Partido Comunista ‘envia seus cumprimentos’ com ciberataques ao Epoch Times

Quando membros da cúpula comunista chinesa empreendem uma luta política interna, eles não são tolerantes a intrusões e interpretações da mídia.

Apenas alguns dias atrás, a Xinhua, uma mídia estatal porta-voz do regime chinês, anunciou em 5 de dezembro que Zhou Yongkang, o poderoso ex-chefe da força de segurança pública da China, foi indiciado por uma lista de crimes, incluindo a divulgação de segredos de Estado e de vários casos de adultério. A partir daquela data, hackers suspeitos de agir em nome do regime chinês orquestraram uma enxurrada de ataques cibernéticos contra o website chinês do Epoch Times.

De acordo com a equipe técnica do jornal, os ciberataques que começaram em 1º de dezembro e duraram quase uma semana. Esses são os mais recentes ataques de uma longa lista de operações montadas pelo regime chinês contra a edição chinesa do Epoch Times, desde a fundação do jornal em 2000.

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Dessa forma, quando as autoridades chinesas anunciaram publicamente a investigação contra Zhou Yongkang, no final de julho deste ano, a edição chinesa do Epoch Times foi invadida e o seu serviço da web funcionou de forma instável por vários dias.

Embora seja difícil determinar de forma precisa a origem dos ciberataques, a equipe técnica e os editores do jornal acreditam que os ataques, os quais visam impedir o acesso pelo público ao website ‘epochtimes.com’, tem todas as características de uma ofensiva do regime comunista chinês, afirmaram os responsáveis pelo jornal, durante entrevistas.

Em particular, o momento dos ataques muitas vezes é previsível: o pico dessas atividades ocorre justamente durante os períodos em que há disputas internas no Partido Comunista Chinês (PCC), momento em que os leitores na China estão procurando reportagens sem manipulação e sem censura, comentários, explicações e interpretações dos eventos como eles estão se desdobrando.

O artigo intitulado ‘Desmascarando Zhou Yongkang – Uma história brutal e sangrenta’ pode ter sido parte do catalisador para um recente ataque. Esse tópico em chinês, que detalha as ligações do ex-chefe da segurança com a extração forçada de órgãos de prisioneiros de consciência ainda vivos, é popular entre o público chinês e uma especialidade do Epoch Times, o que provavelmente atingiu elementos sensíveis na liderança do PCC.

Mesmo que eles tenham expurgado Zhou Yongkang por acusações de corrupção, os crimes mais hediondos sob seu mandato nunca foram mencionados e permanecem impunes. Esse é um padrão comum na história política comunista: o sistema é incapaz de punir adequadamente as autoridades culpadas, pois os abusos sistêmicos do Partido Comunista não são abordados, tampouco sua perseguição política contra grupos considerados inimigos, o que visa a preservar o Partido e sua nomenklatura no poder e manter a população reprimida sob controle.

Um desses ‘inimigos’ do regime é o Falun Gong, uma prática espiritual enraizada nas crenças tradicionais chinesas que se tornou muito popular na década de 1990 e é alvo de perseguição desde 1999, graças ao então líder chinês Jiang Zemin. Receoso de que o renascimento da espiritualidade do povo chinês tornaria irrelevante a ideologia do Partido Comunista, Jiang Zemin dedicou enormes recursos financeiros e todo o aparato estatal, especialmente a segurança pública, no que se transformou numa campanha brutal e permanente para exterminar o Falun Gong.

No início de 2012, durante o expurgo de Bo Xilai, um político carismático mas extremamente corrupto e aliado de Zhou Yongkang, ataques provenientes da China, visando o bloqueio dos acessos, atingiram novamente o website do Epoch Times. Como Zhou Yongkang, Bo Xilai estaria fortemente envolvido não apenas nas tramas de poder e em relações sexuais extraconjugais, ele também foi um entusiasmado comparsa de Jiang Zemin na guerra do PCC contra o Falun Gong.

Enquanto era funcionário do regime na província de Liaoning, no Nordeste da China, onde o grupo espiritual do Falun Gong tem sido perseguido com brutalidade incomum, Bo Xilai teria concebido e facilitado a extração forçada de órgãos de praticantes do Falun Gong, e inclusive usado seus corpos para serem plasticizados e vendidos para mostras da anatomia humana, segundo pesquisas do jornalista investigativo americano Ethan Gutmann, documentada em seu novo livro ‘The Slaughter’ [O Massacre].

Mesmo que a atual administração comunista, que deseja desarticular o poder da facção política profundamente arraigada no PCC e criada por Jiang Zemin entre 1990 e 2000, esteja expurgando figuras de alto escalão como Zhou Yongkang, a liderança chinesa tem mostrado pouca vontade para uma reforma profunda e tampouco está disposta a expor a extensão da violência das campanhas políticas do PCC. A revelação desse conteúdo certamente mina a legitimidade restante do Partido Comunista, o que acabaria por quebrar seu controle político e destruir de vez o Partido.

Quando não é foco de ciberataques, a cobertura feita no website do Epoch Times sobre as intrigas que ocorrem na política comunista chinesa gera um forte interesse, tanto para chineses que vivem na diáspora, como para os que vivem na China continental, onde os internautas utilizam software de neutralização da vigilância e censura para acessar o website. O tráfego frequentemente dobra durante os períodos de luta política.

Os responsáveis técnicos do Epoch Times já se habituaram às invasões e ciberataques, de tal forma que um membro da equipe técnica comentou ironicamente após os recentes ataques: “O Partido Comunista envia seus cumprimentos.”

 
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