ARTIGO - Publicado em - Atualizado em 30/11/2017 às 20:54

Planeta Terra pode enfrentar erupção vulcânica cataclísmica

A pintura "Monte Tarawera em Erupção" por Charles Blomfield, representando a erupção de 1886 no Monte Tarawera na Ilha do Norte da Nova Zelândia (Wikipedia)

A pintura "Monte Tarawera em Erupção" por Charles Blomfield, representando a erupção de 1886 no Monte Tarawera na Ilha do Norte da Nova Zelândia (Wikipedia)

O tráfego vive ruim, o trabalho vai arrastando, os preços estão subindo e os salários estagnados – e, além de tudo isso, um vulcão pode reduzir o Planeta Terra a um “estado pré-civilização”, afirmam alguns cientistas, acrescentando que tal erupção já poderia estar atrasada.

Pesquisadores das Faculdades de Ciências da Terra e Matemática de Bristol no Reino Unido calcularam a frequência com que ocorrem as maiores “supererupções” explosivas. E parece que ocorre muito mais frequentemente do que se pensava anteriormente.

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“Supererupções” podem expelir mais de mil gigatoneladas de massa em erupção. Essa quantidade de detritos poderia cobrir um continente inteiro e mudar o clima do planeta por décadas, enquanto as cinzas bloqueariam o sol.

As plantas morreriam, depois os animais. Sem alimentos, a maioria das pessoas morreria. O que restaria seria um nível de civilização da Idade da Pedra.

Análise de dados de desastre

Pesquisadores da Universidade de Bristol analisaram dados geológicos de até 100 mil anos atrás para encontrar sinais de supererupções.

Suas descobertas derrubaram o pensamento atual sobre o risco de supervulcões.

Jonathan Rougier é um professor de ciência estatística que estuda “incerteza e avaliação de riscos para coisas que podem causar danos substanciais”. Ele trabalha no projeto VOLCORE, “analisando núcleos de gelo e oceânicos para estudar o vulcanismo global em longas escalas de tempo”.

Lava expelida pelo vulcão Barðarbunga da Islândia em 2014 (Tobba Agustsdottir/CAM.ac.uk)

Lava expelida pelo vulcão Barðarbunga da Islândia em 2014 (Tobba Agustsdottir/CAM.ac.uk)

O professor Rougier disse ao jornal The Mirror: “A estimativa anterior, feita em 2004, foi que as supererupções ocorreram em média a cada 45 a 714 mil anos, confortavelmente mais do que a nossa civilização.”

“Mas, em nosso artigo que acabamos de publicar, reavaliamos esse intervalo para 5,2 a 48 mil anos, com o melhor valor sendo de 17 mil anos”.

Os primeiros sinais descobertos de assentamentos humanos permanentes são aldeias usadas por caçadores de mamute na cidade de Dolní Věstonice na República Tcheca, datadas de cerca de 23 mil a.C.

O Monte Pelée na Ilha de Martinica no Caribe (domínio público)

O Monte Pelée na Ilha de Martinica no Caribe (domínio público)

Sem qualquer sinal de uma erupção catastrófica desde então, pode-se assumir que a próxima esteja atrasada. Ou talvez não.

O prof. Rougier observou que as últimas supererupções registradas ocorreram antes da modernização da humanidade.

“No balanço geral, tivemos um pouco de sorte de não experimentar supererupções desde então”, disse ele.

Atividade vulcânica em Kyushu, Japão (geol105naturalhazards.voices.wooster.edu)

Atividade vulcânica em Kyushu, Japão (geol105naturalhazards.voices.wooster.edu)

“Mas é importante considerar que a ausência de supererupções nos últimos 20 mil anos não implica que outra [próxima] esteja atrasada. A natureza não é tão regular”, acrescentou. “O que podemos dizer é que os vulcões são mais ameaçadores para a nossa civilização do que se pensava antes.”

O Monte Pinatubo nas Filipinas entrou em erupção em 1991 (pt.wikipedia.org)

O Monte Pinatubo nas Filipinas entrou em erupção em 1991 (pt.wikipedia.org)

Grande devastação

De acordo com LiveScience, uma supererupção vulcânica poderia ter o mesmo impacto que um asteroide de 1,6 quilômetro de largura, bloqueando o sol com cinzas, refletindo seus raios e resfriando a Terra, um fenômeno chamado “inverno vulcânico”, semelhante ao conceito de “inverno nuclear”. Também são possíveis tsunamis, ou ondas gigantes, se a erupção ocorrer dentro ou perto de um oceano, de acordo com o Departamento de Geociências da Universidade de Massachusetts.

Há cerca de uma dúzia de supervulcões conhecidos hoje, muitos deles sob o oceano. Um dos maiores engloba o Parque Nacional de Yellowstone nos Estados Unidos.

O Monte Etna projetando rocha derretida (grendz.com)

O Monte Etna projetando rocha derretida (grendz.com)

O U.S. Geological Survey (USGS) diz que o supervulcão de Yellowstone entrou em erupção três vezes nos últimos 2,1 milhões de anos, primeiramente há 2,1 milhões de anos, depois há 1,2 milhão de anos e por último 640 mil anos atrás. As três erupções “foram cerca de 6 mil, 700 e 2,5 mil vezes maiores, respectivamente, que a erupção de 18 de maio de 1980 do Monte St. Helens, no estado de Washington. Juntas, as três erupções catastróficas expeliram cinzas e lava suficientes para encher o Grand Canyon.”

O Monte Kilauea no Havaí (enps-room20.wikispaces.com)

O Monte Kilauea no Havaí (enps-room20.wikispaces.com)

De acordo com o USGS, essas erupções “cobriram com detritos grande parte da metade ocidental da América do Norte com cerca de 30 centímetros de altura – várias centenas de quilômetros de distância de Yellowstone – e também com vários centímetros de espessura em distância maiores. O vento transportou aerossol de enxofre e partículas de cinzas mais leves por todo o planeta e provavelmente causou uma notável diminuição nas temperaturas ao redor do globo.”

Lava é expelida do Monte Semeru em Java Oriental na Indonésia (commons.wikimedia.org)

Lava é expelida do Monte Semeru em Java Oriental na Indonésia (commons.wikimedia.org)

De qualquer forma, não há muito que se fazer

O prof. Rougier apontou que, embora os supervulcões sejam capazes de destruição devastadora, há muitas questões mais imediatas que a humanidade deveria tratar.

“Além de melhorar a nossa compreensão sobre o vulcanismo global, nosso artigo desenvolve técnicas relativamente simples para analisar registros geológicos e históricos incompletos e propensos a erros de eventos raros”, afirmou. “Essas dificuldades são onipresentes em riscos geológicos e esperamos que nossa abordagem seja usada para reavaliar outros tipos de perigos, como terremotos.”

Cronograma do vulcanismo na Terra (pt.wikipedia.org)

Cronograma do vulcanismo na Terra (pt.wikipedia.org)

O artigo de Rougier, em coautoria com R. Steven J. Sparks, Katharine V. Cashman e Sarah K. Brown, todos da Universidade de Bristol, foi publicado no jornal Earth and Planetary Science Letters, intitulado “A relação de magnitude-frequência global das grandes erupções vulcânicas explosivas“.

NTD Television

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