OPAS pede que Brasil e países latino-americanos “não abram rápido demais”

Por EFE

Washington, 2 jun – A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) pediu nesta terça-feira para que os países da América Latina, entre eles o Brasil, “não abram rápido demais”, encerrando as medidas de confinamento, o que poderia prejudicar os avanços obtidos sobre a pandemia de Covid-19 nos meses anteriores.

“Devemos ser cuidadosos. Não abram rápido demais, ou correrão o risco de um ressurgimento da Covid-19 que poderia apagar a vantagem obtida nos últimos meses. Considerem um enfoque geográfico para o bloqueio e a abertura com base na transmissão em lugares específicos”, recomendou a diretora da OPAS, Carissa Etienne, em entrevista virtual.

Etienne se mostrou preocupada com o crescente número de contágios reportados na América Latina. A quantidade de novos casos contabilizados na região representa mais de um terço do aumento total de infecções em todo o planeta.

“Apenas na semana passada, 732 mil novos casos foram reportados em todo o mundo. Entre esses, mais de 250 mil ocorreram em países latino-americanos. É uma preocupação séria que deveria servir como uma chamada de atenção para aumentar os nossos esforços”, frisou a dirigente.

De acordo com a organização, a América totaliza 2,9 milhões de casos – a maioria nos Estados Unidos -, quase 500 mil a mais que os reportados na semana passada. Etienne aconselhou os governantes latino-americanos a “pensar duas vezes antes de suspender as medidas de distanciamento social”.

Marcos Espinal, diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis da organização, advertiu sobre possíveis consequências das manifestações ocorridas desde a semana passada em Estados Unidos e Brasil, que provavelmente vão “contribuir para espalhar o vírus”.

“A OPAS recomenda a todos os países que evitem as reuniões de massas porque está muito provado que vão contribuir para espalhar o vírus. Principalmente em países como o Brasil, onde o número de casos é crescente”, alertou.

Espinal se declarou muito preocupado com a “delicada” situação do Brasil. Segundo o especialista, o país “ainda não fez testes de Covid-19 suficientes” e crescimento dos números de casos e mortes nas últimas semanas converge com a falta de leitos nos hospitais.

 
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