Os perigos dos corantes artificiais

Os alimentos estão geralmente vinculados diretamente ao gosto, mas como diz o ditado, “comemos primeiro com os olhos”.

Ninguém sabe disso melhor do que a indústria de alimentos. Apelando para o nosso apetite visual, os fabricantes de alimentos dos EUA utilizam cerca de 15 milhões de quilos de corante sintético por ano – quantidade cinco vezes maior que a usada em 1950. Os fabricantes preferem adicionar cores artificiais porque são mais baratas, mais brilhantes e mais estáveis do que as fontes de cores naturais.

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Doces, cereais e outros produtos voltados para crianças são coloridos com pigmentos brilhantes, porém os fabricantes tingem também a sua comida, mais do que você imagina. Carne, produtos de panificação, bebidas, pet food, sopas, molhos para salada, macarrão, queijo, sorvete, picles e cosméticos, todos podem conter corante sintético.

A regulação de corante alimentar dos Estados Unidos começou com o Pure Food and Drugs Act de 1906, que advertiu sanções penais em caso de utilização de “venenos ou outros aditivos deletérios que possam tornar o alimento prejudicial à saúde”, ou de “ocultação de qualquer produto que cause danos ou inferioridade”.

As orientações da FDA (Food and Drug Administration) permitem corantes que foram testados e certificados em limites legalmente especificados, de forma que “não representem risco de vida superior a um caso de câncer em um milhão de pessoas”.

Banido na Europa

Vários corantes aprovados no sistema alimentar dos EUA são proibidos em países europeus devido à evidência de que eles podem causar tumores, lesões em órgãos, reações alérgicas, e hiperatividade. O governo britânico intimou as empresas a pararem de utilizar a maioria dos corantes alimentares até o final de 2009. A União Europeia exige uma placa de aviso quando um corante alimentar sintético é adicionado a alguma comida, porém esse mesmo corante é considerado seguro para a saúde nos Estados Unidos.

Em 2011, um comitê consultivo de alimentos do FDA determinou que não havia ligação de causalidade entre hiperatividade e exposição ao corante alimentar, com base nas evidências disponíveis. No entanto, o Comitê pediu ao FDA para realizar pesquisas adicionais, com o intuito de investigar o potencial que esses aditivos de cor possuem para gerar efeitos comportamentais ou prejudicar o desenvolvimento.

A luta pelo banimento de corantes sintéticos remonta à década de 1970. Um dos maiores críticos foi o Centro de Ciência do Interesse Público (CSPI). O defensor de segurança alimentar enviou uma petição ao FDA em 2008, pedindo a proibição de quase todos os corantes artificiais. A declaração do CSPI de Julho de 2014, continua a levantar as seguintes dúvidas:

“Nos anos 1990, os cientistas do governo dos Estados Unidos e do Canadá descobriram que os três corantes mais utilizados, Vermelho 40, Amarelo 5, e Amarelo 6, continham pequenas quantidades de agentes cancerígenos conhecidos. Depois disso, não foi realizado mais nenhum teste [com este tema].”

Em um relatório de 2010, chamado “Os corantes alimentares: Um arco-íris de Riscos”, o CSPI estabeleceu as conclusões mais recente sobre a segurança dos alimentos com corantes artificiais.

A luta pelo banimento dos corantes sintéticos remonta à década de 1970 (Shutterstock*)
A luta pelo banimento dos corantes sintéticos remonta à década de 1970 (Shutterstock*)

 

Corantes sintéticos certificados pelo FDA:

Azul 1 – O Azul Brilhante é proibido na França e na Finlândia. Em um estudo inédito, descobriram que o Azul 1 causou tumores renais em ratos, porém outros estudos feitos por indústrias realizaram testes em ratos e camundongos, e não encontraram nenhuma toxicidade. Esta cor foi responsável por provocar reações alérgicas, hipersensibilidade, e hiperatividade. O CSPI diz que o Azul 1 exige mais testes independentes para determinar sua segurança.

Azul 2 – Foi demonstrado em testes que o Azul Índigo provoca a ocorrência significativa de tumores, especialmente ganglioma cerebrais em ratos machos. É proibido na Noruega.

Vermelho Citrus 2 – É usado especificamente para colorir cascas de laranja da Flórida. Ele foi identificado como “possivelmente cancerígeno para os seres humanos” pela Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer (IARC). Esta cor tem sido acusada de ser tóxica para ratos e camundongos em níveis modestos, e tem sido responsável por causar tumores na bexiga e outros tumores em ratos, de acordo com estudos. Segundo o CSPI, “O corante oferece um risco humano mínimo, porque ele só é utilizado em cascas de laranja, não sendo ainda adotado na composição de outros alimentos”.

Verde 3 – Também chamado de Fast Green, o Verde Rápido é proibido na União Europeia e em alguns outros países, devido ao aumento significativo de casos de tumores de bexiga em ratos machos causados por este corante. O CSPI pede mais testes antes de considerar o Verde 3 como seguro.

Vermelho 40 (Vermelho Allura) – É o corante artificial mais consumido. Tem demonstrado causar lesões cromossômicas e linfomas em camundongos. Este corante provoca reações alérgicas em um pequeno número de consumidores e acredita-se ser o responsável por provocar hiperatividade em crianças. De acordo com o CSPI, “O Vermelho 40 deve ser excluído dos alimentos até que novos testes demonstrem claramente a sua segurança”.

Vermelho 3 (Eritrosina) – É suspeito de causar hiperatividade, e de ser uma substância cancerígena comprovada em tireoide de animais. Com base nessas evidências, a FDA fez um movimento para banir o Vermelho 3 em 1984, mas ainda é encontrado em cerejas, doces e outros alimentos. O Vermelho 3 foi banido de cosméticos pela FDA em 1990.

Amarelo 5 (Tartrazina) – Pode contribuir para o câncer, mas a ciência ainda está dividida. Este corante tem sido conhecido por causar reações de hipersensibilidade graves em um pequeno número de pessoas, e alguns sugerem que ele pode provocar hiperatividade e outros efeitos comportamentais em crianças. De acordo com o CSPI, “O Amarelo 5 não deve ser permitido em alimentos”.

Amarelo 6 (Amarelo Crepúsculo) – Foi demonstrado causar tumores suprarrenais em estudos com animais, mas a indústria de corantes e a FDA disputam esses achados. O CSPI acredita que ele acrescenta “risco desnecessário aos alimentos comercializados”.

Corantes Naturais

Devido às crescentes preocupações dos consumidores, mais empresas agora usam corantes naturais, como o açafrão, páprica, e extrato de beterraba. Fontes de cor natural são isentos de certificação do FDA, mas elas ainda devem ser listadas no rótulo do produto, quando utilizadas.

Mas só porque é natural, não significa que é bom para comer. Um corante natural popular, o urucum, é proveniente de uma fruta tropical, mas também tem sido conhecido por causar reações alérgicas.

Muitos corantes naturais são seguros, especialmente aqueles com uma longa história de uso, mas algumas substâncias de origem natural podem ser um grande desvio. Em 2012, a Starbucks Corp. coloriu seus Frappuccinos de morango com extrato de cochonilha, um pigmento vermelho feito de insetos esmagados. Devido a reclamações de clientes, a Starbucks, desde então, mudou para a adição de licopeno.

* Imagens de“candy” e“colors” via Shutterstock

 

 
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