Organizadores pretendem realizar protesto para pedir mudanças em Cuba hoje

Por Agência EFE

Uma manifestação pacífica para pedir mudanças políticas em Cuba pretende sair às ruas de várias cidades do país nesta segunda-feira, apesar de não ter sido autorizada pelo governo.

Esta iniciativa é herdeira dos protestos de 11 de julho, o maior em décadas em Cuba e resultante do descontentamento e da grave crise atual causada pela pandemia de covid-19, pelas sanções dos Estados Unidos e pela situação econômica na ilha.

A passeata foi promovida pela plataforma virtual Archipiélago, liderada pelo dramaturgo e ativista Yunior García Aguilera, retido em casa desde o domingo. Outros membros deste grupo têm denunciado situações semelhantes em redes sociais.

García Aguilera incomodou o regime ao dar um rosto à iniciativa dissidente, que busca o fim da violência, a libertação dos presos políticos e a resolução das diferenças através de meios democráticos e pacíficos.

O objetivo da passeata, como ele próprio explicou à Agência Efe em entrevista na semana passada, “é sacudir o país, sensibilizar as pessoas, gerar um debate que provoque mudanças”, algo que ele espera que aconteça “da forma mais pacífica e cívica possível”.

O regime cubano considerou o protesto “ilegal” e não o autorizou, uma vez que não permitiu outras manifestações da oposição nas últimas décadas, considerando que por detrás da passeata há uma “estratégia imperial” dos Estados Unidos, como o ditador cubano Miguel Díaz-Canel afirmou na semana passada.

Um artigo publicado nesta segunda-feira no “Granma”, jornal oficial do Partido Comunista de Cuba, diz que o protesto “sempre esteve destinado a ser um fracasso” e incita à iniciativa violenta, “desestabilizadora” e liderada por pessoas que “trabalham para um governo estrangeiro”.

Apesar da proibição por parte das autoridades, os organizadores ainda incentivaram os cubanos a lotarem as ruas nesta tarde. Os ativistas encorajaram qualquer pessoa que quisesse protestar a sair com roupas brancas e carregando flores brancas. Para aqueles que não podem ou não querem participar da passeata, propuseram desligar a televisão e fazer panelaços.

As autoridades cubanas, por seu lado, mobilizaram um grande número de agentes de segurança do Estado para as principais cidades.

 

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