Na ONU, Trump menciona “tragédia humana” na Venezuela e impõe sanções contra autoridades (Vídeo)

Trump sugeriu que o regime de Maduro deveria ser "derrubado rapidamente" pelo exército venezuelano. O presidente não descartou uma ação militar dos Estados Unidos, mas não quis dar mais detalhes

Por Ivan Pentchoukov, Epoch Times

Os Estados Unidos impuseram uma nova rodada de sanções contra a Venezuela em 25 de setembro, horas antes de o presidente Donald Trump execrar o regime socialista em seu discurso à Assembleia Geral das Nações Unidas.

O Departamento de Estado sancionou Cilia Adela Flores de Maduro, esposa do ditador socialista Nicholás Maduro, juntamente com vários funcionários e ex-funcionários venezuelanos. Horas mais tarde, Trump convocou membros da ONU para se unirem aos Estados Unidos em um apelo pela restauração da democracia na Venezuela.

“Estamos atualmente presenciando uma tragédia humana na Venezuela. Mais de 2 milhões de pessoas fugiram do tormento infligido pelo regime socialista de Maduro e seus patronos cubanos”, disse Trump.

“Praticamente em todos os lugares onde o socialismo e o comunismo foram implantados, estes produziram sofrimento, corrupção e decadência. A sede de poder do socialismo leva à expansão, incursão e opressão. Todas as Nações do mundo devem resistir ao socialismo e à miséria que produz para todos”, acrescentou o presidente.

A medida também sancionou seis funcionários do “círculo próximo” de Maduro, incluindo o vice-presidente Delcy Rodriguez e o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, e “bloqueou” um jato particular no valor de 20 milhões de dólares identificado como pertencente ao testa de ferro de uma autoridade do alto escalão.

No comunicado de imprensa que acompanha as sanções, o Departamento de Estado assinalou que a medida visa mudar o comportamento e pode ser retirada uma vez que os indivíduos sancionados “tomem medidas concretas e significativas para restabelecer a ordem democrática, se recusem a participar de violações aos direitos humanos, denunciem abusos cometidos pelo governo e combatam a corrupção na Venezuela”.

Ditador da Venezuela Nicolás Maduro entre sua esposa, Cilia Flores, e o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, em uma cerimônia de comemoração ao 81º aniversário da Guarda Nacional, em Caracas, em 4 de agosto de 2018 (Juan Barreto/AFP/Getty Images)
Ditador da Venezuela Nicolás Maduro entre sua esposa, Cilia Flores, e o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, em uma cerimônia de comemoração ao 81º aniversário da Guarda Nacional, em Caracas, em 4 de agosto de 2018 (Juan Barreto/AFP/Getty Images)

Desde que assumiu o poder, Maduro tomou medidas para consolidar o controle sobre a nação rica em petróleo, encarcerando líderes da oposição, limitando o poder do Legislativo e criando uma Assembleia paralela com poderes ilimitados.

A grande maioria dos venezuelanos tem dificuldade para obter alimentos e remédios, e a inflação chegou a 200 mil por cento, levando ao êxodo da população para outros países da América Latina.

Maduro afirma ser vítima de uma guerra econômica declarada por Washington. Ele justifica a repressão da oposição acusando-os de tentar assassiná-lo.

Maduro ainda quer uma reunião cara a cara com Trump. A Casa Branca rejeitou sua solicitação no ano passado e exigiu que ele primeiro restaure a democracia na Venezuela.

“Estou cercado de funcionários sancionados”, disse ele. “Obrigado, Donald Trump, por me cercar de dignidade”.

A Casa Branca impôs várias séries de sanções contra a Venezuela desde que Trump assumiu o cargo. Em maio, depois que Maduro venceu as eleições que foram consideradas como uma farsa por outros países, os Estados Unidos impuseram uma grande variedade de sanções financeiras, que efetivamente bloquearam o acesso da Venezuela a mercados de crédito.

De acordo com organizações de apoio a migrantes e refugiados dos Estados Unidos, há mais de 2,3 milhões de venezuelanos vivendo no exterior, incluindo 1,6 milhão que fugiram do país desde 2015.

Um grupo de senadores norte-americanos disse na terça-feira (25) que haviam instituído uma legislação para abordar a crise na Venezuela, reforçando as sanções e oferecendo ajuda humanitária de 40 milhões de dólares, entre outras medidas.

O vice-presidente norte-americano Mike Pence disse na terça-feira que os Estados Unidos irão oferecer um adicional de 48 milhões de dólares para “parceiros da região” com o objetivo de enfrentar a “crise humanitária” causada pela crescente migração de venezuelanos.

Maduro contestou o número de refugiados informado pela ONU dizendo que em setembro apenas 600 mil venezuelanos haviam deixado o país, e que 9 em cada 10 querem voltar.

Maduro tem em parte se aferrado ao poder devido ao apoio contínuo de membros das forças armadas como Padrino, que foi nomeado ministro da Defesa em 2014.

O Tesouro norte-americano disse que Padrino ajudou a manter a lealdade do exército para com Maduro. No passado, o órgão acusou funcionários venezuelanos do alto escalão de corrupção e de atentar contra os direitos humanos.

A primeira-dama Cilia Flores, advogada e ex-procuradora geral, que também liderou a Assembleia Nacional, geralmente aparece em eventos públicos com Maduro e é considerada poderosa e influente nos bastidores.

O Tesouro também disse que um jato particular modelo Gulfstream G200 localizado na Flórida foi identificado como pertencente a um testa de ferro do ex-vice-presidente do país Diosdado Cabello, acusado pelos Estados Unidos de estar envolvido com o tráfico de drogas.

Por outro lado, vários países latino-americanos pretendem apresentar uma denúncia contra a ditadura de Maduro por supostas violações de direitos humanos perante o Tribunal Penal Internacional (TPI) em Haia, afirmou o ministro do Comércio do Peru, Roger Valencia, em uma entrevista.

Os países, incluindo Peru, Colômbia, Paraguai, Uruguai e Argentina, apresentarão a denúncia na esperança de obter o apoio de mais países para pressionar Maduro.

No ano passado, em seu discurso na ONU, Trump fez críticas semelhantes ao regime venezuelano e ao socialismo em geral. O presidente é um grande crítico do socialismo e do comunismo, e mencionou regimes pobres como os da Venezuela e da Coreia do Norte para apontar as duras consequências derivadas de tais ideologias.

Trump sugeriu que o regime de Maduro deveria ser “derrubado rapidamente” pelo exército venezuelano. O presidente não descartou uma ação militar dos Estados Unidos, mas não quis dar mais detalhes.

Colaborou: Agência Reuters

 
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