produtos de higiene pessoal.

As autoridades locais disseram que selecionaram os produtos aproveitáveis, removeram seus rótulos e doaram-nos a grupos socialmente carentes, de acordo com a Net Popular, o site estatal chinês.

No entanto, quando as autoridades locais iam destruir o que restou, os moradores locais chegaram em massa, pegaram o que podiam e levaram, em suas cestas de bambu e sacolas de pano, para suas casas.

Segundo relatos, a polícia local tentou detê-los, mas eram em menor número para conseguir fazer isso. Algumas pessoas relataram ter feito várias viagens para levar coisas para casa.

Uma mulher local, depois de levar para sua casa caixas de realçadores de sabor adulterados (sal glutamato monossódico ou MSG), voltou ao local. Ela disse que pouco sabia sobre o perigo do uso de produtos adulterados, de acordo com a Net Popular.

“Se eu não puder usá-lo para cozinhar, vou usá-lo para alimentar os porcos”, disse a mulher, quando lhe perguntaram o que ela faria com o MSG adulterado.

Os australianos são um pouco mais “sensíveis” a produtos chineses com problemas ou adulterados. Em 12 de março, a imprensa australiana noticiou que laranjas importadas da China haviam sido mergulhadas em corante tóxico para realçar a cor. As laranjas foram rapidamente retirados das prateleiras dos supermercados australianos devido à repercussão na mídia, especialmente depois de recente episódio em que frutas congeladas importadas da China levaram a vários de casos de hepatite A em toda a Austrália.

O relógio iWatch da Apple é outro produto pirata favorito na China. Internautas chineses disseram “Temos que nos contentar com versões falsas”, referindo-se ao fato de que a maioria deles nunca conseguirá comprar um verdadeiro iWatch, feito com ouro 18 quilates, mas que certamente os funcionários do governo que destruíram os produtos podem comprar modelos iWatch de $ 10.000 a $ 17.000.

“Agora, algumas pessoas podem ter um iWatch sem ter que vender um dos meus rins”, brincou um internauta chinês.

 
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