Óculos Google: potencializando mentes ou tornando-nos sonâmbulos?

Sergey Brin, cofundador do Google, aparece com os Óculos Google durante a conferência anual Google I/O, em 27 de junho de 2012 em São Francisco (Kimihiro Hoshino/AFP/Getty Images)

Sergey Brin, cofundador do Google junto com Larry Page, foi fotografado recentemente no metrô de Nova York usando os Óculos Google, a última oferta da empresa para potencializar as mentes. Mas será que nossas mentes realmente serão potencializadas?

Os “Óculos Google” se conectam a rede Wi-Fi, mostram informações na tela sobre o que o usuário está vendo – baseado em dados de pesquisa do Google – como locais, pessoas e marcas reconhecíveis. Embora os Óculos Google ainda estejam em desenvolvimento, o Google deve começar a vender o dispositivo para entusiastas este ano.

A ideia de usar óculos que servem de intermediários entre o usuário e a realidade ainda pode parecer um pouco exagerada, algo de ficção científica – talvez algo para se ter alguns minutos de diversão. Mas tendo em mente que o computador nestes dispositivos pode tirar fotos e filmar o que e quem está sendo visto e compartilhar imediatamente para mais interação online, parece que isso não é o que o Google tem em mente.

Estes dispositivos destinam-se a serem usados por substanciais períodos de tempo. Eles realizam os tipos de funções – ainda que de uma forma mais invasiva – que atualmente são atendidas por smartphones e tablets, tecnologias que estão cada vez mais envolvidas conosco em nossas vidas diárias. Para simplificar as coisas, desta vez, usaremos o dispositivo em nossos rostos.

Se não é difícil ver os Óculos Google como uma simples continuação da relação dos seres humanos com a tecnologia, é ainda mais fácil ver alguns problemas exacerbados.

Sherry Turkle, uma professora do MIT e ex-tecnófila que virou tecnopessimista, escreve em seu livro mais recente sobre a maneira como usuários de dispositivos móveis se envolvem em comportamento compulsivo – que ela descreve como estar “sempre ligado” – embalando suas tecnologias na cama no meio de uma noite sem dormir, verificando e-mails rapidamente no meio da leitura de um livro para uma criança, conectando-se ao Facebook assim que as luzes do cinema se apagam.

Em tais casos, o envolvimento emocional genuíno com nossa realidade física e de outros seres humanos é sacrificado pelo desempenho e a interação online.

Terreno movediço

Cada nova atividade quotidiana é transferida da arena física para a digital. A morte da loja de discos mudou a experiência de percorrer corredores para navegar a biblioteca do iTunes. O local de trabalho, o espaço onde até mesmo o mais tímido de nós era forçado a se socializar, agora é frequentemente um laptop sobre a mesa da cozinha. Há até uma mudança radical na maneira de se apaixonar – não apenas por meio de agências de namoro online, mas por mensagens sedutoras no Facebook e Tweets.

Se realmente investimos nisso, podemos fazer quase tudo sem contato face-a-face com outros seres humanos.

Para um número crescente de pessoas, essa mudança representa liberdade – liberdade de não ir ao trabalho todos os dias e quem se incomodaria de não ter de entrar no carro para ir ao supermercado? Mas, em compensação, parece que estamos entregando mais e mais controle às empresas de tecnologia que facilitam estas mudanças.

Ao invés de compartilhar nossas ideias com um colega próximo de uma máquina de café, muitos de nós agora pensamos diante do computador – ou melhor, nós pensamos agora com a ajuda do computador. Digite qualquer palavra no Google – a mais simples ou vaga que seja – e o Google oferecerá toda uma lista de pensamentos possíveis que você possa estar tendo. Alguns acabam sendo até melhores do que o pensamento original.

Mas mesmo que nos satisfaça, a lista diante de nós contém a informação que o algoritmo do Google nos lança: informação já selecionada e privilegiada de determinados fluxos de conhecimento; já foi decidido para onde nosso pensamento deve ir.

Embora o Facebook ofereça mais interação com os pensamentos dos seres humanos reais, o Google nos tem incentivado a editar a nós mesmos e nosso próprio pensamento.

Os Óculos Google levam tudo isso mais um passo adiante – no futuro, o avistamento de amigos será mediado pelo dispositivo, o que sabemos sobre eles será apresentado para nós pelo Google e até mesmo questões de onde existimos fisicamente serão dadas a nós pelo algoritmo.

Os usuários praticamente não precisam pensar – o que não parece completamente fora de sintonia com o que as pessoas no topo do Google têm dito ao mundo como seu objetivo. Isso soa como ficção-científica? Pelo menos a ficção-científica geralmente inclui um pequeno grupo de dissidentes, mas tudo que os últimos anúncios do Google parecem inspirar é o entusiasmo do consumidor.

E como está vindo do Google, podemos ter certeza de que os concorrentes da empresa já estão trabalhando em seus próprios projetos.

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