Pesquisa amplia oportunidades de utilização da juçara

Frutos de palmeira juçara (Cortesia de Paula Porrelli Moreira da Silva)
Frutos da palmeira juçara (Cortesia de Paula Porrelli Moreira da Silva)

A palmeira juçara, que há muito tempo esteve em risco de extinção e foi explorada amplamente pelo seu palmito, possui um novo interesse surgindo: a polpa extraída de seus frutos.

Apesar de ainda não ser comercial, a produção e utilização da polpa desta planta originária da Mata Atlântica pode trazer algumas vantagens.

“Retirando os frutos a palmeira continua na floresta, o que a faz sair da lista de extinção de espécies nativas da Mata Atlântica”, justifica a engenheira agrônoma e pesquisadora Paula Porrelli Moreira da Silva, autora da pesquisa ao Epoch Times.

Outra vantagem é a qualidade da polpa de juçara. Paula provou em seu estudo que esta apresentou maior quantidade de antocianinas – compostos antioxidantes – e óleos de maior qualidade do que na polpa de açaí.

A pesquisadora também verificou que a polpa de juçara pode ser fonte de minerais como Cobalto, Magnésio, Cobre, Zinco, Ferro, Manganês e Molibdênio, pois o consumo de duzentos gramas do produto supre a Ingestão Diária desses minerais em adultos.

“Essas características da polpa podem contribuir para que a população se interesse pelo produto, como o que ocorreu com o açaí há alguns anos. E, consequentemente, a produção da polpa vai aumentar”, disse.

Palmeira de juçara (Cortesia de Paula Porrelli Moreira da Silva)
Palmeira juçara (Cortesia de Paula Porrelli Moreira da Silva)

Conservação da polpa

O foco da pesquisa desenvolvida na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) e no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), ambos da Universidade de São Paulo (USP), foi caracterizar quatro métodos de conservação da polpa, pois esta é altamente perecível.

Paula verificou quatro métodos e apenas um deles, o de radiação gama, não foi adequado.

“A polpa de juçara acidificada e pasteurizada mantida sob congelamento foi a que exibiu melhor qualidade físico-química e sensorial com longo período de vida útil”, afirmou a pesquisadora.

Os métodos de desidratação, a liofilização e a atomização  foram ótimas alternativas  para preservar o período de vida útil da polpa para comercialização em mercados distantes.

Paula pondera que a escolha do método de conservação da polpa vai depender de quem produz ou comercializa. “Se o produto for destinado para comercialização local, a pasteurização e acidificação do produto é o método mais indicado. Porém, se o desejo for colocá-lo no mercado de regiões distantes do local de produção, as tecnologias de desidratação são as mais convenientes”, explica.

Produção de mudas

Um ponto importante é o reaproveitamento das sementes após retirada da polpa. Segundo Paula, após a despolpa, as sementes se tornam altamente viáveis para produção de muda.

Polpa de juçara (Cortesia de Paula Porrelli Moreira da Silva)
Polpa dos frutos (Cortesia de Paula Porrelli Moreira da Silva)

Utilizando informações de um estudo prévio que avaliou vários métodos de despolpa dos frutos de juçara, a pesquisadora seguiu o seguinte procedimento: selecionou e higienizou os frutos e depois os entumesceu em 20 minutos em água a 40°C. Depois disso, eles eram colocados em despolpadora.

“As sementes que sobraram da despolpa eram levadas para o Departamento de Engenharia Florestal (ESALQ) e as mudas eram produzidas, para posterior enriquecimento das áreas degradadas de Mata Atlântica, ou eram devolvidas ao pessoal do Parque da Neblinas, que também produziam mudas”.

O estudo na íntegra pode ser visualizado clicando aqui.

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