Petrobras obtém financiamento de US$ 3,5 bilhões da China

A Petrobras comunicou nesta quarta-feira (1º) ter realizado um acordo de financiamento no valor de US$ 3,5 bilhões (R$ 11,2 bilhões) junto ao Banco de Desenvolvimento da China (CDB). O negócio foi fechado pelo diretor financeiro Ivan Monteiro durante sua visita ao país, conforme divulgado em reportagem da Folha.

Este é o primeiro financiamento dentro de um acordo de parceria que será executado ao longo de 2015 e 2016, conforme informou a companhia à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

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A Petrobras não divulgou as exigências e os encargos do financiamento chinês, nem se está vinculado à compra de equipamentos na China.

A companhia afirma que este contrato é um importante marco para dar continuidade à parceria estratégica entre o CDB e a Petrobras, fortalecendo as sinergias entre as economias dos dois países.

Segundo Pedro Galdi, da consultoria Independent Research, o contrato com a China chega num momento em que a companhia busca uma oportunidade para melhorar seu caixa, mesmo que isso não resolva todos os problemas completamente. Outra medida a ser adotada é a redução dos investimentos, com um corte aproximado de US$ 14 bilhões (R$ 44,5 bilhões).

“Não resolve o problema, mas é um colírio. Ajuda porque ela precisa captar recursos para alongar a dívida. Por outro lado, é uma estratégia da China para garantir a antecipação do fornecimento futuro de petróleo”, disse Galdi.

A empresa ainda está calculando os prejuízos que teve durante os anos que sofreu com a corrupção, por isso ainda não foi possível divulgar seu balanço auditado de 2014.

Em maio de 2009, durante a crise global e o fechamento do mercado de capitais naquela época, a Petrobras também negociou um empréstimo com o CDB, que tem como exigência para a efetivação do negócio a aquisição de bens e serviços chineses.

Naquela ocasião, a estatal conseguiu um empréstimo de US$ 10 bilhões com prazo de dez anos, com a garantia para a China de um fornecimento futuro de petróleo. O dinheiro seria empregado no plano de investimento da estatal brasileira e incluía a compra de bens de capital e serviços de empresas da China.

Como forma de manter seu crescimento econômico, a China visa sempre ter acesso a reservas de petróleo e ter o abastecimento garantido do produto em um longo período de tempo. O contrato de 2009 incluía o aumento das exportações de petróleo do Brasil para a Unipec Asia, empresa subordinada à Sinopec.

 
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