País de sorte? Australianos sofrem queda inédita no padrão de vida

Os australianos estão sofrendo uma grande queda no seu padrão de vida, a mais longa em mais de 25 anos. Curiosamente, muitos dos cidadãos do país parecem não se surpreender.

Ainda que esta não seja uma questão que normalmente atraia muito atenção da mídia, ela foi abordada pelo jornal The Australian, que informou que os custos do crescimento no país ultrapassaram os ganhos pelo quinto trimestre consecutivo.

Os rendimentos familiares médios caíram 1,6% anuais até setembro.

Os aumentos dos custos atingiram predominantemente as pessoas comuns e afetaram principalmente a conta de luz, rendimentos, nova habitação e saúde.

“As famílias estão gastando seu dinheiro em itens não discricionários, coisas que você não pode evitar, e eles estão aumentando muito mais rapidamente do que os itens discricionários”, disse o chefe de pesquisa do National Australia Bank, Peter Jolly, ao The Australian.

Pagando mais impostos

Qualquer aumento de salário modesto que os trabalhadores possam obter acabam sendo parcialmente absorvidos, pois acabam sendo repassados em cobranças fiscais mais elevadas, informou o jornal.

“Embora o padrão de vida tenha parado de aumentar após 2011, o declínio desde meados de 2016 é novo e reflete tanto a queda no crescimento dos salários quanto o aumento em pagamento de impostos”, disse o relatório.

O crescimento da empregabilidade foi mais relevante entre os empregos que apresentam menor rendimento, diminuindo, desta forma, a renda média nacional.

A reportagem e as questões levantadas atraíram uma enxurrada de comentários online.

“Sim, de fato, o padrão de vida está caindo, principalmente entre os menos favorecidos em nossa sociedade, e a principal razão é a política deliberada do governo estadual e federal para aumentar os custos de energia ao fechar geradores térmicos e aumentar a pegada de renováveis”, disse um comentarista.

Outro disse que o grande fluxo de imigração para a Austrália era o culpado.

“As únicas pessoas que se beneficiam de uma alta imigração são as principais corporações e os grandes varejistas, o resto de nós tem que enfrentar a queda dos salários”, comentou um leitor.

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Outro fez uma comparação com o passado.

“Trinta anos atrás, a Austrália não era tão rica, era mais humilde e tinha uma identidade nacional sólida”, escreveu a pessoa. “Há mais dinheiro e ostentação nos arranha-céus de nossa cidade agora, mas acredite jovens, aqui era um lugar muito melhor para se viver.”

Outro disse que o pior ainda está por vir.

“Ainda não vimos nada. A falta de energia e os preços levarão a Austrália para o terceiro mundo, mas estamos ajudando a salvar o planeta dessa coisa verde assustadora, certo?”

O mesmo foi dito por outro leitor.

“Somos uma nação do terceiro mundo, só que ninguém percebeu ainda. Os sinais estão lá para todos verem. Infraestrutura se deteriorando, fontes de energia não confiáveis, ausência de fabricação, grande dívida nacional”, comentou.

Outro culpou o bem-estar nacional.

“Quando você tem um sistema de assistência social e um sistema de saúde como o da Austrália, a pobre classe trabalhadora é que tem de pagar a conta”, disse este outro leitor.

Imigração elevada e sem suporte em infraestrutura

A reportagem do The Australian surge depois que preocupações foram levantadas pelo economista sênior do Commonwealth Bank, Gareth Aird, que descobriu que o alto índice de imigração da Austrália está gerando fragilidade econômica nas principais estatísticas, informou a ABC no meio do ano passado.

“As medidas per capita da economia sugerem que o crescimento do padrão de vida estagnou, e em algumas partes da população residente, em particular entre as pessoas mais jovens, regrediu”, escreveu ele.

Embora os lucros tenham aumentado para as corporações, os trabalhadores tiveram seus rendimentos reduzidos em níveis recordes. Quando ajustados ao aumento dos custos de vida, os trabalhadores estão vendo seus pacotes de pagamento se revertendo, disse Aird.

Os trabalhadores no país também estão competindo com as chegadas em massa de pessoas a cada ano, diminuindo ainda mais os salários. A Austrália atualmente recebe mais de 200 mil imigrantes por ano. Na virada do século, eram cerca de 90 mil pessoas, relata a ABC.

O governo foi criticado por não investir em infraestrutura necessária para acomodar um grande número de imigrantes, a maioria dos quais se instala em Sydney e Melbourne; ambas as cidades agora são conhecidas por um alto custo de vida.

Aird disse que a política de imigração em massa da Austrália também precisasse ser acompanhada pela construção e ampliação adequada da infraestrutura.

“A decisão política de administrar uma entrada de imigração relativamente alta deve ser acompanhada por um crescimento proporcional no investimento público”, afirmou.

“Se não, além do envelhecimento do capital investido, o estoque existente de infraestrutura pública é diluído, o que, em última análise, reduz os padrões de vida.”

NTD Television

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