OMS diz que cientistas precisam ajudar no combate à desinformação

Temos que falar numa linguagem mais simples, diz cientista

Por Agência Brasil

A cientista-chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), Soumya Swaminathan, disse hoje (25) que os cientistas têm um papel importante no combate ao que ela chamou de “infodemia”, uma pandemia de informações falsas e fake news sobre a pandemia da covid-19. Ela defendeu que os cientistas precisam falar numa linguagem mais simples, para que todas as pessoas entendam.

“A OMS publica vídeos explicando o que é verdade e o que é falso sobre esse vírus, nós conseguimos comunicar muito. Temos conferências de imprensa três vezes por semana. É importante que os cientistas tenham a voz, mas as pessoas leigas não entendem, então temos que aprender a usar a linguagem leiga para comunicar”, disse.

A cientista participou hoje da cerimônia virtual em homenagem aos 120 anos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Soumya Swaminathan destacou a cooperação global científica para enfrentar a pandemia, independentemente de posições geopolíticas e ideológicas dos diferentes países. A cientista disse que esta é a maior cooperação já vista. “A única forma de vencer essa pandemia é compartilhando conhecimento e recursos”, afirmou.

“Em janeiro tivemos um fórum de pesquisa e inovação, isso produziu um mapa que delineou quais são as lacunas de conhecimento que temos sobre a doença, o que sabemos e o que precisamos aprender. Identificamos nove áreas temáticas onde grupos de trabalho começaram a trabalhar com teleconferências semanais desenvolvendo suas áreas de pesquisa, como transmissão da doença, conhecer o vírus propriamente, os hospedeiros, como passou para os seres humanos, até o manejo clínico, vacina, tratamento, ciência comportamental e social e ética nesse contexto de emergência”, explicou.

Segundo Soumya Swaminathan, as pesquisas avançaram muito nos últimos quatro meses e foi feito um banco de dados público com mais de 30 mil sequências genômicas do vírus, que está sendo usado no desenvolvimento de vacinas. “É uma luz no fim do túnel”, disse, lembrando o papel de destaque do Brasil na área.

“Temos hoje mais de 200 vacinas em desenvolvimento e oito candidatas que já estão em ensaios clínicos mais avançados. O Brasil será um ator importantíssimo para o desenvolvimento de novas vacinas, pela capacidade do país e a liderança da Fiocruz para conseguir realizar esses estudos de alta qualidade que vocês precisam”, destacou.

Ela disse que os países que estão na fase mais complicada da pandemia no momento, como o Brasil, precisam aprender com as nações que conseguiram controlar a doença.

“Vimos que houve diferenças na reação dos países a esse novo vírus, e como tem sido enfrentado. Ainda estamos aprendendo, mas o que fica claro é que se saíram melhor os países que têm bons sistemas de saúde pública, bons mecanismos de vigilância ou uma força de trabalho na saúde que pode rastrear contatos e isolar os pacientes, colocar em quarentena os que tiveram contato com eles. E redes de laboratórios mobilizadas para fazer os testes diagnósticos”.

Para Soumya Swaminathan, é muito importante também ter boas instituições científicas nos países que possam prover orientação com base em evidências para os governos sobre as medidas necessárias. Ela alertou, ainda, que o vírus ataca outros órgãos do corpo humano, além do sistema respiratório, e pode ter graves consequências em pacientes jovens.

“Estamos aprendendo que ele não afeta só o sistema respiratório, mas outros órgãos também, como o sistema vascular, o coração, o sistema nervoso, gastrointestinal, os rins, vimos manifestações raras em crianças e sequelas crônicas nos pacientes. Adultos jovens podem ter um AVC como primeira manifestação”, alertou.

De acordo com a cientista, pesar de “ainda termos um caminho difícil pela frente”, há otimismo entre os pesquisadores, já que foi verificado que o vírus tem uma taxa de mutação pequena, o que possibilita a criação de uma vacina segura e eficaz.

 
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