‘Peru não pode se dar ao luxo de perder’: Embaixada dos EUA no Peru alerta sobre frota chinesa

Quase 300 embarcações chinesas “saquearam” lulas das ilhas Galápagos entre julho e agosto

Por Pachi Valencia

A Embaixada dos Estados Unidos no Peru advertiu o país que a chegada de mais de 300 navios chineses ao litoral peruano poderia “causar enormes danos ecológicos e econômicos”, em mensagem publicada em 22 de setembro.

Um grupo de quase 300 barcos de pesca chineses deslocou-se ontem da Ilha de Galápagos para os arredores da costa do Peru para realizar atividades pesqueiras.

“Uma frota de mais de 300 navios de bandeira chinesa com histórico de alteração de nomes de navios e desativação de rastreamento por GPS está próximo ao Peru. A pesca excessiva pode causar enormes danos ecológicos e econômicos”, alertou a embaixada dos Estados Unidos no Peru no Twitter em 22 de setembro.

“O Peru não pode se permitir tal perda”, acrescentou.

Da mesma forma, a embaixada denunciou que embarcações chinesas estariam despejando plásticos que poluem o Oceano Pacífico, problema que, segundo ela, afeta mais de 41 países.

“Quem os responsabilizará?”, perguntou a embaixada por meio de seu relato.

Atualmente, a frota estaria ao largo da costa da província de Pisco, no departamento de Ica; e segundo declaração do Ministério da Produção do país, as embarcações chinesas não teriam entrado no território marítimo nacional.

No entanto, o presidente do Comitê de Pesca e Aquicultura da Sociedade Nacional das Indústrias (SNI) do Peru, Alfonso Miranda Eyzaguirre, disse que muitas vezes essas embarcações chinesas “entram em nosso mar”.

“É um alerta porque há um comportamento duvidoso repetitivo desta frota”, disse Miranda ao jornal local Gestión.

Ele também indicou que a rota de pesca envolve também mais países da América do Sul.

“É a chamada Rota da Lula. Neste momento, eles estão na costa da província de Pisco e continuarão sua jornada ao sul para chegar ao Chile e, posteriormente, às águas marinhas da Argentina”, acrescentou.

Os Estados Unidos já haviam levantado preocupações sobre práticas de pesca ilegal por navios chineses nas Ilhas Galápagos e instado o Partido Comunista Chinês (PCC) a “ser transparente”.

“É hora da China parar com suas práticas de pesca insustentáveis, quebra de regras e degradação ambiental deliberada dos oceanos”, disse Pompeo em um tweet em 27 de agosto.

No mês passado, a Marinha do Equador denunciou que 149 dos cerca de 325 navios, a maioria de bandeira chinesa, desligaram seu sistema de rastreamento e comunicação por satélite para evitar o monitoramento de suas atividades pesqueiras no arquipélago, violando acordos globais de pesca (RFMO).

Gráfico publicado pelo Itamaraty equatoriano, indicando a localização da frota chinesa (@CancilleriaEc)
Gráfico publicado pelo Itamaraty equatoriano, indicando a localização da frota chinesa (@CancilleriaEc)

A embaixada chinesa no Equador respondeu dizendo que suas embarcações cumprem “estritamente” as medidas de conservação e negou que haja embarcações chinesas engajadas na pesca ilegal.

No entanto, muitos não confiam na resposta superficial do regime chinês.

“O tamanho e a agressividade desta frota contra as espécies marinhas é uma grande ameaça ao equilíbrio das espécies em Galápagos”, disse a ex-Ministra do Meio Ambiente, Yolanda Kakabadse, em uma entrevista ao The Guardian.

Em um estudo recente publicado pela organização Oceana, foi descoberto que quase 300 embarcações chinesas “saquearam” lulas das ilhas Galápagos entre julho e agosto, representando 99% da atividade pesqueira da reserva. As lulas são essenciais para a alimentação das espécies de Galápagos.

“Infelizmente, esta é apenas a ponta do iceberg quando se trata do impacto da enorme frota de pesca em águas distantes da China em nossos oceanos”, disse a Dra. Marla Valentine, Analista de Pesca Ilegal e Transparência da Oceana, observando que esta situação em Galápagos, deve levantar “sérias questões e preocupações” sobre o impacto nos oceanos.

De acordo com o Índice de Pesca Ilegal, Não Reportado e Não Regulado (IUU), que classifica os países pesqueiros entre 1 – melhor desempenho – e 5 – pior desempenho – a China tem o pior desempenho de todos os países, com uma pontuação de 3,93.

Em 2017, o governo do Equador apreendeu um navio chinês em Galápagos que transportava 6.000 tubarões congelados, incluindo o tubarão-martelo e o tubarão-baleia, ambos em perigo de extinção.

“Era um matadouro”, disse Jonathan Green, fundador do Projeto Tubarão-baleia de Galápagos, ao The Guardian, descrevendo as imagens da apreensão.

“Este tipo de massacre está ocorrendo em grande escala em águas internacionais e ninguém está testemunhando”, acrescentou.

Com informações do repórter Deby Alatriste.

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