Partido Comunista Chinês ‘não está qualificado para sediar as Olimpíadas’, afirma ex-atleta olímpica

Há muitos outros casos como o da Peng Shuai na China

Por Luo Ya & Haizhong Ning

À medida que mais países estão boicotando diplomaticamente os Jogos Olímpicos de Inverno em Pequim em apoio a estrela chinesa do tênis, Peng Shuai, que já foi o orgulho nacional da China – uma ex-campeã esportiva afirma que o Partido Comunista Chinês “não está qualificado para sediar as Olimpíadas”.

Huang Xiaomin, medalhista de prata nos 200 metros peito feminino nas Olimpíadas de Seul em 1988, foi eleita uma das “10 melhores atletas da Ásia” em 1987.

Em uma entrevista para a edição chinesa do Epoch Times, Huang expressou apoio à Peng Shuai por sua corajosa exposição do escândalo envolvendo um alto funcionário aposentado do regime, e compartilhou sua experiência pessoal de como os atletas chineses foram manipulados pela ditadura.

“Peng Shuai estava fazendo o que deveria fazer”, afirmou Huang.

Huang já foi atleta da seleção chinesa. Ela agora está residindo na Coreia do Sul.

Ela relata que, no sistema do regime, os atletas não se tornam nada após aposentados; independentemente de suas conquistas, tudo começa do zero.

Para sobreviver, especialmente para as atletas do sexo feminino, “voluntariamente ou não, elas recorrem a um ‘grande papai’, que é muito popular na China hoje”. Huang falou sobre a crueldade sob o regime comunista – para o atleta comum, essas histórias nem chegam a criar uma ondulação.

“A mídia é controlada, as notícias são controladas”, declarou ela.

O doping é um comportamento do Estado

Huang indicou que o doping é apenas parte da miséria por trás do sucesso dos atletas chineses, “não há eu, direitos ou dignidade. O Partido decide o que fazer, o treinador lhe diz o que fazer e você apenas terá que obedecer”.

Refletindo sobre sua própria experiência, ela afirma “levaria de seis a oito anos de grande esforço, com aquela carga diária e pesada de treinamento e intensidade, para ter sucesso e obter uma medalha olímpica”.

Ela contou o mecanismo por trás do doping administrado pelo treinador. Para um atleta altamente promissor, existe um conjunto de programas de treinamento bem definidos e cuidadosamente elaborados junto com o esquema de doping; como a dosagem para a primeira e segunda semanas, a dosagem para as semanas três a seis e assim por diante, ou a dose definida após uma temporada. Existe um plano sistemático.

Ela afirma que o doping é humilhante, mas “é uma decisão do Estado”.

Sob o sistema comunista, o valor de um atleta nada significa para o regime após a aposentadoria.

Referindo-se ao incidente de Peng Shuai, Huang declarou que, apesar de suas grandes conquistas e reconhecimento internacional no tênis feminino, “esse é o seu destino final”.

Peng Shuai da China tira uma selfie com os fãs após vencer a partida do solo feminino da primeira rodada contra Venus Williams, dos EUA, no terceiro dia do China Open 2016 no China National Tennis Center, em Pequim, na China, no dia 3 de outubro de 2016 ( Emmanuel Wong / Getty Images)
Peng Shuai da China tira uma selfie com os fãs após vencer a partida do solo feminino da primeira rodada contra Venus Williams, dos EUA, no terceiro dia do China Open 2016 no China National Tennis Center, em Pequim, na China, no dia 3 de outubro de 2016 ( Emmanuel Wong / Getty Images)

Huang explicou que muitos atletas chineses se aposentam com doenças e ferimentos prolongados e precisam desesperadamente de comida, médico e emprego.

Na verdade, o intenso mecanismo de doping e treinamento frequentemente resulta em múltiplas doenças e lesões, bem como na aposentadoria precoce dos atletas chineses.

Veja Ai Dongmei, medalhista de ouro na Maratona de Pequim de 1999, como exemplo. Ela ganhou um total de 19 medalhas antes de aposentar-se em 2003, aos 22 anos. No entanto, seus ferimentos a mantiveram longe do trabalho nas fazendas; suas doenças e desemprego a forçaram a postar suas medalhas para venda online em 2007, quando ela e seu marido, também um estagiário aposentado, só podiam ganhar um salário mensal de $94,18 para uma família de três pessoas.

De acordo com a declaração de seus pais à mídia em 2007, quando a postagem online de Ai chocou a nação, ao longo de seu treinamento – até o dia em que a entrevista foi feita – eles nunca souberam o que a Administração Geral de Esportes estipulou sobre a distribuição de bônus para atletas, e que Ai não recebeu nenhum.

Veja o levantamento de peso como outro exemplo. Huang explicou que este era um esporte muito menos apreciado na China. Após a aposentadoria, o bem-estar dos atletas muitas vezes foi negligenciado.

Cai Li, antes conhecido como o Strongman nº 1 da Ásia, ganhou o campeonato indiferenciado do levantamento de peso masculino dos 11º Jogos Asiáticos em 1990, aos 20 anos de idade.

Ele ganhou para si mesmo mais de 60 medalhas de ouro em casa. Para manter sua competitividade, ele estava obeso e gravemente doente; posteriormente, ele aposentou-se antecipadamente aos 23 anos de idade. Cinco anos após a aposentadoria, ele morreu por falta de assistência médica. De acordo com a reportagem da mídia chinesa, ele vivia na pobreza com uma família de três pessoas. Ele deixou sua esposa, que também é aposentada do levantamento de peso, sofrendo de graves lesões esportivas, e uma menina de 3 anos. Cai deixou para sua família um total de 300 yuans em dinheiro (US $47).

A esposa de Cai, Liu Chengju, declarou à mídia chinesa que até a vida de um mendigo é melhor e ela não permitiria que seu filho se tornasse um atleta.

Huang expressou sua gratidão por ser a sortuda.

Após se aposentar em 1994, ela foi para a Coreia do Sul e continuou seus estudos na Universidade Myongji. Mais tarde, se casou e tornou-se treinadora na Coreia do Sul.

Ela está profundamente preocupada com o bem-estar dos atletas chineses.

Huang afirma: “Todos os países democráticos deveriam condenar as violações aos direitos humanos cometidas pelo regime”.

Ela insistiu que a moralidade é o apelo fundamental da humanidade.

Somente se o mundo ver através do Partido Comunista Chinês (PCC) ele vai acelerar o fim do regime e parar a perseguição, “essa é a única maneira de ajudar os atletas chineses”, acrescentou Huang.

Com o fato de que o PCC não respeita vidas humanas, “ele não tem posição para sediar as Olimpíadas”, declara Huang.

Huang Xiaoming, uma famosa medalhista olímpica chinesa, denunciou o PCC e se retirou dele com uma declaração de retirada do partido no dia 12 de dezembro de 2004.

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