Pesquisa independente mostra desaceleração da economia chinesa

Pesquisa do Livro Beige da China com pessoas reais contradiz dados oficiais
Trabalhadores montam bonecas na Jetta Industries Co. Ltd. em Guangzhou, China (Feng Li/Getty Images)
Trabalhadores montam bonecas na Jetta Industries Co. Ltd. em Guangzhou, China (Feng Li/Getty Images)

Economistas de todo o mundo contam com os dados econômicos fornecidos por fontes oficiais da China, apesar de sua precisão ser suspeita, simplesmente porque não há alternativa.

Uma pesquisa independente das condições econômicas da China, chamada Livro Bege da China, tenta remediar esta situação. Suas conclusões mostram que a economia da China desacelerou no verão, contrariando os dados oficiais.

“Informação atualizada e precisa sobre a economia da China é notoriamente difícil de encontrar. Há estatísticas oficiais, mas falta-lhes transparência e sua credibilidade tem sido questionada”, afirma o editor da pesquisa, a CBB International, em seu website.

Os dados oficiais do regime chinês – na forma dos chamados “índices dos gestores de compras”, que consulta pessoas responsáveis pela compra de insumos para suas empresas – mostraram um pequeno aumento em agosto.

A pesquisa do Livro Bege, no entanto, “revela retraimento de ganhos em lucros, receitas, salários, emprego e preços, todos mostrando deslize do crescimento no trimestre – nada desastroso, mas certamente não indica a forte expansão sugerida pela narrativa consensual”, disseram Leland Miller, o presidente da CBB, e o pesquisador-chefe Craig Charney à Bloomberg News num comunicado.

O relatório da CBB é modelado de acordo com o Livro Bege do Federal Reserve dos EUA, publicado no segundo trimestre de 2012, e inclui entrevistas com mais de 2 mil executivos de toda a China. As respostas compiladas “mostram que a sabedoria convencional de uma forte e renovada expansão econômica na China está seriamente prejudicada”, segundo a declaração de Miller e Charney.

Especificamente, a fabricação e o transporte enfraqueceram, em vez se recuperar, como os dados oficiais sugerem. Jim Chanos, fundador da Kynikos Associates, um fundo de investimentos de Nova York, tem sido cético sobre os dados econômicos chineses. Em 2012, ele disse a Opalesque TV: “Não tenho qualquer dúvida de que, se o governo chinês está prevendo crescimento de 7,5% para este ano, não importa o que esteja ocorrendo com a economia real, eles testificarão 7,5% ou melhor.”

Oficiais adulteram os livros

Periodicamente, até mesmo canais oficiais tiveram de admitir que os dados do governo estão completamente errados ou são pelo menos manipulados. No início de setembro, a Secretaria Nacional de Estatísticas da China (SNEC) admitiu que pelo menos um município adulterou seus livros. De acordo com o Sina News, a SNEC anunciou em 5 de setembro que um município na província chinesa de Yunnan forçou as industriais locais a relatarem números inflados da produção industrial.

Vinte e oito empresas no condado de Luliang registraram 6,34 bilhões de yuanes (US$ 1 bilhão) em produção, enquanto o valor revisto foi de apenas 2,82 bilhões de yuanes (US$ 460 milhões) para 2012. No primeiro semestre de 2013, 25 empresas apresentaram 2,74 bilhões de yuanes (US$ 450 milhões), enquanto o valor revisto foi de 1 bilhão de yuanes (US$ 160 milhões).

Normalmente, os governos locais não retornam pesquisas de desempenho industrial às empresas até que elas relatem os números exigidos pelas autoridades. Por sua vez, as empresas se aproveitam disso para conseguir empréstimos bancários mais facilmente, por exemplo.

 
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