Pesquisadora denuncia censura após artigo analisar eventos adversos das vacinas da COVID-19

O artigo também chamou as vacinas de 'produtos biológicos injetáveis' – uma referência ao fato de serem distintas de todas as outras vacinas tradicionais

Por Petr Svab 

Jessica Rose não pediu nada disso. Ela começou a analisar dados sobre reações adversas após as vacinas contra a COVID-19 simplesmente como um exercício para dominar um novo software. Mas ela não podia ignorar o que viu e decidiu publicar os resultados de sua análise. A próxima coisa que ela soube foi que ela estava em um “mundo bizarro”, declarou ela ao Epoch Times.

Um artigo que ela escreveu em coautoria com base em sua análise foi retirado pela Elsevier, a empresa que publica a revista acadêmica que publicou o artigo, sob circunstâncias que levantaram sobrancelhas entre seus colegas. A editora não quis comentar o assunto.

Rose recebeu seu PhD em biologia computacional pela Universidade Bar-Ilan em Israel. Após terminar seu pós-doutorado em dinâmica molecular de certas proteínas, ela estava em busca de um novo desafio. Mudando para um novo software de computação estatística, ela estava procurando um conjunto de dados interessante para aprimorar suas habilidades. Ela escolheu o Sistema de Notificação de Eventos Adversos de Vacinas (VAERS, em suas siglas em inglês), um banco de dados de notificação de problemas de saúde que ocorreram após a vacinação e podem ou não terem sido causados ​​por ela.

Uma enfermeira administra uma vacina contra o vírus do PCC a um membro da equipe de saúde e cuidados no Hospital NHS Louisa Jordan, em Glasgow, na Escócia, no dia 23 de janeiro de 2021 (Jane Barlow/PA)
Uma enfermeira administra uma vacina contra o vírus do PCC a um membro da equipe de saúde e cuidados no Hospital NHS Louisa Jordan, em Glasgow, na Escócia, no dia 23 de janeiro de 2021 (Jane Barlow/PA)

Ela afirma que não estava procurando nada em particular nos dados.

“Eu não entro com perguntas”, afirmou ela.

O que ela encontrou, no entanto, foi perturbador para ela.

O VAERS está em vigor desde 1990 para fornecer um sinal de alerta precoce de que pode haver um problema com uma vacina. Qualquer pessoa pode enviar os relatórios, que são verificados quanto a duplicatas. Eles são em grande parte arquivados por profissionais da saúde, com base em pesquisas anteriores. Normalmente, haveria cerca de 40.000 relatórios por ano, incluindo várias centenas de mortes.

Mas com a introdução das vacinas contra a COVID-19, os relatórios do VAERS aumentaram. No dia 7 de janeiro, havia mais de um milhão de relatos, incluindo mais de 21.000 mortes. Outras questões notáveis ​​incluem mais de 11.000 ataques cardíacos, quase 13.000 casos de paralisia de Bell e mais de 25.000 casos de miocardite ou pericardite.

Rose achou os dados alarmantes, apenas para perceber que as autoridades e até alguns especialistas geralmente os descartavam.

“Claramente, não há preocupação [entre essas autoridades e especialistas] com as pessoas que estão sofrendo eventos adversos”, afirmou ela.

Os argumentos usuais contra os dados do VAERS são que não são verificados e não são confiáveis.

Rose, no entanto, vê esses argumentos como irrelevantes – o VAERS nunca foi feito para fornecer respostas definitivas, é para dar um aviso antecipado e, na opinião dela, está fazendo exatamente isso.

“Está emitindo tantos sinais de segurança e eles estão sendo ignorados”, declarou.

Uma captura de tela da página inicial do Sistema de Notificação de Eventos Adversos de Vacinas (VAERS), que é co-patrocinado pelo CDC, FDA e HHS (Captura de tela/Epoch Times)
Uma captura de tela da página inicial do Sistema de Notificação de Eventos Adversos de Vacinas (VAERS), que é co-patrocinado pelo CDC, FDA e HHS (Captura de tela/Epoch Times)

Ela se juntou ao Dr. Peter McCullough, internista, cardiologista e epidemiologista, para escrever um artigo sobre relatos de miocardite em jovens pelo VAERS – um problema já reconhecido como um efeito colateral da vacinação, embora geralmente descrito como raro.

Em 9 de julho, eles encontraram 559 relatos de miocardite do VAERS, 97 entre crianças de 12 a 15 anos. Alguns deles podem estar relacionados à própria COVID, que também pode causar problemas cardíacos, mas havia muitos casos para descartar a probabilidade das vacinas estarem envolvidas, segundo os autores.

“Dentro de 8 semanas da oferta pública de produtos da COVID-19 para a faixa etária de 12 a 15 anos, encontramos 19 vezes o número esperado de casos de miocardite nos voluntários de vacinação em relação às taxas de miocardite de base para essa faixa etária”, afirmou o artigo.

Após duas semanas, no dia 15 de outubro, o artigo desapareceu do site da editora, substituído por um aviso de “Remoção Temporária”. Não apenas os autores não foram informados do motivo, como também não foram informados de qualquer maneira, de acordo com Rose.

“É sem precedentes aos olhos de todos os meus colegas”, declarou ela.

