Pelo menos 29 praticantes do Falun Gong morreram em 2017 perseguidos pelo regime chinês

O Partido Comunista Chinês tem perseguido a prática espiritual do Falun Gong por mais de 18 anos e a tortura e o assassinato de seus praticantes continuam ocorrendo secretamente nos centros de detenção, prisões e instalações similares na China.

Até 17 de dezembro, 29 praticantes do Falun Gong tiveram suas mortes confirmadas em 2017 devido à perseguição, distribuídas em 15 províncias e municípios, incluindo Pequim, Xangai, nas províncias do norte de Heilongjiang e Liaoning e nas províncias do sul de Guangxi e Fujian.

Dos 29, 15 morreram na prisão e os 14 restantes faleceram enquanto ilegalmente detidos pelas autoridades locais chinesas ou quando assediados em suas casas.

Até 19 de dezembro, o website Minghui.org, especializado em rastrear a perseguição ao Falun Gong, confirmou que 4.160 praticantes morreram na China vítimas da perseguição nos últimos 18 anos, embora o número de pessoas mortas em 2017 e na perseguição como um todo seja certamente muito maior devido à dificuldade de obter informações consideradas sensíveis na China.

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Além disso, o número de mortos confirmado em 19 de dezembro não considera as execuções relacionadas à extração forçada de órgãos que abastece a indústria chinesa de transplantes de órgãos. A remoção de órgãos de vítimas involuntárias é feita em segredo e terceiros não podem confirmar mortes individuais.

O relatório “Colheita Sangrenta/O Massacre – Uma Atualização” apresenta os resultados de um “exame meticuloso dos programas de transplantes de centenas de hospitais na China”. Os autores do documento estimam que entre 60 mil e 100 mil transplantes foram realizados na China a cada ano desde 2001, sendo a principal fonte de órgãos os praticantes do Falun Gong.

O Falun Gong, também conhecido como Falun Dafa, foi apresentado ao público em 1992. A prática envolve exercícios meditativos lentos e suaves e os ensinamentos morais baseados na verdade, compaixão e tolerância. Muitos praticantes melhoraram seu bem-estar físico e espiritual, promovendo a popularidade da disciplina. Em 1999, o número de praticantes cresceu para 70 milhões de acordo com uma pesquisa do regime chinês, embora os praticantes estimem que o número seja superior a 100 milhões.

Em julho de 1999, o líder chinês Jiang Zemin, por medo de que os ensinamentos da disciplina pusessem em risco o regime ateu do Partido Comunista Chinês, lançou uma perseguição nacional contra os praticantes do Falun Gong. Desde então, centenas de milhares de praticantes foram submetidos à tortura, lavagem cerebral e trabalhos forçados, de acordo com Minghui.org.

Aqui estão alguns dos casos documentados pelo Minghui.org:

Huo Runzhi, de 72 anos, do condado de Nong’an, na província de Jilin, Nordeste da China, morreu em 14 de novembro de 2017. Ela tornou-se mentalmente instável e perdeu a memória desde que voltou para casa do hospital pertencente à Prisão Feminina de Jilin em agosto de 2017.

Huo foi condenada a três anos de prisão em 2016, depois que a polícia local a prendeu por colocar material do Falun Gong em locais públicos. Enquanto estava encarcerada na Prisão Feminina de Jilin, ela foi abusada física e psicologicamente, com contusões por todo o corpo. Muitos de seus dentes ficaram soltos e ela finalmente foi levada ao hospital da prisão no final de abril de 2017, depois de sofrer de câncer de reto desenvolvido na prisão.

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Cheng Huaigen, de 54 anos, do Novo Distrito de Tainfu em Chengdu, capital da província de Sichuan, Sudoeste da China, morreu em 29 de maio de 2017. Cheng estava colocando cartazes com as palavras “O mundo precisa de verdade, compaixão e tolerância” em Huayang, uma cidade em Chengdu, quando foi sequestrado pela polícia em junho de 2015.

Cheng foi mantido preso num centro de detenção no condado de Shuangliu. Ele foi julgado em junho de 2016, um ano depois. Enquanto estava detido, ele foi levado para um hospital em várias ocasiões devido a injúrias físicas causadas pela perseguição. Após o julgamento, ele foi detido numa prisão no condado de Lushan.

Em 29 de maio de 2017, a família de Cheng recebeu um telefonema da prisão dizendo que ele estava em choque. Quando a família chegou, Cheng já havia morrido.

Yu Guixiang, de 65 anos, de Changchun, capital da província de Jilin, Nordeste da China, foi sequestrada pela polícia do distrito de Jiutai, em Changchun, em 16 de junho de 2017, enquanto falava com outras pessoas em público sobre o Falun Gong.

Yu entrou em choque três dias depois quando estava presa no centro de detenção de Jiutai. O chefe do estabelecimento carcerário não contatou um médico ou a enviou para um hospital. Ela faleceu em 20 de junho de 2017. Não se sabe que tipo de perseguição ela sofreu durante a sua detenção.

 
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