‘Parem de matar por órgãos’, jogador da NBA pede o fim da extração forçada de órgãos a Pequim

Jogador do Boston Celtics criticou Pequim pelo assassinato em escala industrial de prisioneiros de consciência por seus órgãos

Por Eva Fu 

Em 16 de novembro, o jogador do Boston Celtics, Enes Kanter, criticou Pequim pelo assassinato em escala industrial de prisioneiros de consciência por seus órgãos. Com o pronunciamento, o jogador dobrou sua cruzada contra o regime nas redes sociais por suas extensas violações aos direitos humanos.

“Parem de matar por órgãos. Isso é um crime contra a humanidade”, escreveu o jogador turco em um post que apareceu em seu Twitter, Facebook e Instagram.

As postagens de Kanter incluem fotos de um novo par de tênis personalizados que transmitem a mesma mensagem. No tênis está pintado um médico vestido de azul, segurando um órgão que ainda goteja sangue. Um fígado, um rim e um coração são representados na ponta do sapato; cada órgão tem uma etiqueta de preço anexada. O calçado está coberto de manchas de sangue.

“Parem a extração de órgãos na China”, afirma um slogan em negrito, pintado na lateral dos calçados.

Relatórios detalhados alegando que o regime vinha retirando órgãos de prisioneiros vivos e os vendendo no mercado de transplantes surgiram pela primeira vez em 2006. Vários denunciantes também abordaram o Epoch Times no mesmo ano esclarecendo essa prática ilícita.

Em 2019, um tribunal popular com sede em Londres confirmou as alegações de longa data após uma investigação de um ano. Foi descoberto que Pequim se engajou na extração forçada de órgãos por anos “em uma escala significativa” e continua a fazê-lo. A principal fonte dos órgãos, de acordo com o tribunal, eram os praticantes do Falun Gong, uma disciplina espiritual brutalmente perseguida desde 1999.

O medo à retaliação econômica, em parte, fez com que a comunidade médica e internacional fechasse os olhos ao crime, de acordo com alguns especialistas médicos.

Weldon Gilcrease, especialista gastroenterólogo da Universidade de Utah, afirma que ao tratar sobre a sentença do tribunal com o sistema de saúde de sua universidade, seus líderes expressaram preocupações, temendo que, ao se pronunciarem, a China deteria o fluxo de estudantes internacionais à universidade. “Você definitivamente obtém apoio no nível individual, mas quando você tenta elevá-lo ao nível institucional, é onde há um silêncio ensurdecedor”, afirmou Gilcrease ao Epoch Times, em setembro.

As empresas americanas também relutam em falar sobre os direitos humanos na China. Coca-Cola, Airbnb, Procter & Gamble e Visa, os principais patrocinadores americanos das Olimpíadas de Pequim 2022, se recusaram a declarar se apoiam a mudança dos Jogos Olímpicos para um local diferente quando pressionados por legisladores dos EUA, em julho.

“Enquanto os governos permitirem que os atletas participem dos jogos, estaremos lá para apoiá-los e patrociná-los”, afirmou Andrea Fairchild, vice-presidente sênior de estratégia de patrocínio global da Visa Inc., na audiência do Congresso.

Grupo de pessoas ao lado de um logotipo da NBA na exposição da NBA na 3ª China International Import Expo (CIIE) em Xangai, China, no dia 5 de novembro de 2020 (STR / AFP via Getty Images)
Grupo de pessoas ao lado de um logotipo da NBA na exposição da NBA na 3ª China International Import Expo (CIIE) em Xangai, China, no dia 5 de novembro de 2020 (STR / AFP via Getty Images)

Nos últimos dois anos, a NBA sofreu duas vezes a ira do regime chinês em questões relacionadas aos direitos humanos.

Em outubro de 2019, um tweet do então gerente geral do Houston Rockets, que apoiava os protestos pró-democracia em Hong Kong, fez com que a NBA perdesse patrocinadores chineses importantes. A emissora estatal CCTV e a gigante da internet Tencent, as quais possuíam um contrato de cinco anos para transmitir jogos da NBA, retiraram temporariamente os shows da liga. Tencent silenciosamente retomou a transmissão ao vivo logo em seguida, mas os jogos com o Philadelphia 76ers, para onde Morey foi transferido em novembro, desde então só foram transmitidos por meio de atualizações de texto e imagem.

A franqueza de Kanter sobre o Tibete, em outubro, desencadeou outra rodada de retaliação da China. Depois de postar um vídeo de dois minutos no Twitter sobre a repressão do regime à liberdade religiosa na região, a transmissão ao vivo dos jogos do Celtics desapareceu da Tencent.

O jogador de 29 anos teve uma redução acentuada no tempo de jogo nesta temporada. Até agora, ele jogou duas partidas com média de cinco minutos cada, o que alguns torcedores suspeitam estar relacionado ao seu ativismo.

Kanter parece sugerir que esse é o caso. “Continuem me limitando na quadra, irei expô-los fora da quadra”, escreveu no Twitter dois dias antes.

Sapatos de Enes Kanter, o #13 do Boston Celtics, no Toyota Center, em Houston, Texas, no dia 24 de outubro de 2021 (Carmen Mandato / Getty Images)
Sapatos de Enes Kanter, o #13 do Boston Celtics, no Toyota Center, em Houston, Texas, no dia 24 de outubro de 2021 (Carmen Mandato / Getty Images)

Mas o técnico de sua equipe, Ime Udoka, argumentou que a decisão de limitar os minutos de Kanter foi “estritamente baseada no basquete”, apontando para a fraqueza de Kanter na defesa.

“Temos muitos caras que estão qualificados, querem jogar e são competitivos, então eles estão ansiosos. Queremos encontrar minutos para eles, mas os outros jogadores estão jogando bem”, afirmou o treinador, de acordo com o Boston.com.

Udoka também afirma que os comentários de Kanter “não são realmente uma distração”.

“Não tenho redes sociais. Já ouvi falar de algumas coisas, mas as crianças têm o direito de expressar suas opiniões. E eu declarei isso desde o primeiro dia. Nada relacionado ao basquete será baseado nisso.”

Entre para nosso canal do Telegram

Assista também:

 
Matérias Relacionadas