Quando eles trouxeram o assunto para a editora, eles foram informados de que o artigo foi retirado porque não foi “convidado”, relatou Rose. Isso foi descartado como irrelevante por McCullough, que ameaçou processar por quebra de contrato. A editora então voltou-se para seus termos de uso, afirmando que tem o direito de recusar qualquer artigo por qualquer motivo.

Jéssica Rose (Cortesia de Jessica Rose)
Jéssica Rose (Cortesia de Jessica Rose)

Ainda não está claro por que o artigo foi retirado.

“Peço desculpas, mas a Elsevier não pode comentar sobre esta consulta”, declarou Jonathan Davis, oficial de comunicações da editora, em um e-mail para o Epoch Times.

No final de novembro, o artigo foi substituído por um aviso de que o “artigo foi retirado a pedido do(s) autor(es) e/ou editor”.

“Parece uma censura estranha que não é realmente justificada”, afirma Rose.

As conclusões do artigo não são necessariamente controversas. Um estudo dinamarquês recente concluiu, por exemplo, um risco elevado de miocardite em jovens após a vacina da Moderna contra a COVID.

É comum, no entanto, mesmo para artigos que examinam possíveis problemas com as vacinas enquadrar seus resultados de uma maneira que ainda endosse a vacinação.

“Isso é o que você tem que dizer para publicar seu trabalho hoje em dia”, informou Rose.

Seu artigo não fez tal coisa.

“Como parte de qualquer análise de risco/benefício que deve ser concluída no contexto de produtos experimentais, os pontos aqui descritos devem ser considerados antes que uma decisão possa ser tomada em relação a concordar com injeções de 2 doses desses produtos experimentais da COVID-19, especialmente em crianças e de forma alguma, o consentimento dos pais deve ser dispensado em qualquer circunstância para evitar que crianças se voluntariem para injeções com produtos que não tenham segurança ou eficácia comprovadas”, afirmou o artigo.

O artigo também chamou as vacinas de “produtos biológicos injetáveis” – uma referência ao fato de serem distintas de todas as outras vacinas tradicionais.

Uma vacina tradicional usa “patógenos inteiros vivos ou atenuados”, enquanto as vacinas contra a COVID utilizam “mRNA em nanopartículas lipídicas”, explicou Rose por e-mail. Ela afirmou que as nanopartículas lipídicas incluem “lipídios catiônicos que são altamente tóxicos”. A Pfizer, fabricante da vacina contra a COVID-19 mais popular em muitos países, abordou a questão afirmando que a dose é suficientemente baixa para garantir “uma margem de segurança aceitável”, de acordo com a autoridade europeia de medicamentos, o Comitê de Medicamentos para Uso Humano (pdf).

Rose também observou que as vacinas contra a COVID-19 não passaram “pelos 10 a 15 anos de testes de segurança pelos quais as vacinas sempre tiveram que passar … por razões óbvias”.

A essa altura, Rose não é mais uma observadora desapaixonada. Ler inúmeros relatórios do VAERS apresentou a ela uma visão das dificuldades daqueles que acreditam terem sido prejudicados pelas vacinas.

“Falo por todas essas pessoas”, afirmou ela.

Um residente de medicina fica em uma área de espera antes de receber uma dose da vacina Pfizer-BioNTech contra a COVID-19 em um hospital em Aurora, no Colorado, no dia 16 de dezembro de 2020 (Michael Ciaglo/Getty Images)
Um residente de medicina fica em uma área de espera antes de receber uma dose da vacina Pfizer-BioNTech contra a COVID-19 em um hospital em Aurora, no Colorado, no dia 16 de dezembro de 2020 (Michael Ciaglo/Getty Images)

No passado, 50 notificações de mortes no VAERS levariam as autoridades a pisar no freio e investigar, relatou Rose. Na opinião dela, isso deveria ter acontecido com as vacinas contra a COVID-19 há um ano.

Não só isso não aconteceu, como também não está claro o que seria suficiente para convencer as autoridades a fazê-lo.

“Qual é o número de corte para o número de mortes?” Rose perguntou.

O contra-argumento é que as vacinas salvam mais vidas do que custam. Mas, na opinião de Rose, essa lógica é falha, pois as vacinas não existem há tempo suficiente e são estudadas minuciosamente o suficiente para dizer quantas vidas podem custar.

Sabe-se, no entanto, que o VAERS subestima os eventos adversos após a vacinação – por um fator entre 5 e até 100, com base em algumas estimativas.

O envio de um relatório VAERS leva cerca de 30 minutos e muitos médicos simplesmente não têm tempo, afirmou Rose. Alguns podem achar que preencher o relatório pode torná-los rotulados como “anti-vacinas”. Alguns podem simplesmente não associar qualquer problema de saúde que estejam enfrentando com a vacinação. Alguns podem nem saber que o VAERS existe.

É improvável que um número significativo de relatórios seja fraudulento, ela sugeriu, observando que é uma ofensa federal enviar um relatório falso.

Rose agora se juntou às fileiras de médicos dissidentes e pesquisadores céticos em relação à linha oficial sobre as vacinas e a pandemia em geral. Ela descreveu isso como algo que ela é obrigada a fazer apesar dos desincentivos envolvidos.

“Nós não queremos fazer isso. Mas é nosso dever. Os médicos juram não fazer mal. E pesquisadores com integridade não podem deixar isso de lado”, declarou ela por e-mail.

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